Notícias da Argentina

  PROBLEMAS COM A COMERCIALIZAÇÃO DO TRIGO

Para o analista Iván Barbero, a manipulação do mercado indica um cenário de abundância, na concepção do governo, com valores em torno de US$ 130 a tonelada. No entanto, preços nada rentáveis para o produtor. Se a oferta argentina de trigo em 2014/2015 for de 11 milhões de toneladas (o mínimo previsto), o consumo interno somar 6 milhões de toneladas e os estoques iniciais chegarem a 1,5 milhão de toneladas, então o saldo exportável poderia ficar em torno de 6 milhões de toneladas. No entanto, o produtor enfrenta as licenças de exportação e as retenções que limitam o negócio envolvendo o cereal. As retenções efetivas ficam em 47%, o equivalente a mais do que o dobro da alíquota aplicada sobre o cultivo, que é de 23%. Para aqueles que têm a possibilidade de segurar sua produção sem enfrentar limitações financeiras, o analista indica que é bastante conveniente adiar as vendas até meados do próximo ano.


TRIGO

TRIGOA Bolsa de Cereais de Rosário estima a produção 2014/ 2015 em 12 milhões de toneladas, sobre as 9,5 milhões de toneladas do período 2013/2014. O ritmo das vendas é muito lento em função dos baixos valores do cereal no mercado.


SOJA

A Bolsa de Cereais de Rosário mantém sua estimativa de área plantada para a oleaginosa em torno de 20,7 milhões de hectares, contra os 20,2 milhões de hectares semeados na última safra.


LEITE

LEITEOs preços pagos ao pro- dutor vêm sendo devorados pela inflação ao não registrarem avanços importantes. Os produtores recebem cerca de US$ 0,35 pelo litro (dólar oficial) ou US$ 0,22 pelo litro (dólar paralelo).


CARNE

Os preços do novi- lho superprecoce, a categoria mais emblemática dos mercados pecuários, mantêm-se em torno de US$ 1,76 para o quilo vivo (dólar oficial) ou US$ 1,11 para o quilo vivo (dólar paralelo).


A CONTA QUE NÃO FECHA

Para que o produtor que cultiva soja em campos próprios não perca dinheiro, as retenções aplicadas pelo governo teriam que ser reduzidas em 10 pontos percentuais. Um estudo feito pelo engenheiro agrônomo Néstor Roulet indica que é necessário rever os custos da lavoura da oleaginosa e, para isso, a única variável que pode ser modificada é a taxa cobrada pelo governo. Caso essa medida não seja tomada (o que é provável pela falta de vontade política), pela primeira vez em muitos anos a conta da soja entrará em terreno negativo. E a conclusão de Roulet é correta: o processo que determinou a taxa de 35% de retenções para o preço da oleaginosa foi introduzido na época em que o grão valia em Chicago em torno de US$ 600 a tonelada, cerca de 50% a mais do que vale atualmente.


PRODUTORES DE CARNE UNIDOS

“Conta mais a sinergia que pode ser gerada se as coisas forem conduzidas de forma inteligente do que os riscos derivados da concorrência”, salienta o ex-presidente do Quickfood, Luis Bameule, ao referir-se à chance que têm os países sul-americanos de liderar a oferta mundial de carne. Bameule integra atualmente o projeto GPS – Grupo de Países Produtores do Sul – uma iniciativa privada dos quatro fundadores do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), que reúne especialistas e empresários que trabalham para a construção de um polo sulamericano capaz de atender as novas demandas alimentícias de forma sustentável. Durante a realização do Seminário Mercosul e Ásia 2030, organizado pelo Programa de Agronegócios da Faculdade de Agronomia da Universidade de Buenos Aires, o especialista recordou que a China, incluindo os ingressos via Hong Kong e Vietnã, transformou-se no primeiro importador mundial de carne bovina, um posto de que dificilmente vai abrir mão nos próximos anos. Mas ele adverte que o negócio da carne requer uma ótima integração da cadeia e vendas a todo o tipo de mercados.