Márcio Lopes de Freitas

 

A agricultura familiar e oA agricultura familiar e o COOPERATIVISMO

“É fácil afirmar que quanto mais se trabalha em prol das pessoas às quais se está ligado, mais é possível evoluir em conjunto. E essa é a principal característica da revista A Granja. Parabéns pelos 70 anos”

Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB

Temos um grande desafio pela frente. A cada dia, cresce o número de pessoas no mundo e, em breve, já seremos 9 bilhões, segundo indica a Organização das Nações Unidas (ONU). Com essa projeção, surgem diversos questionamentos. A alimentação é, certamente, um dos pontos que mais chamam a atenção. Natural, então, nos perguntarmos como fazer, por exemplo, para combater a fome, garantindo a segurança alimentar e a produção de alimentos.

Esse é um desafio de todos os governos, com certeza, mas também da agricultura mundial, e nós, brasileiros, temos um papel importante nesse cenário. Afinal, sabemos que o Brasil é um grande produtor de alimentos. Só em grãos, estamos cada vez mais próximos da marca de 200 milhões de toneladas, de acordo com estudos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para se ter ideia, o agronegócio, que se refere ao conjunto de atividades vinculadas à agropecuária, responde por uma média superior a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, que em 2013 estava previsto para R$ 4,8 trilhões (dados do Cepea e BC).

Sem dúvida, os agricultores brasileiros destacam-se pelo volume produzido, mas, também, pelo uso eficaz e sustentável da terra, conseguindo produzir mais em áreas menores. Estamos falando de todos os produtores brasileiros – do pequeno ao grande – que têm no campo uma história de vida e de dedicação. Na atividade agrícola, eles encontram uma fonte de renda e de felicidade. E muitos estão organizados em cooperativas, trabalhando conjuntamente para ganhar mais força e espaço no mercado e, para isso, contam com um suporte importante – dentro e fora da porteira. São serviços que vão desde o beneficiamento e o armazenamento à assistência técnica e à agroindustrialização. As cooperativas funcionam como verdadeiros centros de segurança para os seus cooperados.

Grande parte deles, aliás, tem um perfil familiar, com propriedades que têm até 50 hectares. A ligação dos empreendedores rurais familiares com o cooperativismo é muito forte. Os números também comprovam isso. Das famílias de associados a cooperativas cadastradas na base de dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), 76% são vinculados a sociedades cooperativas do Sistema OCB. Isso pode ser visto de Norte a Sul do País. Na Região Sul, especificamente, onde a prática cooperativista é mais antiga, cooperativas que reúnem milhares de produtores rurais familiares são referência na produção de alimentos.

Em outras partes do Brasil, como na Região Nordeste, o movimento cooperativista tem mobilizado um número crescente de pessoas e conta ainda com um espaço potencial para expandir suas ações e inserir cada vez mais produtores – tanto econômica quanto socialmente. Nesse processo, há outro agente fundamental, as cooperativas de crédito, que desburocratizam o acesso aos recursos dos programas institucionais criados pelo Governo para fomentar o segmento, garantindo, assim, o financiamento à produção. Com sua capilaridade, elas conseguem levar o crédito a um número maior de agricultores com segurança, atendendo as necessidades do meio rural.

O cooperativismo é assim, um modelo de negócios naturalmente democrático, no qual todos têm um papel importante, são autores da sua própria história. E o sucesso da gestão nas cooperativas está justamente nisso, os associados são donos do negócio, tendo todos eles direito a voto, à voz ativa. Para impulsionar ainda mais o movimento e, logicamente, o agricultor familiar que faz dele a sua fonte de renda, é também fundamental investir na profissionalização da gestão, e estamos tra- Alexandre Alves A GRANJA | 75 balhando fortemente nesse sentido – o Sistema OCB e o MDA, atuando juntos a partir de um acordo de cooperação.

A agricultura familiar é um segmento estratégico para o desenvolvimento do País, respondendo por 84,4% dos 5,17 milhões de estabelecimentos rurais no Brasil e 70% dos alimentos consumidos

Não poderia ser diferente, afinal, a agricultura familiar é um segmento estratégico para o desenvolvimento do País – respondendo por 84,4% dos 5,17 milhões de estabelecimentos rurais no Brasil e 70% dos alimentos consumidos internamente. É o que comprovam, mais uma vez, os indicadores do MDA. E aqui vale um destaque: sua relevância não fica restrita ao território brasileiro, ela é constatada mundialmente. Justamente por isso o setor foi reconhecido em 2014 pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como o Ano Internacional da Agriculta Familiar.

Diante de todo esse contexto, me é fácil afirmar que quanto mais se trabalha em prol das pessoas às quais se está ligado, mais é possível evoluir em conjunto. E essa é a principal característica da revista A Granja. Parabéns pelos 70 anos. Nosso desejo é de que os vínculos que a mantêm se fortaleçam cada vez mais, possibilitando que os bons exemplos – fruto da atuação profissional com estrito respeito aos valores ético-morais – tornem-se evidentes e mostrem ao Brasil que cooperar vale a pena!