Arroz

 

Brasil busca ampliar as EXPORTAÇÕES

25ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz quer atrair negociadores internacionais

A 25ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, tradicional evento da cadeia orizícola, a ser realizado entre os dias 5 e 7 de fevereiro, em Tapes/ RS, terá como um dos objetivos "vender" o arroz brasileiro ao exterior. A proposta da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), promotora do evento em parceria com a Associação dos Arrozeiros de Tapes, é trazer representantes de outros países. Segundo o presidente da entidade, Henrique Dornelles, convites foram feitos para especialistas que trabalham com mercados em potencial para o Brasil, como o Oriente Médio e a América Central.

O objetivo é que os negociadores conheçam o sistema brasileiro de produção, do plantio ao beneficiamento do produto. "Queremos demonstrar como o nosso arroz é produzido, como temos segurança alimentar em todos os processos e que nosso arroz possui a qualidade que possui não só por uma questão natural, mas também por um contexto profissional e tecnológico", destaca.

As exportações do grão em dezembro foram as maiores do ano-safra, com o volume de 177,98 mil toneladas, puxadas por uma expressiva venda realizada para o Iraque. Dornelles explica que já existia pelo setor a percepção da elevação nos embarques. Entretanto, o dirigente acredita ainda que há gargalos na comercialização. Um dos exemplos é o retorno das relações comerciais dos Estados Unidos com Cuba depois de quase meio século. Os cubanos são responsáveis por 10% das compras do arroz brasileiro. Os preços do produto norte-americano de qualidade similar ao brasileiro estão mais de US$ 50 menores por tonelada, e o frete médio dos Estados Unidos para Cuba é mais de 60% inferior ao do Brasil para aquele país.

Custos e preço mínimo — Com o tema Cesta Básica Garantida, com Renda no Campo Comprometida, a Abertura também tem por objetivo alertar sobre os altos custos de produção que estão comprometendo a renda do produtor. Dornelles lembra que o grão nunca esteve com patamares de preços estabilizados como no último ano, chegando a R$ 38 a saca de 50 quilos, mas que não há nenhuma comemoração do setor porque os custos acabam corroendo totalmente a rentabilidade. "O que eu acho mais grave é que não se tem algum planejamento ou visão estratégica de como fazer ao menos a administração dos custos. Não há uma preocupação do Ministério da Agricultura. Isso nos coloca em um momento de cautela", revela. Outra sugestão do setor é o reajuste dos preços mínimos do Governo Federal, que atualmente é de R$ 25,80/saca, considerado um valor fora da realidade pelo setor.

A estimativa para 2015 é que a colheita do arroz chegue a 8,17 milhões de toneladas, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em janeiro, safra 0,7% maior do que a anterior, com uma produtividade de 7,3 mil quilos por hectare. A área total cultivada no Rio Grande do Sul é de 1,11 milhão de hectares, de acordo com o Instituto Riograndense do Arroz (Irga). Os gaúchos produzem 65% do total do arroz brasileiro.