Agribusiness

 

TRIGO

MERCADO INTERNACIONAL TEM RESTRIÇÕES NAS VENDAS RUSSAS

Gabriel Nascimento – [email protected]

O destaque dos últimos dias no cenário tritícola ficou por conta do mercado internacional. No dia 10 de dezembro foi divulgado o relatório de oferta e demanda de trigo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) para dezembro. O departamento elevou as estimativas para estoques finais dos Estados Unidos e do mundo. Os níveis projetados ficaram acima da expectativa do mercado, o que pressionou os preços do trigo na Bolsa de Mercadorias de Chicago. No final da segunda semana do mês, a boa demanda pelo grão norteamericano limitou as perdas. O bom desempenho das vendas líquidas dos Estados Unidos sustentou as cotações e deu início à sequência de ganhos registrada nas últimas sessões.

Na terceira semana, a tendência de realização de lucros após os ganhos anteriores acabou sendo superada pelo cenário de alta aos preços nos EUA, com o início de especulações em torno de uma possível restrição às vendas de grãos da Rússia – quarto maior exportador mundial de trigo. O país pretende conter o ritmo das exportações de grãos em meio ao enfraquecimento da moeda local e à alta dos preços do pão aos consumidores. A Rússia está diminuindo os embarques através da negativa de certificados necessários aos negociadores após inspeções sanitárias, o que é considerado uma “manobra encoberta” para restringir as vendas. Os contratos acumularam seis sessões consecutivas de alta e chegaram ao máximo registrado desde maio. Em uma sessão, porém, o mercado repercutiu o cenário de altos preços nos EUA na comparação com mercados concorrentes. Acumulado a isso, um movimento de realização de lucros também pressionou as cotações em Chicago.


ARROZ

MERCADO GAÚCHO ENCERRA COM PREÇOS FIRMES

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional, encerrou 2014 com preços firmes, apesar da realização de leilões sistemáticos dos estoques públicos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A saca de 50 quilos valia, em média, R$ 37,31 no dia 18. Confrontada com igual período de novembro – R$ 36,46 –, a elevação era de 2,3%. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, era verificada uma alta de 2,8%, quando o valor registrado era de R$ 36,29/saca. O terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2014/15 indica produção de 12,209 milhões de toneladas, o que representa acréscimo de 0,7% sobre as 12,121 milhões de 2013/14. No levantamento anterior, eram esperadas de 11,857 milhões a 13,154 milhões de toneladas.

A área plantada na temporada 2014/ 15 foi estimada em 2,359 milhões de hectares, ante 2,372 milhões semeados na safra 2013/14. A produtividade foi estimada em 5,174 mil quilos por hectare, superior em 1,3% aos 5,108 mil quilos por hectare na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal estado produtor, deve ter uma safra de 8,289 milhões de toneladas, equivalendo a avanço de 0,7%. A área prevista é de 1,119 milhão de hectares, perda de 0,1% ante os 1,120 milhão de 2013/14, com rendimento esperado de 7.407 quilos/hectare, ante 7.243 quilos da safra anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 0,9%, totalizando 1,057 milhão de toneladas. O estado é o segundo maior produtor. Para o Mato Grosso, terceiro lugar, a Conab está estimando uma safra de 593,5 mil toneladas, ante 579,1 mil toneladas calculadas para 2013/14.


SOJA

USDA REDUZ ESTIMATIVA DE ESTOQUES DOS ESTADOS UNIDOS

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de dezembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) indicou retração na estimativa para os estoques finais americanos em 2014/15. A projeção para a safra dos EUA seguiu inalterada. A safra norte-americana está estimada em 3,958 bilhões de bushels, repetindo a previsão de novembro. Os estoques passaram de 450 milhões de bushels para 410 milhões. O mercado apostava em estoques de 431 milhões de bushels. As exportações foram elevadas de 1,72 bilhão para 1,76 bilhão de bushels e o esmagamento seguiu estimado em 1,78 bilhão.

Para a safra 2013/14, o Departamento manteve a previsão de 92 milhões de bushels para os estoques finais. Se confirmada, a produção americana será a maior da história, equivalente a 107,72 milhões de toneladas. Após o relatório, os contratos futuros acentuaram as perdas na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).

O relatório indicou elevação na estimativa para a safra mundial de soja em 2014/15. Os estoques mundiais foram reduzidos. A previsão do Usda é de estoques de 89,87 milhões de toneladas, contra 90,28 milhões de outubro. Segundo o Usda, para a safra 2014/15, a produção mundial deverá ficar em 312,81 milhões de toneladas, contra 312,06 milhões de novembro. O Usda trabalha com safra americana de 107,7 milhões de toneladas. O Brasil deverá produzir 94 milhões de toneladas e a Argentina, 55 milhões, sem alteração na comparação com as estimativas anteriores.

Para a China, principal comprador mundial, a expectativa é de uma safra de 11,8 milhões e de importações de 74 milhões de toneladas, também repetindo as projeções do mês anterior. Em relação à temporada 2013/ 14, o Usda indicou produção de 285,3 milhões de toneladas e estoques finais de 66,58 milhões de toneladas. A safra americana está projetada em 91,39 milhões de toneladas. Os números da América do Sul foram indicados em 86,7 milhões para o Brasil e em 54 milhões de toneladas para a Argentina.

A China deverá produzir 12,2 milhões de toneladas e importar 70,36 milhões de toneladas.


