Agribusiness

TRIGO

AJUSTE NOS ESTOQUES PELA USDA PRESSIONA CHICAGO

Gabriel Nascimento – [email protected]

O destaque no mercado mundial de trigo foi a divulgação do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) de oferta e demanda pelo grão de janeiro. Com a proximidade da virada do ano, dezembro apresentou pouca movimentação no mercado interno, além de baixa variação nos preços. Na primeira quinzena de janeiro, o mercado seguiu lento devido às férias coletivas nos moinhos.

Com isso, o relatório do Usda foi o principal fator a influenciar a oscilação das cotações na Bolsa de Mercadorias de Chicago. No último dia 12, o Usda divulgou os novos números para a safra 2014/15 de trigo nos Estados Unidos e do mundo. A produção norte-americana foi projetada em 2,026 bilhões de bushels, mantendo a estimativa de dezembro. Os estoques finais foram projetados em 687 milhões de bushels, acima dos 654 milhões do relatório anterior.

O número superou a expectativa de analistas consultados por agências internacionais antes da divulgação do relatório. A média estimada fora de 663 milhões de bushels. A safra mundial na temporada foi estimada em 723,38 milhões de toneladas, acima das 722,18 milhões de toneladas indicadas em dezembro. Os estoques finais mundiais foram estimados em 196 milhões de toneladas, ante 194,9 milhões de toneladas no mês anterior. A média na projeção dos analistas para os estoques na safra global foi de 194,6 milhões de toneladas. Após a divulgação, os dados do relatório passaram a pressionar as cotações do trigo em Chicago. A perspectiva de uma ampla oferta mundial, com estoques de passagem elevados, provocou a baixa dos contratos do grão, à medida que os traders buscavam melhor posicionamento diante do ajuste nas projeções. O Usda informou, no mesmo dia, que os estoques de trigo dos Estados Unidos ficaram 19% mais altos na comparação com dezembro de 2013, pesando ainda mais sobre as cotações.


ARROZ

MERCADO GAÚCHO INICIA ANO COM PREÇOS FIRMES

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional, começou 2015 com preços firmes, apesar da realização de leilões sistemáticos dos estoques públicos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A saca de 50 quilos valia, em média, R$ 37,60 no dia 16. Confrontada com igual período de dezembro – R$ 37,21 –, a elevação era de 1,1%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, era verificada uma alta de 4%, quando o valor registrado era de R$ 36,15 a saca. O quarto levantamento Conab para a safra brasileira 2014/15 indica produção de 12,197 milhões de toneladas, acréscimo de 0,6% sobre as 12,121 milhões de toneladas de 2013/14. No terceiro levantamento, eram esperadas 12,209 milhões de toneladas.

A área plantada com o cereal na temporada 2014/15 foi estimada em 2,353 milhões de hectares, ante 2,372 milhões semeados na safra 2013/14. A produtividade foi estimada em 5,182 mil quilos por hectare, superior em 1,4% aos 5,108 mil quilos na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 8,170 milhões de toneladas, equivalendo a avanço de 0,7%. A área prevista é de 1,119 milhão de hectares, perda de 0,1% ante os 1,120 milhão de hectares de 2013/14, com rendimento esperado de 7.300 quilos por hectare, ante 7.243 quilos da anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 0,9%, totalizando 1,057 milhão de toneladas. O estado é o segundo maior produtor. Para o Mato Grosso, terceiro lugar, a Conab está estimando uma safra de 593,5 mil toneladas, ante 579,1 mil toneladas calculadas para 2013/14.


SOJA

EXPECTATIVA DE AMPLA OFERTA MUNDIAL PESA E PREÇOS RECUAM

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O mercado internacional de soja iniciou 2015 avaliando a perspectiva de um aumento significativo da oferta mundial, o que trouxe forte pressão sobre as cotações, tanto no Brasil, como na Bolsa de Chicago. O fator que deflagrou a queda nas cotações foi o relatório de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), divulgado no dia 12, que indicou as primeiras sinalizações de aumento na disponibilidade da soja. O relatório indicou manutenção na estimativa para os estoques finais americanos em 2014/15. A projeção para a safra dos EUA foi elevada, para 3,969 bilhões de bushels, superando os 3,958 bilhões estimados em dezembro. Os estoques seguiram em 410 milhões de bushels. O mercado apostava em estoques de 402 milhões de bushels. As exportações foram elevadas de 1,76 bilhão para 1,77 bilhão de bushels e o esmagamento seguiu estimado em 1,78 bilhão. Para a safra 2013/14, o Departamento manteve a previsão de 92 milhões de bushels para os estoques finais.

O Usda indicou ainda elevação na estimativa para a safra mundial e dos estoques mundiais. A previsão é de estoques de 90,78 milhões de toneladas, contra 89,87 milhões de dezembro, e produção mundial em 314,37 milhões de toneladas, contra 312,81 milhões de dezembro. Se confirmada, a produção americana será a maior da história, equivalente a 108 milhões de toneladas. O Brasil deverá produzir 95,5 milhões de toneladas, e a Argentina, 55 milhões, contra 94 milhões e 55 milhões projetados em dezembro, respectivamente. Para a China, principal comprador mundial, a expectativa é de uma safra de 11,8 milhões e de importações de 74 milhões de toneladas, repetindo as projeções do mês anterior.

