Glauber em Campo

 

70 ANOS DE INFORMAÇÃO COM QUALIDADE

Se voltarmos na história, há 70 anos éramos importadores de alimentos, não produzíamos soja, importávamos milho, trigo e arroz de países vizinhos e de outros continentes. Infelizmente não temos dados disponíveis de 70 anos, mas se voltarmos apenas 30 anos o Brasil produzia 46,9 milhões de toneladas de grãos, sendo que nesta próxima safra estima-se que ultrapassaremos os 200 milhões de toneladas. É o Brasil se consolidando como um grande fornecedor de grãos para o mundo.

O Brasil fez uma verdadeira revolução nos últimos 70 anos. Tivemos ciclos do café, borracha, mas de grãos produzíamos muito pouco. Em 1960 não produzíamos soja de forma significativa no Brasil, mas em 1976 produzimos 12 milhões de toneladas, sendo que nesta safra estima-se uma produção de 95 milhões de toneladas. Há 30 anos não produzíamos milho na segunda safra, sendo que hoje a segunda safra chega a ser maior que a primeira.

O avanço tecnológico foi muito grande e ganhamos principalmente em produtividade. A soja em 1976 produzia em média 1.700 quilos por hectare, enquanto que hoje a média passa dos 3 mil quilos por hectare. No milho houve um salto espetacular de produtividade: saímos de 1.600 quilos por hectare em 1976 para mais de 5 mil quilos nos dias de hoje. A cada ano incorporamos mais e mais tecnologia produtiva nos campos brasileiros.

No setor de carne não foi diferente, saímos de uma pecuária pífia há 70 anos para nos transformarmos no maior exportador mundial de carne bovina e de aves. E saímos de uma suinocultura arcaica para nos transformarmos no quarto maior produtor mundial e exportador. Nos anos 60 não produzíamos avicultura comercial no Brasil. Saímos do zero em 1960 para produzir hoje 12,6 milhões de toneladas de carne de frango, e nos transformamos no terceiro maior produtor mundial e no maior exportador.

Realmente desde os anos 1960 até hoje a produção agropecuária teve uma revolução no Brasil, sendo hoje responsável por mais de 25% do PIB nacional, e a produção de grãos cresceu 820% com uma produtividade que cresceu 299%. O setor de carnes deu um salto ainda maior, o que é muito importante, pois significa agregação de valor aos grãos, afinal, parte desta produção de grãos se transforma em carne através da ração animal. E no setor de carnes tivemos um crescimento de 1.363%.

Infelizmente nestes 70 anos a revista A Granja não só sucesso relatou e registrou, mas, sem dúvida, acompanhou o que também se prometeu e não se fez, como é o caso da infraestrutura logística, da armazenagem, dos planos de Governo, dos planos de safras. E neste sentido, A Granja registrou o decréscimo no investimento em infraestrutura, que saiu de 1,6% para 0,25% do PIB, e registrou a não evolução do seguro agrícola, que saiu do “plante que o João garante” para um seguro pífio, que o Governo deveria se envergonhar.

A revista A Granja nestes 70 anos viu o Brasil se tornar um dos países com a pior infraestrutura do mundo, ou seja, entre os 100 países mais importantes, somos o último. Somos um país que prioriza rodovias e, mesmo assim, apenas 5% de nossas rodovias são asfaltadas. Somos um país exportador, seja de grãos ou de minérios, e mesmo assim estamos qualificados em um dos piores países portuários do mundo. Aqui nesta revista se registrou o que deveria ser feito e não se fez.

Neste sentido quero chamar a atenção para os 70 anos da revista A Granja, que registrou toda esta revolução tecnológica, relatando as dificuldades e os desafios de cada safra. Esta revista contribuiu de forma crucial, orientando e difundindo esta tecnologia. Foi sempre um canal importante de comunicação, com o produtor mostrando o que de positivo ou negativo se fez, servindo acima de tudo como uma ferramenta informativa.

Inúmeros problemas tivemos também nestes últimos 70 anos, e a revista A Granja registrou tudo, e assim se transformou num registrador da história da agricultura brasileira. Nenhuma outra revista tem este arquivo valioso que deve ser preservado e, sem dúvida, se encontra com milhares de assinantes, cujas assinaturas vem de nossos avós e hoje nos foi repassada.

Eu desde pequeno via esta revista nas mãos de meu avô que a lia e relia sentado à beira da janela. O tempo passou e pude acompanhar novamente nas mãos de meu sócio Ademir Rostirolla (Gringo) que sempre a lia e comentava comigo as reportagens, “A Granja disse isto e aquilo”. Me sinto um privilegiado por ter podido compartilhar minhas ideias através de artigos publicados nesta revista que respeito muito e espero que continue registrando a revolução agropecuária deste país.

Presidente da Câmara Setorial da Soja, diretor da Aprosoja e produtor rural em Campos de Júlio/MT