ALGODÃO

MERCADO BRASILEIRO TEM POUCA OFERTA DE BOA QUALIDADE

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão chegou ao final de 2014 com escassez de oferta de boa qualidade. “De um lado, há produtor ofertando a R$ 1,70 por libra-peso e comprador querendo em torno de R$ 1,65 por librapeso”, relata o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. “Este spread de compra e venda acaba limitando os negócios”, explica. O preço alvo para algodão de boa qualidade está em torno de R$ 1,66 por libra-peso. Já o de baixa qualidade está próximo à R$ 1,56 por libra- peso. No Cif de São Paulo, a indicação ficou em R$ 1,66 em 18 de dezembro, acumulando uma valorização de 0,61% em relação ao mesmo período do mês anterior, quando valia R$ 1,65. Frente ao ano passado – R$ 2,11 -, a queda ainda era de 21,33%.

No cenário internacional, destaque para o relatório de dezembro de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), que estimou a produção de algodão do País na temporada 2014/15 em 15,92 milhões de fardos, ante 16,4 milhões no mês anterior. As exportações deverão ficar em 10 milhões de fardos em 2014/15, mesmo nível do relatório passado. O consumo interno foi previsto em 3,80 milhões de fardos, mesmo patamar do mês anterior. Os estoques finais norte-americanos foram previstos em 4,6 milhões de fardos para a temporada 2014/15, ante 5,1 milhões de fardos no mês passado. Para a temporada 2013/14, é esperada produção de 12,91 milhões de fardos, exportações de 10,53 milhões de fardos, consumo de 3,55 milhões de fardos e estoques finais de 2,45 milhões de fardos.


MILHO

MOVIMENTAÇÃO DO MERCADO CAI BASTANTE COM FINAL DE ANO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou nas últimas semanas de dezembro com um quadro de fraca movimentação nos negócios. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, por conta dos feriados de Natal e Ano Novo, muitos compradores de milho já definiram as posições de estoque para a virada de ano. “Vemos também que muitos armazéns já programaram uma redução de fluxo de embarques”, sinaliza. O diferencial neste momento é o fator cambial, com a desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar ao longo de dezembro. “Essa situação tem contribuído para uma valorização de preços na exportação, não apenas para os embarques previstos nos últimos dias de 2014 e no começo de 2015, mas também para o período de julho a setembro do próximo ano, em meio à segunda safra de milho”, disse. Para Molinari, essa condição vem oportunizando uma boa liquidez ao produtor e também ajuda a reduzir o risco de queda de preços na colheita.

Em termos de clima, com o plantio da safra verão finalizado no Centro-Sul do Brasil, o quadro de desenvolvimento das lavouras de milho mostra-se bem melhor agora se comparado aos últimos meses, com o retorno das precipitações. “As chuvas no mês de dezembro prosseguem irregulares, mas vêm ocorrendo de forma satisfatória para as lavouras, o que inibe sinais de maiores problemas na colheita”, afirma. Segundo Molinari, o mercado já começa a se preparar para o recebimento da nova safra. “A colheita de milho verão deve iniciar durante janeiro em parte do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, estendendo- se nas demais regiões de fevereiro em diante”, sinaliza.


CAFÉ

CHUVAS NO BRASIL LEVAM NY AOS PREÇOS MAIS BAIXOS EM CINCO MESES

Lessandro Carvalho - [email protected]

As atenções com as notícias sobre as condições climáticas para a safra brasileira de 2015 continuaram intensas no mercado de café em dezembro. E o maior volume de chuvas registrado no cinturão cafeeiro, depois de longos períodos de estiagem em 2014, resultaram em preços mais baixos na Bolsa de NY. O arábica chegou a registrar os preços mais baixos em cinco meses, com o contrato de março caindo a 171,85 centavos de dólar/libra-peso no dia 17. As chuvas levam o mercado a ter maior otimismo quanto à safra de 2015 no Brasil. Haverá quebra, especialmente em função da falta de umidade em pleno período de floradas. Mas a regularização das precipitações no último bimestre traz o sentimento de que as perdas podem ser atenuadas. Depois de o mercado chegar a cogitar uma produção de 45 milhões de sacas ou até menos, a trading Volcafé apontou que o país pode colher 49,5 milhões de sacas. Isso foi mais que suficiente para derrubar os preços em NY. No Brasil, a alta do dólar tem amenizado o efeito baixista de NY. Assim, os cafés arábica de melhor qualidade continuaram próximos da linha de R$ 500 a saca de 60 quilos em dezembro. O produtor já vendeu a maior parte da safra de 2014, e agora não tem pressa para negociar o restante. Isso trava o mercado e limita o efeito baixista da bolsa internamente. O relatório mensal de novembro da Organização Internacional do Café (OIC) trouxe os primeiros números para o ciclo 2014/15 (out-set). Devido principalmente à estiagem que atingiu o Brasil em 2014, a produção mundial deve cair para 141 milhões de sacas na temporada, 2,9% abaixo das 145,2 milhões de sacas colhidas em 2013/14. A produção de café arábica do Brasil em 2014 foi 6 milhões de sacas menor em comparação ao ano anterior. Contudo, parte desse déficit pode ser compensado pela “contínua recuperação do setor da Colômbia e pelas melhorias no manejo do surto de ferrugem na América Central”. Contudo, a lacuna não será totalmente preenchida. Para o robusta, houve reportes dúbios em relação a 2014/15, mas, por conta de recentes números de exportação, espera-se queda na produção da Indonésia, que promete dados mais completos sobre a produção mundial de 2014 e de 2015 em janeiro. Em 2013/14, o consumo mundial atingiu 145,8 milhões de sacas, crescimento de 2,1% sobre as 142,9 milhões de sacas da temporada anterior.