Anos 1950

 

Anos 1950 - Problemas do trigo e cortes no orçamento da Agricultura

Nos anos 1950, a revista A Granja veiculava os problemas e as causas dos agricultores, e passava a ser uma Revista a Serviço do Sul do Brasil

Problemas ainda hoje em discussões intermináveis já estavam em pauta nas páginas d’A Granja nos anos 1950. “Por que não consumimos nosso trigo?”, questionava um texto de outubro de 1951. “(...) porque continuamos deante do mesmo fenômeno anualmente enviando nossa produção para fora e do exterior trazendo o pão nosso de cada dia”. Outra edição, de 1953, mencionava a “batalha do trigo”, em que o Brasil se empenhava para evitar os “3 biliões de cruzeiros anualmente gastos no exterior com a compra de precioso cereal”

Um editorial de 1956 fazia duras críticas aos cortes de orçamento do Ministério da Agricultura, que tinha perdido quase um quarto da verba

Já o editorial de dezembro de 1956 intitulado “O corte inoportuno” relatava os “extensos cortes no Orçamento Geral da União”. O Ministério da Agricultura fora o que sentira a maior supressão de verbas, de Cr$ 155.000.000,00, ou 23,8% de seu orçamento, seguindo do Ministério da Viação, com 20%. “Num país essencialmente agrícola, onde um dos principais problemas é ainda a falta de estradas, segundo declarou em não poucas oportunidades o Presidente Juscelino Kubitschek, tais medidas não podem causar senão estarrecimento”, bradava o texto que poderia ser publicado hoje.

O conhecidíssimo problema da não auto-suficiência de trigo no Brasil já era destacado pelo menos desde os anos 1950

A mecanização da agricultura passava a ganhar então muito mais espaços. Desde abordagens sobre a orientação técnica para cultivos mecanizados, até a notícia da aquisição via despacho do presidente Getúlio Vargas para a compra de 500 tratores na Europa, informação veiculada na edição conjunta de agosto/ setembro de 1952. E também pelas iniciativas para a fabricação de máquinas agrícolas em solo brasileiro. “Fabricação de tratores cem por cento nacionais” era o título de um texto veiculado em janeiro de 1955, mencionando estudos de engenheiros italianos da Fiat para instalação de fábrica no Brasil. Uma notícia semelhante foi publicada em julho de 1956: “Maquinária Agrícola: Instalação de fábrica alemã de tratores no Rio Grande do Sul”, sobre a possível vinda para o estado da indústria Ritscher. “A fábrica em questão produzirá tratores de vinte, trinta e quarenta cavalos de força”, destacava, e citava o investimento do empresário Benjamin Soares Cabelo para trazer o negócio ao Brasil.

Para mecanizar as lavouras brasileiras, notícia do presidente Getúlio Vargas autorizando a importação de 500 tratores

Um empresário brasileiro se articulava para começar a produzir em solo brasileiro tratores de uma empresa alemã

Na década, A Granja seguiu empenhada em levar informações sobre criações e cultivos, com o estabelecimento de seções, a exemplo de “Ovinos e lãs”, assim como em relação à conscientização dos agricultores quanto à conservação de solo: “Terraceamento – método eficaz e econômico contra a erosão”, foi um dos textos veiculados. Em março de 1955 foi criada a seção Defesa Sanitária Vegetal, que já na primeira edição abordou o percevejo ou frade-do-arroz e a lagarta da soja. Temas institucionais como “O cooperativismo e suas curiosidades” e “Utilidade do ensino agrícola elementar” também foram abordados. A edição conjunta de março/abril de 1952 marcou a alteração do slogan de “Uma Revista Rural ao Serviço do Rio Grande do Sul” para “a serviço do Sul do Brasil”. A Granja deixava de ser gaúcha para ser brasileira.

A conservação e preservação de solos, cuja importância não precisa menções, sempre foi um tema destacado pela A Granja

Para chamar a atenção dos criadores, os anunciantes se utilizaram de ilustrações, como esta simpática ovelhinha