Na Hora H

 

DEUS É E TEM DE SER BRASILEIRO

ALYSSON PAOLINELLI

Nós, agricultores no Brasil, estamos de fato apreendidos. Acabamos de ter uma eleição na qual se esperava que houvesse as definições que o País necessita. O povo foi às urnas, votou e elegeu quem quis. Chegamos a pensar que a tese de novo governo, novas soluções havia vencido. Estamos ansiosos esperando a nova fase. Dependemos dela. Como estava efetivamente não podia continuar. Em termos de Governo, a coisa não andava bem para o Brasil. Para o setor agrícola, muito pior.

Um Ministério da Agricultura fraco, que se transformou em moeda de troca política com partidos da base do Governo, ministros escolhidos mais para resolver problemas políticos do que agrícolas. O agricultor já estava desesperado. As políticas públicas que o Brasil soube tão bem executálas foram destroçadas pelos sete planos econômicos forjados no Banco Central da ignorância, que destruiu todas as boas experiências que levaram o País a deixar de ser importador de alimentos para se tornar um dos primeiros na exportação de bens e produtos agrícolas.

De uma hora para outra se vê o crédito ser entregue ao comando dos bancos, acabam-se as políticas de garantia de preços mínimos, o seguro rural determinado na Constituição aparece mais como um engodo ou uma forma de negociação de recursos para outro fins. A comercialização perdeu a importância que tinha quando o crédito não mais chegou ao produtor para se defender no mercado oligopolista em que ele, como milhares de companheiros, passaram a ser inocentes ofertadores para as mãos de pouquíssimos compradores.

A infraestrutura de transporte, armazenamento, facilidades portuárias, totalmente esquecidas. E não podiam alegar que não sabiam que as safras tinham aumentado e precisavam ser armazenadas, escoadas e levadas ao mercado.

Os debates até chegaram a nos animar, pois as promessas foram tantas que chegamos a pensar que agora ia. A eleição termina. Vem a escolha, desta vez de maneira bem diferente das anteriores, e coloca-se no Ministério da Agricultura quem realmente entende dos riscados. A esperança surge. O primeiro e crasso erro estava sendo corrigido, ou se houve a intenção de negociar com os partidos da base do Governo, a competência de quem foi escolhido mascarou a troca.

Agora, estamos esperando que se governe e que se cumpram as infindáveis promessas de campanha. O que mais nos assusta é que dois meses depois da posse, o Governo não governa e o clima é de fim de festa. Assim não dá. Governo é para governar e não para esconder mazelas, erros, ou pior, crimes que são praticados. A Petrobras que o diga. Ou melhor, nós brasileiros que nela acreditávamos, com todo o seu potencial do pré-sal, estamos atônitos. Quando o petróleo cai no mercado mundial de US$ 100 para US$ 50 dólares, só o Brasil necessita aumentar o preço da gasolina e do óleo diesel.

Os debates até chegaram a nos animar, pois as promessas foram tantas que chegamos a pensar que agora ia. A eleição termina. Vem a escolha, desta vez de maneira bem diferente das anteriores, e coloca-se no Ministério da Agricultura quem realmente entendedos riscados. A esperança surge. O primeiro e crasso erro estava sendo corrigido, ou se houve a intenção de negociar com os partidos da base do Governo, a competência de quem foi escolhido mascarou a troca.

Agora, estamos esperando que se governe e que se cumpram as infindáveis promessas de campanha. O que mais nos assusta é que dois meses depois da posse, o Governo não governa e o clima é de fim de festa. Assim não dá. Governo é para governar e não para esconder mazelas, erros, ou pior, crimes que são praticados. A Petrobras que o diga. Ou melhor, nós brasileiros que nela acreditávamos, com todo o seu potencial do pré-sal, estamos atônitos. Quando o petróleo cai no mercado mundial de US$ 100 para US$ 50 dólares, só o Brasil necessita aumentar o preço da gasolina e do óleo diesel.

Gasolina ainda vá, porque quem a compra na maioria das vezes é para passear ou encher as ruas nos tremendos engarrafamentos que temos. Óleo diesel? Esse é para produzir trabalho, energia, produtos agrícolas e transportá-los ao mercado. Só malucos ou irresponsáveis elegeriam um bem tão estratégico para repor o que tiraram da Petrobras. Com ele, a sociedade vai pagar duas vezes o rombo que fizeram. Uma vez se paga na elevação dos custos de produção, e a outra no do transporte. Os aumentos vão incidir duplamente, não só nos alimentos que consumimos, mas em todos os produtos com os quais disputamos mercado com nossos concorrentes.

São Pedro não colaborou com todas as regiões brasileiras. Se choveu bem no Sul, no Centro-Oeste ou na Amazônia, no Centro-Sul, onde pesa a nossa economia, as chuvas estão escassas, já pelo terceiro ano, e nos leva ao risco não só do desabastecimento de água, como também limita as nossas possibilidades de irrigação das mais importantes lavouras, que produzem alimentos aos nossos centros consumidores. Será castigo? Fico preocupado. Já não sei se nós agricultores devemos rezar para que as chuvas caiam ou que o Governo governe. Se ficar esse clima de fim de festa, até Deus vai trocar a camisa e deixar de ser brasileiro.

Engenheiro agrônomo, produtor e
ex-ministro da Agricultura