Anos 1960

  

Anos 1960 - Espaço à mecanização e aos “inseticidas modernos”

Defensivos e adubos químicos e máquinas agrícolas ganharam espaço na agricultura brasileira e na revista, além de temas como preservação ambiental e conservação de solos

A agricultura praticada com máquinas e insumos químicos começou a ganhar terreno nas lavouras brasileiras e, por consequência, nas páginas d’A Granja da década de 1960. A edição de maio de 1966 veiculou um caderno especial de 34 páginas sobre mecanização agrícola com uma série de orientações sobre o uso de máquinas, inclusive enfatizando as vantagens econômicas do trabalho mecanizado: “(...) permitir a exploração de áreas mais extensas, executar um serviço mais rápido (...)”, argumentava o texto. Detalhes: 1 - todos os tratores e as colheitadeiras que ilustravam o amplo material não eram cabinados; 2 – foram mostrados muitos arados em ação rasgando o solo, pois à época o plantio direto não tinha chegado à agricultura brasileira. Uma capa d’A Granja ilustrada por um homem colhendo milho com as mãos advertia que o “trabalho manual dá pouco rendimento”.

Nos anos 1960, a mecanização das lavouras passou a ser uma realidade, devidamente registrada pela A Granja

Os adubos e defensivos químicos também angariavam lugar cativo na linha editorial d’A Granja, e o enfoque dos textos muitas vezes era justificar as vantagens de seus usos. “A adubação constitui excelente fator que pode e deve ser usado pelo agricultor para ter sempre as suas terras em condições desejáveis de fertilidade”, pregava o artigo postado na seção A Granja Lavoura. Outro texto, intitulado “Proveito máximo dos fertilizantes foliares”, lembrava que a aplicação desses insumos poderia ser executada via equipamento de aspersão “e, em muitos casos, misturar-se com os inseticidas”, prática proibida atualmente. Um dos artigos usava um argumento pró-adubação que hoje seria completamente incoerente para a realidade da agricultura brasileira: “O Brasil detém o melancólico título de ser um dos países de mais baixa produtividade agrícola do mundo”.

Já o artigo do engenheiro agrônomo Andrej Bertles M., em maio de 1966, com o título “Inseticidas modernos”, fazia menção ao DDT, hoje banido do mercado visto a sua alta toxicidade ao ser humano. Antes de descrever sobre as aplicações dos inseticidas, ele fez um alerta pessoal pertinente sobre a periculosidade dos produtos, uma abordagem inúmeras vezes presente nas publicações d’A Granja. “O autor desse artigo tem direito de falar sobre o assunto, pois experimentou os efeitos tóxicos de certos inseticidas no próprio organismo e agradece sua vida somente a diagnose e tratamento certos dos médicos da Fac. de Medicina de São Paulo”, confidenciou.

A inauguração de Brasília, cidade construída pelo presidente Juscelino Kubitschek, foi notícia também n’A Granja

A pecuária seguiu em destaque nas edições d’A Granja da década, como abordagens diversas sobre criação e manejo de animais, como a produção de forragem. Outros assuntos ganhariam mais vulto, a exemplo a conservação de solos – “Você é sócio da erosão?”, questionava um anúncio. Assim como um tema que nas décadas seguintes seria mais presente na mídia, a preservação ambiental e a segurança alimentar. Uma capa mostrava crianças abraçadas a uma árvore e o título “Floresta: presente e futuro das gerações”, e um texto mencionava a “batalha travada pelo mundo para proporcionar a seus habitantes os alimentos que carecem”, sob o título “Como vencer a guerra contra a fome”.

Um texto sobre o 20º aniversário d’A Granja foi ilustrado com uma foto do fundador da revista, Artur Fabião Carneiro

Os anos 1960 também foram marcantes para a história particular d’A Granja. Em setembro de 1967, o editorial “Nova Etapa” anunciava que a revista trocava de comando. “A partir da presente edição, a revista A GRANJA já aparece sob nova responsabilidade editorial. São homens que conhecem em profundidade os problemas e segredos da administração, editorialismo, artes gráficas e publicidade”. Texto assinado por Hugo Hoffmann, novo proprietário d’A Granja.