Anos 1990

 

Anos 90 - Feiras, MIP e o que é um site

Nos anos 1990, nasceu a Agrishow, que desde a edição número 1 ganhou ampla cobertura na revista, assim como as demais grandes feiras. Ainda nas páginas d’A Granja, destaque para as orientações técnicas como o Manejo Integrado de Pragas, e a assuntos incomuns – a criação comercial de jacarés. E com vocês, a Internet!

O melhor do agronegócio brasileiro é apresentado nas megafeiras agrícolas, e A Granja sempre esteve presente a esses eventos para dedicar amplas coberturas às tecnologias expostas. Como a primeira edição da Agrishow, em Ribeirão Preto/SP, em 1994: “A feira dinâmica conseguiu introduzir um novo conceito no segmento de exposições agrícolas: profissionalismo”, destacou a revista, que concedeu 36 páginas aos lançamentos da feira de 1998. Também atenção à Show Rural Coopavel, de Cascavel/PR, “(...) uma das mais importantes do País em tecnologia rural”, mencionava a cobertura de 1998. Depois, as demais feiras entraram no calendário da revista, como Expodireto Cotrijal, de Não- -Me-Toque/RS, Bahia Farm Show, de Luís Eduardo Magalhães/BA, e Agrobrasília/DF, entre outras.

Em junho de 1996, A Granja utilizava-se de um amplo anúncio para comunicar que entrava na era da Internet

Duas realidades hoje tão comuns mereceram os primeiros registros nas páginas d’A Granja: a transgenia e a Internet. Na edição de abril de 1993, uma pequena nota anunciava que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos tinha aprovada a solicitação da Monsanto “para uso experimental em provas de campo, naquele país, de plantas de algodão trangênicas, que são resistentes a insetos”. Três anos depois, em junho de 1996, um anúncio institucional de página dupla orgulhosamente informava os leitores que a revista entrava na Internet. “Mas o que é um site? Site mais nada é do que um local na Internet, um endereço”, esclarecia. “Mais uma vez a revista A Granja arranca na frente e dá aos leitores e a todas as pessoas ligadas ao meio rural um site totalmente voltado à agropecuária e ao agribusiness”.

Em dezembro de 1996, a revista estabelece uma de suas seções mais importantes até hoje, a Plantio Direto News, que perdeu o “News” mais tarde. Nesse espaço, desde então foram veiculados centenas de artigos de incentivo e esclarecimentos sobre a prática que revolucionou a agricultura brasileira. Antes, em maio de 1996, A Granja deu enorme atenção ao 1º Congresso Brasileiro de Plantio Direto na Palha, realizado em Ponta Grossa/PR, cujo título da reportagem foi “Na palha, o futuro de uma agricultura sustentável”. O termo sustentável passava a fazer parte dos discursos (e preocupações) sobre agricultura, não só a brasileira. Assim como o Manejo Integrado de Pragas (MIP), o controle racional das pragas, muitas vezes enfatizado pela revista, como em dezembro de 1997, com “Algodão exige monitoramento”.

Outros assuntos de extrema relevância ao produtor e presentes em seu cotidiano – e alguns um tanto insólitos – chegaram até os leitores mês após mês pelas páginas d’A Granja. No primeiro caso, temas como política agrícola ou somente crédito rural sempre despertaram atenção. “Plano Collor: a agricultura pode ter, finalmente, a sua vez”, anunciava texto de maio de 1990. “A grande pergunta que o setor primário está fazendo a toda a sociedade e a si mesmo é como ficará a agricultura após a decretação do Plano de Estabilização do Governo Collor”, abria o texto. Recordando: entre as medidas do Plano Collor esteve o confisco de valores depositados no sistema financeiro para dar fim à inflação galopante. Na última edição de 1992, o texto intitulado “Finame Rural, o empurrão que faltava”, detalhava a linha de financiamento do BNDES a “juros mínimos de 8,5% + TR, amortização em 5 anos”.

Abordagens um tanto incomuns também foram levadas ao produtor, como a produção comercial de jacarés

Temas econômicos e financeiros sempre estiveram na pauta do dia (ou do mês) de uma publicação que tem por vocação e objetivo ser protagonista no crescimento profissional de seus leitores. Uma espécie incomum para exploração comercial tratada pela revista foi a de jacaré, reportagem que relatou a importação de 110 jacarés-de-papo-amarelo do Zimbábue por uma empresa gaúcha. Detalhe: a polêmica surgiu após um dos animais fugir do criatório e, a 100 quilômetros, atacar uma idosa de 73 anos.

Entre os entrevistados nestas sete décadas, três páginas para um bate-papo interessante com um vendedor de gado de 13 anos

Em 1993, uma senhora de 76 anos foi a principal entrevistada da edição de dezembro, na seção Depoimento. “A vovó que faz genética” mostrava o trabalho de Francisca Campinha Garcia, a vó Kika, administradora de uma fazenda de 1.600 animais Nelore e Gir. Pois três meses antes, na mesma seção, foi entrevistado um menino de 13 anos, João Paulo Wilson Mendes Júnior, o Pimentinha, que já era conhecido pela compra e venda de bois desde os sete anos de idade. “O que eu mais gosto de fazer é mexer com boi”, disse o rapazinho, ainda na sétima série. Uma das presenças ilustres – e sorridentes – nas páginas d’A Granja na década foi a então secretária estadual de Minas, Energia e Comunicação do Rio Grande do Sul, Dilma Rousseff, na entrega do prêmio Destaques A Granja do Ano de 1994.

Em 1994, uma sorridente secretária de estado do governo gaúcho, Dilma Rousseff, marcou presença na solenidade de entrega dos troféus do Prêmio Destaques A Granja do Ano