Anos 2010

 

Anos 2010 - Anos dourados, falta estrada e uma tal de helicoverpa

As commodities viveram tempos historicamente positivos em parte da primeira metade da década de 2010. Mas a (falta de) logística e uma nova lagarta tiraram o sono do produtor

A primeira metade da década de 2010 foi histórica para algumas commodities. O aumento da demanda global por comida (sobretudo da China) somada a uma estiagem jamais vista nos Estados Unidos, catapultaram as cotações de soja, milho, algodão e café. “Dourada” era a definição para a safra 2011/12, capa da edição de agosto de 2011. “Tempos de pujança no campo”, anunciava a edição de abril de 2013, cuja justificativa era a seguinte: “O agronegócio brasileiro vive um momento de exuberância, com a perspectiva de mais uma safra recorde e valorização da produção”. Foram tempos de recordes sobre recordes nos mais variados segmentos que compõem o agronegócio, da receita do produtor à venda de máquinas.

Mas o volume de produção saltando de patamar a cada safra tornou ainda mais saliente os problemas históricos de infraestrutura do País. Faltou silo, faltaram estradas, ferrovias, hidrovias e portos – e muita paciência de quem trabalha muito para produzir igualmente cada vez mais. “A produção que fica pelo caminho”, de março de 2010, alertava que “o País tem dificuldades históricas para escoar suas riquezas, e a infraestrutura logística não acompanha o crescimento da produção”. Em fevereiro de 2013, para ilustrar uma foto de caminhões parados em fila, uma pergunta: “O recorde vai chegar até o porto?”. E uma justificativa desanimadora para a questão: “A realidade é que o maior problema do agronegócio brasileiro está longe do poder de ação do produtor e ainda mais distante de uma solução”.

Se o assunto é problema para a vida – e lavoura – do produtor, ele teve o desprazer de ser apresentado à Helicoverpa armigera. A lagarta aterrissou em solo brasileiro pelas lavouras do Oeste baiano, mas logo se espalhou pelas demais regiões e passou a devorar tudo o que encontrava. Entre as muitas abordagens d’A Granja, a capa de outubro de 2013: “Safra blindada – a guerra contra a helicoverpa e outras ameaças da lavoura”. Entre os desafios para enfrentar a praga recém chegada, o desconhecimento sobre seus hábitos e até, sobretudo, a burocracia para o uso de inseticidas importados. Mas as edições desta meia década também destacaram assuntos muito mais positivos, como a importância da irrigação, o crescimento do negócio florestal e muito mais.

Registros dos anos recentes de cotações histórias, sobretudo da soja, e a chegada de uma lagarta bastante danosa