Leitor com a Palavra

 

A Granja traduz as DEMANDAS do produtor

Há quase 40 anos assinante da revista, Ademir Rostirolla tem n’A Granja fonte de informação e atualização

Denise Saueressig
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Foi nos tempos de estudante no Colégio Agrícola Daniel de Oliveira Paiva (Cadop), em Cachoeirinha/ RS, que Ademir Rostirolla conheceu A Granja. Na escola, onde fazia o curso de técnico agrícola, ele gostava de ler sobre uma agricultura que começava a mudar de perfil no Brasil. Era a década de 1970, época em que se falava do plantio direto e das possibilidades nas novas terras do Centro-Oeste.

Natural de Passo Fundo/RS, Rostirolla cresceu em meio à pequena lavoura de soja da família, onde a rotina envolvia a enxada e a tração animal. Por falta de recursos, não conseguiu cursar a faculdade de Agronomia e, com 19 anos, viajou para o Mato Grosso para trabalhar como empregado com outros gaúchos em uma lavoura de arroz. “Lembro que ouvíamos de tudo. Uns diziam que o Cerrado era perigoso e que a agricultura nunca daria certo nessas terras. Outros falavam que a região seria o eldorado do País”, relata.

Os incentivos do Governo ajudavam os desbravadores do Centro-Oeste. Um dos subsídios, voltados para adubação, fazia com que uma tonelada de fertilizante pudesse ser adquirida pelo valor de 400 quilos do insumo. Mas mesmo com os estímulos financeiros, quem não buscou apoio tecnológico, não vingou na nova terra.

De Jaciara, seu destino inicial, Rostirolla mudou-se para Diamantino, onde viu a lavoura de arroz do atual patrão ser infestada por plantas daninhas. Na época, ele também leu n’A Granja sobre uma variedade de soja com período juvenil longo lançada pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas/SP. “Também lembro que o pesquisador Romeu Kiihl falava na revista sobre o assunto e as possibilidades do cultivo no Cerrado”, acrescenta.

Produtor Ademir Rostirolla: primeiro plantio de soja em Mato Grosso foi feito seguindo as orientações publicadas em reportagem d’A Granja

Determinado e curioso, Rostirolla convenceu o patrão a cultivar 200 hectares com a variedade de soja do IAC. A semente foi comprada e todo o processo de inoculação, adubação e plantio foi conduzido com base nas orientações publicadas pela reportagem d’A Granja. Na hora da colheita, a surpresa: a primeira safra rendeu uma média de 42 sacas por hectare. “As plantas chegaram a 1,20 metro de altura e chamaram a atenção Luciano Rolim dos vizinhos, que perguntavam o que tínhamos feito”, descreve.

Depois de 18 anos trabalhando como empregado, ele conseguiu comprar a própria terra no início da década de 1990. Hoje, o gaúcho de 60 anos conhecido como “Gringo” é secretário de Agricultura de Campos de Júlio e, em parceria com o colunista d’A Granja Glauber Silveira, administra a empresa Agroplante, onde cultivam soja, milho e florestas. Rostirolla conta que desde a década de 1970 nunca deixou de assinar e ler a revista. Para ele, A Granja consegue traduzir as demandas e necessidades do homem do campo. “Assim como publica grandes reportagens sobre inovações tecnológicas e tendências do mercado, a revista nunca deixa de lado os cuidados básicos que o produtor precisa ter para o sucesso da atividade”, elogia.