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DEU KÁTIA ABREU E AS COISAS COMEÇAM A MUDAR

Com a vitória do PT nas urnas, ganhou a tese de “novo Governo, novas ideias”, e é isso que, no mínimo, deveremos esperar. Pelo menos, uma das insistentes reclamações que estávamos fazendo, parece-nos, foi atendida: o Ministério da Agricultura deixou de ser apenas uma moeda de troca entre os partidos da base do Governo. Pelo que estamos entendendo, a ministra Kátia Abreu foi escolhida pelo seu relacionamento, competência, amizade e grau de confiança que tem com a presidenta.

Foi uma escolha pessoal, ninguém duvida. Com isso, Kátia ganha força e condições de trabalho que há muito não se via no Ministério da Agricultura. Não pensem que a Kátia não vai aproveitar essa chance. Ela sabe muito bem o que deve fazer e, principalmente, como fazer. Conhece bem o setor e o caminho onde pisa. Se ela tiver as oportunidades que esperamos que tenha, muita coisa que se sonhou para a nossa agricultura ela vai conquistar.

Além da força e da amizade com a presidenta, Kátia pode elencar no centro do Governo uma série de condições que as suas reivindicações deverão ser precedidas. Ela representa o setor que passou a ser a base de nossa economia, que traz anualmente cerca de US$ 100 bilhões para a nossa balança comercial, em que mais de US$ 85 bilhões são livres, isto é, entram de forma líquida. É riqueza nacional mesmo.

A ministra ainda pode argumentar que esse é um setor que há pouco mais de 40 anos era atrasado e não conseguia sequer alimentar os brasileiros que aqui viviam. E que obrigava o País a importar cerca de 30% do que consumia, além de fazer a família brasileira gastar quase a metade de sua renda só com os gastos de alimentação, não sobrando quase nada para o seu bem-estar e melhoria de suas condições de vida.

Esse é o setor que libertou o País das importações desregradas e dos alimentos mais caros do mundo. E em pouco menos de 20 anos o País passou a ser um grande exportador de alimentos, e tornou os alimentos que aqui consumimos os mais baratos que o mundo conheceu. Que nesses 20 anos, sem “bolsas-famílias” ou qualquer dependência de outras ações populistas, passou a gastar apenas de 14% a 20% de suas rendas em alimentação, aí sim tendo na sobra do seu salário as condições tão desejáveis de melhorar o seu padrão de vida. Que nesses 20 anos soubemos desenvolver a primeira agricultura tropical do globo, mais produtiva, mais competitiva e mais sustentável que se conhece.

Se vamos sofrer por anos difíceis, quando teremos de pagar o que não gastamos, mas que gastaram em nosso nome e que haverá restrições de gastos, tenho certeza que a Kátia saberá soberanamente dizer: "Aqui não, companheiros. Aqui no nosso setor não são gastos, mas sim investimentos, e investimentos produtivos que voltam em menos de um ano". Todos terão de respeitála, pois além de conhecer o setor, ela lidera e é peça principal dessa importante engrenagem que deu ao Brasil nova feição. Kátia, vá em frente. É a sua vez. Sei que você não irá perdê-la. Nós estamos ao seu lado.

Engenheiro agrônomo, produtor e
ex-ministro da Agricultura