Notícias da Argentina

MUDANÇAS NECESSÁRIAS

A situação do trigo gera profundo desassossego, e é concreto o risco de que cada vez se plante menos o cereal. O setor reivindica a revogação de regras e normas que têm gerado uma imensa distorção nos preços. As bolsas de Comércio de Rosário, Chaco e Santa Fé, e as Bolsas de Cereais de Buenos Aires, Bahia Branca, Córdoba e Entre Rios, enviaram cartas dirigidas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca e à Secretaria de Comércio nas quais manifestam a necessidade de mudanças na política do trigo, cujo sistema comercial está regido por restrições às exportações do cereal, impedindo o normal e transparente funcionamento do mercado, aumentando a incerteza dos agentes comerciais e desestimulando o plantio e a inovação tecnológica.


TRIGO

Até o final de dezembro, 76% da área plantada com o cereal havia sido colhida, com rendimento médio de 2.730 quilos por hectare. A produção final estimada pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires é de 11,5 milhões de toneladas, enquanto o Ministério da Agricultura fala em 12,3 milhões de toneladas.


SOJA

O plantio da oleaginosa alcançava 82% no final de dezembro. A área total estimada para a soja no país é de 20,6 milhões de hectares.


LEITE

Os valores do leite não indicam grandes variações (US$ 0,35 o litro no dólar oficial e US$ 0,23 no dólar paralelo). O momento mostra que as cotações são “caras” para a indústria e insuficientes para o produtor.


CARNE

O novilho precoce, a categoria emblemática da pecuária, encerrou dezembro com valores em torno de US$ 2 o quilo vivo (dólar oficial) ou US$ 1,30 (dólar paralelo). Os preços mostram recuperação depois de uma queda nos meses de outubro e novembro.


PECUÁRIA: BALANÇO E EXPECTATIVAS

Os confinamentos passaram a ter uma importância significativa no abastecimento de carne ao mercado interno. No balanço do ano que terminou, do ponto de vista comercial, houve um bom retorno para a atividade, com boas margens de rentabilidade, com exceção do último trimestre, quando houve queda no preço do boi gordo. O aspecto negativo de 2014 esteve nos problemas climáticos, que afetaram a eficiência produtiva em alguns momentos. Esse fator deixa clara a importância da manutenção e limpeza contínua dos currais. Um bom trabalho nos pisos das estruturas durante o verão e a limpeza ao longo do ano fazem a diferença diante de eventos climáticos adversos. Iniciado 2015, existem dois aspectos salientes que estão na mesa de discussão e análise do setor: o milho e a exportação de carne. Os números adversos para o cereal são um sinal de alarme, ainda mais quando repercutem negativamente sobre a intenção de plantio. Em relação à exportação de carne, a colocação de excedentes no exterior segue como um fator importantíssimo na hora de buscar um negócio mais estável. Enviar o primeiro lote de carne por meio da Cota 481 para a União Europeia será a consolidação de um processo longo e importante para o setor. Os confinadores esperam poder cumprir a missão durante o primeiro quadrimestre de 2015.


RENDA AGRÍCOLA: A INTERFERÊNCIA DO ESTADO

A participação do Estado na renda agrícola alcança 83,4% em direitos de exportação, impostos nacionais, impostos provinciais e custos de intervenção. Isso significa que, de cada 100 pesos que são gerados na Argentina em cultivos como soja, milho, trigo e girassol, 83,40 pesos são levados pelo Estado por meio de suas políticas, adverte a Fundação para o Desenvolvimento Agrícola da Argentina (FADA). A razão principal para esse cálculo é a existência dos direitos de exportação (ou retenções), que aplicam uma alíquota ao preço bruto das commodities agrícolas.