Anos 2000

 

Anos 2000 - Vitória dos transgênicos e a responsabilidade ambiental

A primeira metade dos anos 2000 foi marcada pelo embate dos alimentos transgênicos. Na segunda, ganhou espaço nas páginas d’A Granja a produção agrícola ambientalmente sustentável. E no decorrer da década, a soja tornou-se de vez a rainha das commodities

A década de 2000 registrou dois momentos extremos de uma tecnologia que chegou para sempre na agricultura mundial, e que foram devidamente documentados pela A Granja: “A polêmica dos transgênicos” era a capa da edição de outubro de 2000; “Geneticamente aprovado”, já a edição de maio de 2005. A tecnologia enfrentou enormes resistências de segmentos da sociedade, mas depois de inúmeros debates (e embates) recebeu aprovação e foi disponibilizada aos produtores brasileiros. “Agora é para valer. Vem aí a primeira soja transgênica do Brasil amparada por uma legislação específica. A Lei da Biossegurança (aprovada dois meses antes) (...)”, anunciava a reportagem de 2005.

Os transgênicos e toda a polêmica que os envolveu até a sua aprovação legal ganharam muita atenção n’A Granja

Hoje o Brasil é o segundo maior produtor de cultivos geneticamente modificados, com 40 milhões de hectares. E a polêmica? Ficou apenas nos registros nas páginas d’A Granja, que também veiculou inúmeras manifestações (e justificativas) pró-adoção dessa tecnologia tão importante para o produtor. “O Brasil já está quatro anos atrasado na liberação de produtos geneticamente modificados”, alertava José Amauri Dimarzio, então vice-presidente da Abrasem, na edição de fevereiro de 2001.

E na década de 2000, tornouse corriqueira nas páginas d’A Granja uma questão que jamais sairá de pauta: a produção agrícola responsável, tanto ambiental como socialmente. Em maio de 2007, a reportagem “Agricultura parceira da natureza” enfocava a preocupação com o efeito estufa, lembrando que “a agricultura bem conduzida pode ser uma grande aliada na preservação do meio ambiente”. Já em dezembro de 2007, “Investimento em responsabilidade” foi o título da reportagem que advertiu o seguinte: “Tão importante quanto gerar riquezas é trabalhar pelo bem-estar das comunidades e pela preservação da natureza”. Em junho do ano seguinte, a reportagem “Consciente e Legal” tratava não só da dificuldade, mas da necessidade de “harmonizar a produção rural com as exigências ambientais”.

Essas e muitas outras reportagens e artigos, sobretudo as dezenas de artigos da seção Plantio Direto, sempre defenderam não só o compromisso de todos em trabalhar na agricultura sem comprometer a natureza, mas também ressaltando o bem que a agricultura praticada com responsabilidade faz ao meio ambiente.

Os anos 2000 também foram evidenciados pela explosão de vez da soja na agricultura brasileira. Muitas foram as abordagens a esse grão, desde artigos técnicos sobre seu cultivo, até a reportagem que buscou dimensionar a importância da cultura: “Sua majestade, a soja”, de maio de 2008, que mencionava “um grão que chegou ao Brasil de forma despretensiosa nos anos 1950 para alimentar suínos...” e que se tornara tão relevante até para a economia do País. A reportagem citava que o Brasil havia colhido na safra 2006/07 o volume de 58,4 milhões de toneladas da oleaginosa. Era muito? A estimativa para 2015 é de uma colheita de até 91 milhões de toneladas. Se em 2008 foi usada a expressão “majestade” para qualificar a cultura, qual a definição mais apropriada para a soja de 2015?

Outro tema que ganhou vulto na década de 2000 foi o biodiesel, e que tem na oleaginosa sua principal matéria-prima. “O biodiesel será nosso”, anunciava a edição de setembro de 2004, que procurava dimensionar as potencialidades do biocombustível. “Mas o País só começa agora, tardiamente, a pensar sério no assunto”, lamentava o texto. Mais tarde, em julho de 2007, a reportagem “O combustível que jorra das mãos do produtor” reiterava que “a mesma terra que oferece o alimento gera a energia” lembrava que o biodiesel era uma oportunidade promissora a agricultores de todos os tamanhos. Realmente, a partir da adição de 7% de biodiesel no diesel mineral, em novembro de 2014, o País tornou-se o segundo maior produtor do biocombustível.

A estimativa é que nesta safra o Brasil rompa a barreira das 200 milhões de toneladas de grãos. Em outubro de 2001, A Granja levantou uma questão para a safra 2001/02: “Vamos produzir 100 milhões de toneladas?!” Sim, o número acabou superado. E as safras vieram evoluindo até ameaçar a barreira das 200 milhões de toneladas, sobretudo pela expansão da soja. Mas parte também pelo milho de segunda safra, cujo crescimento de área e produção várias vezes foi registrado n’A Granja, como em março de 2008, sob o título “Uma safrinha com jeito de safrão”. A reportagem relatava que a safrinha raramente ultrapassava 10% do volume total da produção do cereal, e que em 2007/08 atingiria 1/3 – uma proporção jamais imaginada. Pois para esta safra 2004/15 a estimativa da Conab é que a safrinha seja de 70% a 80% superior à primeira safra.

Os anos 2000 também foram duros para o produtor. Na safra 2001/02, os sojicultores foram apresentados à ferrugem-asiática da soja, que exigiu muita pesquisa para ser entendida e causou bilhões de reais de perdas e custos com pulverização. A revista A Granja deu uma ampla cobertura à doença safra após safra, veiculando alertas e orientações. Como um caderno especial em setembro de 2004. Para piorar, em meados da década, a agricultura brasileira passou por uma crise histórica, em praticamente todas as principais culturas, visto suas baixas cotações. “A safra de incerteza” foi o título da reportagem de capa sobre as perspectivas da safra de verão de 2006/07. Na mesma edição, o título para a entrevista do produtor e sindicalista goiano Alécio Maróstica era o seguinte: “Como é difícil produzir”. Preço, câmbio, ferrugem da soja eram os dramas dele.

Como um espelho do agronegócio brasileiro, A Granja retratou os momentos difíceis como a crise de meados dos anos 2000