Kátia Abreu

 

Um outro BRASIL

“Enquanto a CNA, que tenho a honra de presidir, dedicou-se à defesa dos produtores rurais ao longo dos últimos 60 anos, a revista A Granja semeou informação”

Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ministra da Agricultura

Não é à toa que quem comemora 70 anos tem o que contar. Viveu, protagonizou e testemunhou muita história. É assim com a revista A Granja, a quem parabenizo por trazer, a cada edição, detalhes da revolução pela qual passou a agropecuária brasileira nas últimas sete décadas. Enquanto a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que tenho a honra de presidir, dedicou-se à defesa dos produtores rurais ao longo dos últimos 60 anos, a revista semeou informação. E é esta parceria que nos permite, agora, relembrar a história da nossa agropecuária e falar sobre o futuro de prosperidade deste que é o setor mais dinâmico da economia nacional.

Ficou distante o tempo em que os produtores eram tidos como empresários retrógrados, e o agro era visto como setor atrasado, incapaz de atender sequer o mercado interno. Nem precisamos ir tão longe, sete décadas atrás, para concluir que o Jeca Tatu é, definitivamente, uma figura do passado. Há apenas 40 anos, importávamos até o arroz e o feijão, presentes na dieta de todos os brasileiros.

Mas, de importador, o País converteu- se em grande player do mercado internacional. Estamos, inclusive, bem perto de nos tornarmos o maior exportador mundial de alimentos, ocupando, desde agora, a primeira posição em vendas externas de vários produtos. Pela primeira vez, a soja em grãos ultrapassou o minério de ferro e ocupou, em 2014, o primeiro lugar no ranking das exportações do País.

Não seria atrevido dizer que o Brasil mudou, porque o agronegócio foi objeto de uma imensa transformação. Nossos produtos possuem, hoje, enorme valor agregado, resultado de uma aposta inédita em ciência e tecnologia. Nossas universidades e nossa Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, deram imensa contribuição, tornando o nosso solo, nossas sementes e nossos cultivos ainda mais produtivos. Sem falsa modéstia, tornamo-nos um setor de ponta da economia nacional. Um exemplo a ser seguido.

Para se ter uma ideia de nosso progresso, basta lembrar que, na safra 1976/1977, os produtores colheram 46,9 milhões de toneladas de grãos. Exatos 38 anos depois, o crescimento da safra superou os 400%. Os números são estupendos, sobretudo considerando que a área plantada cresceu cerca de 40%, e a produtividade aumentou 180%. Esses dados falam por si e, sobretudo, calam aqueles que procuram apresentar o País como um destruidor de florestas. Está claro que somos campeões de produção com preservação.

Deve-se igualmente atentar para o fato de que a estrutura fundiária brasileira é muito pouco concentrada, especialmente se comparada a outros países. Defasados estão alguns representantes dos ditos movimentos sociais. Essas vozes atrasadas ainda falam de “latifúndio improdutivo”! Ignoram que o agronegócio efetuou uma verdadeira transformação no que diz respeito à ocupação do solo e ao desenvolvimento de sua produtividade. Os que clamam por revolução deveriam se conscientizar de que ela já ocorreu.

Segundo o último Censo Agropecuário do IBGE, de 2006, são pouco mais de 5 milhões de imóveis rurais, que ocupam 329 milhões de hectares. A área média é de apenas 64 hectares. Já nos Estados Unidos, a média sobe para 169 hectares; atinge 588 hectares na Argentina e 2.964 hectares na Austrália. A estrutura fundiária brasileira é, portanto, muito menos concentrada do que nesses outros países de ponta da produção agropecuária.

O agronegócio cresceu graças ao trabalho e ao esforço de homens e mulheres que se tornaram empreendedores rurais, apostaram na livre iniciativa e atuaram segundo as regras da economia de mercado, aliando a exploração da terra com a conservação da natureza. A terra e a mecanização são seus instrumentos. O trator e o computador, suas ferramentas.

O produtor olha para dentro da porteira e para a bolsa de Chicago, sem esquecer sua luta sempre árdua por uma melhor infraestrutura, melhores rodovias, ferrovias e portos e o desenvolvimento cada vez mais necessário de hidrovias. O Brasil de hoje é grande porque seu agronegócio tornou- se um protagonista mundial.

O Brasil exportou US$ 192 bilhões no acumulado de janeiro a outubro de 2014 e o agro foi o setor que mais contribuiu, respondendo, por 44% do total. Projeções de dezembro indicavam que o PIB brasileiro deveria fechar o ano em R$ 4,85 trilhões, com crescimento ao redor de 0,3%. Já o PIB do agro deve fechar o ano com crescimento quase dez vezes superior ao projetado pelo FMI para a economia brasileira em 2014.

Eis o porquê de não podermos cessar de ser otimistas. Otimistas porque acreditamos em nós mesmos. Otimistas porque acreditamos e apostamos no nosso país. Otimistas porque tudo isso se deve, principalmente, ao nosso próprio esforço, ao nosso trabalho.

Percalços do presente certamente não comprometerão nosso futuro promissor. Assim como a revista A Granja, o agro brasileiro cresceu sobre bases sólidas.