Além dos dados baixistas do Usda, outro fator que pressiona as cotações neste início de ano é o bom desenvolvimento das lavouras no Brasil e na Argentina, indicando que os dois países deverão colher a maior safra da história, assim como os Estados Unidos. Mesmo com a queda nas cotações, a tendência é de que os americanos batam novamente recorde de área em 2015. Na comparação com o milho, as cotações da soja são mais competitivas e a perspectiva é de que a oleaginosa roube área do cereal na próxima temporada. Com o avanço da colheita no Brasil e na Argentina, a demanda mundial pela soja deve se transferir do mercado americano para a América do Sul. Antecipando essa tendência, a Bolsa de Chicago começou a precificar essa provável transferência da procura, o que acrescentou mais pressão sobre as cotações.


ALGODÃO

MERCADO BRASILEIRO INICIA 2015 COM MAIOR LIQUIDEZ

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão encerrou a primeira quinzena de janeiro com maior liquidez e com maior quantidade de negócios se concretizando para a nova safra. A pressão para elevação dos preços permanece. No CIF de São Paulo, a fibra de melhor qualidade era indicada por volta de R$ 1,69 no dia 16, o que correspondia a uma valorização semanal de 0,60%. No mercado internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgou dia 12 o relatório de janeiro de oferta e demanda mundial, e estimou a produção global em 119,17 milhões de fardos para a temporada 2014/15.

As exportações mundiais da pluma foram estimadas em 33,99 milhões de fardos para 2014/15, enquanto a estimativa para o consumo mundial é de 112,24 milhões de fardos. Os estoques finais foram projetados em 108,64 milhões de fardos A expectativa é que a China colha 30 milhões de fardos na temporada 2014/15. A produção do Paquistão é projetada em 10,2 milhões de fardos. O Brasil tem safra estimada em 7 milhões de fardos. A produção indiana deve chegar a 30,5 milhões de fardos.

O relatório estimou a produção americana na temporada 2014/15 em 16,08 milhões de fardos. As exportações deverão ficar em 10 milhões de fardos. O consumo interno foi previsto em 3,8 milhões de fardos. Baseado nas estimativas de produção, exportação e consumo, os estoques finais norte-americanos foram previstos em 4,7 milhões de fardos. Em dezembro, o Usda projetava uma safra de 15,92 milhões, exportações de 10 milhões, consumo interno de 3,8 milhões e estoques de passagem de 4,6 milhões de fardos.


CAFÉ

EXPORTAÇÕES BATERAM RECORDE EM 2014

FábioRübenich - [email protected]

As exportações brasileiras de café registraram em dezembro um incremento de 4,3% no volume de sacas embarcadas em relação ao mesmo mês do ano anterior. Foram exportadas 3.124.298 sacas de 60 quilos (verde, torrado & moído e solúvel), contra 2.996.072 sacas em dezembro de 2013. Já a receita apresentou alta de 47,3% na mesma base comparativa, fechando em US$ 626,955 milhões, contra US$ 425,578 milhões. As informações são do Balanço das Exportações do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé). O balanço destaca também os resultados acumulados de 2014. O volume de café exportado pelo Brasil no ano foi recorde – 36.320.574 sacas – e apresentou uma alta de 14,7% em relação a 2013. A receita gerada com esses embarques chegou a US$ 6,576 bilhões, e representa um aumento de 26% sobre o resultado do ano anterior (US$ 5,219 bilhões).

A comercialização da safra de café do Brasil 2014/15 (julho/junho) está em 72% da produção total estimada, relativa ao início de janeiro. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado. Com isso, já foram comercializados pelos produtores brasileiros 35,1 milhões de sacas, tomando- se por base a projeção de Safras & Mercado, de uma safra 2014/15 de café brasileira de 48,9 milhões de sacas. Na média dos últimos cinco anos, a comercialização da safra neste período está em 69%. Em 2013, o mês de dezembro terminou com 63% da safra comercializada. Portanto, as vendas estão adiantadas neste ano. Houve, ainda, avanço de sete pontos percentuais na comercialização da safra 2014/15 em relação ao final do mês de novembro.


MILHO

COLHEITA DE VERÃO E INÍCIO DA SAFRINHA PRESSIONAM MERCADO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda quinzena de janeiro acompanhando as primeiras informações sobre colheita da safra verão e plantio da safrinha no Centro- Sul. De acordo como o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, a oferta que começa a surgir internamente gera um quadro de pressão regional, que tende a se acentuar nos próximos dias. O analista salienta que a colheita iniciou no Rio Grande do Sul, com produtividades acima do esperado, e logo deve ganhar forma em Santa Catarina e no Sudoeste do Paraná. “Apesar das temperaturas mais elevadas em janeiro, o clima vêm se mostrando favorável às lavouras, o que pode garantir bons resultados para a safra de verão. Além disso, no Oeste paranaense o plantio da segunda safra de milho já teve início, ocupando áreas recém colhidas com soja”, detalha.

Molinari afirma que o mercado interno também sente os efeitos da desvalorização das commodities agrícolas no cenário internacional, uma vez que a forte valorização do dólar frente a outras moedas correntes vem pressionando as cotações da soja, do trigo e do próprio milho nos Estados Unidos. “Outro fator que tem impactado o cereal estadunidense é a forte queda nas cotações do petróleo, refletindo diretamente nos preços da gasolina, o que pode acabar determinando uma queda na demanda para a produção de etanol”, informa.

Conforme Molinari, esse cenário pode acabar afetando tanto a produção de etanol quanto de biodiesel de soja norte-americano nas próximas semanas, uma vez que a margem das indústrias começou a ficar negativa com a queda nos preços do cereal e da oleaginosa. “No caso do etanol, com o crescimento acentuado dos estoques nos últimos meses, é possível que a produção tenha de ser contida pelas indústrias para que haja um equilíbrio com a demanda”, sinaliza.