Anos 1970

  

Anos 1970 - Plantio direto e soja dominam o terreno

Nos anos 1970, a agricultura brasileira dobrou-se à soja e ao plantio direto na palha, que se espalharam por milhões de hectares. A revista concedeu correspondente espaço em suas páginas conforme sua importância

A agricultura brasileira dos anos 1970 poderia ser marcada por dois fenômenos: soja e sistema plantio direto na palha. Em dezembro de 1972, a revista A Granja publicou texto descrevendo a técnica de cultivo um tanto inusitada, o depósito da semente no solo sem o seu revolvimento. “Contrariando as práticas convencionais, o plantio direto não permite que se revolva a terra com aração e gradeação. (...) O uso de plantadeiras não fabricadas para este fim é a única dificuldade imediata apontada para a prática do plantio direto”, descrevia o didático texto. Durante a década, a revista passou a publicar mais e mais textos sobre o método de plantio hoje praticado em mais de 30 milhões de hectares brasileiros. Desde a edição de dezembro de 1996, A Granja mantém uma seção para a divulgação de artigos sobre o PD.

A soja, hoje o principal item na pauta de exportações do País, começava a ganhar seus espaços na revista

A soja já tinha merecido atenção d’A Granja nas décadas anteriores, mas a partir do boom da cultura em solo brasileiro nos anos 1970, a revista também passou a conceder espaços mais generosos. Em outubro de 1973, o artigo “Soja, Riqueza Exportável”, do engenheiro agrônomo Valdiner Fagundes, parecia antever que, em 2014, o grão suplantaria o minério de ferro para se tornar o mais importante item das exportações brasileiras. “A cultura da soja, iniciada em caráter intensivo há aproximadamente 15 anos no Rio Grande do Sul, vem apresentando de ano para ano índices de crescimento significativos”, enfatizava. “A soja tem seu preço internacional regulado pelos negócios realizados na Bolsa de Chicago”, esclarecia.

A revista seguiu promovendo em suas páginas nos anos 1970 as boas práticas de cultivo e conservação de solos (textos sobre terraços, curvas de nível, etc.), além de reportagens e artigos sobre o uso de herbicidas (inclusive com o Especial Herbicidas, abril de 1979, abordando o uso correto dos pulverizadores e a aplicação segura). A mecanização seguiu em pauta, com artigos e reportagens, como a abordagem que mereceu capa – A Ordem é Mecanizar!, de maio de 1971); ou com o histórico trator CBT, fabricado pela extinta Companhia Brasileira de Tratores. Em outubro de 1973, a aviação agrícola ganhou uma reportagem de dez páginas, sob o título “Da enxada ao avião”.

O plantio direto sempre teve um lugar cativo nas páginas d’A Granja, desde seus primeiros hectares no Brasil

Na pecuária, seguiram-se as abordagens sobre as melhores maneiras de conduzir as criações, como a divulgação do pastejo rotacionado do método Voisin. Em relação ao segmento de suínos, em julho de 1978, A Granja veiculou uma reportagem de oito páginas sobre uma crise histórica, a peste suína africana, que obrigou o sacrifício de milhares de animais e “um prejuízo de bilhões de cruzeiros”, registrava. E a avicultura também recebeu muitos espaços.

As empresas mostrando seus produtos modernos, como um subsolador e uma novidade, a plantadeira para o plantio direto

A revista ainda seguiu divulgando e defendendo os eventos e causas dos produtores rurais fora das lavouras e pastagens, como a ampla cobertura à primeira edição da Expointer, a feira de Esteio/RS, na edição de setembro de 1972. Também passou a promover a cada virada de ano uma mesa redonda de lideranças do agronegócio para debater as “Metas & Perspectivas” do ano vindouro, cuja transcrição dos debates ocupava um espaço generoso.

A Granja registrou com amplo espaço a primeira Expointer, assim como as 36 edições seguintes até hoje