Agribusiness

TRIGO

CLIMA RIGOROSO PREJUDICA QUALIDADE DO GRÃO NO RS

Gabriel Nascimento – [email protected]

O cenário tritícola do Rio Grande do Sul não é bom. Com a proximidade do fim da colheita, os níveis de produtividade ficaram muito abaixo do previsto e do registrado no mesmo período do ano passado, quando a safra foi recorde. Os preços pagos ao produtor pela saca de 60 quilos também estão menores na comparação com períodos anteriores. Entre 15 de outubro e 15 de novembro, o valor ficou em torno de R$ 25,46, abaixo da média dos últimos cinco anos, que registraram R$ 30,57, e dos R$ 40,38 em novembro do ano passado. O principal vilão da safra atual tem sido o clima. As chuvas intensas afetaram os índices de produtividade do grão. De modo geral, no RS, o rendimento é projetado em torno de 1,580 kg/ha – 50% menor do que os 3,164 kg/ha registrados no ano passado. Os números ficaram aquém do estimado no início da safra.

Além do clima desfavorável, e apesar do controle dos produtores, algumas das principais regiões do estado registraram ataques de pragas. As infestações de doenças fúngicas prejudicaram também a venda do grão para uso em ração. Empresas recusaram o produto devido ao alto teor de micotoxinas. Com os altos estoques remanescentes da safra anterior e a baixa qualidade da safra atual, cooperativas tritícolas evitam o produto.

Em alguns casos, o trigo colhido no Rio Grande do Sul não tinha qualquer valor comercial. Com cerca de 80% da área tendo sido ceifada, o volume obtido fica cerca de 60% abaixo do esperado. À medida que se aproxima o fim da colheita, o desinteresse por parte do produtor limita o avanço dos trabalhos.


ARROZ

MERCADO GAÚCHO MANTÉM TENDÊNCIA DE ALTA

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional, manteve a tendência de alta na penúltima semana de novembro. Os preços negociados no Rio Grande do Sul ficaram entre R$ 35,81 e R$ 37,41 a saca de 50 quilos, com média de R$ 36,61 em casca no dia 19, ante R$ 36,46 na semana anterior. Confrontada com igual período de outubro – R$ 36,20 –, a elevação era de 1,1%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, foi verificada alta de 10%, quando o valor registrado era de R$ 33,29. Para o analista de Safras & Mercado Ricardo Pinzon de Souza Junior, a alta representa a expectativa da indústria com o possível atraso do plantio. “Uma fração significativa de produtores perdeu a janela de plantio em função da instabilidade climática que não mostrou condições para a cultura”, pondera.

A balança comercial fechou com saldo positivo no acumulado do ano comercial 2014/15 até outubro. Importações tiveram queda de 11,85%, com um volume de 636.766 mil toneladas de arroz base casca, ante as 722.390 mil toneladas no acumulado do mesmo período de 2013/14. Exportações tiveram alta de 9,85%, com volume de 811.753 mil toneladas base casca. O acumulado do mesmo período do ano comercial de 2013/14 é de 738.966 mil toneladas do cereal. “Com as vendas externas superando as aquisições e com o consumo não apresentando grandes alterações, os estoques de passagem devem apresentar recuo em relação aos níveis – já bastante baixos – da temporada anterior”, prevê o analista.


SOJA

USDA ELEVA ESTIMATIVA DA SAFRA AMERICANA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) indicou elevação na estimativa de safra americana de soja em 2014/15. Os estoques finais permaneceram inalterados. A safra daquele país está agora estimada em 3,958 bilhões de bushels, contra 3,927 bilhões no relatório de outubro. Os estoques seguiram em 450 milhões de bushels. O número para a safra ficou exatamente igual ao estimado pelo mercado. As exportações foram elevadas de 1,7 bilhão para 1,71 bilhão de bushels, e o esmagamento subiu de 1,77 bilhão para 1,78 bilhão.

Se confirmada, a produção americana será a maior da história, equivalente a 107,72 milhões de toneladas. Após o relatório, os contratos futuros reduziram seus ganhos na Bolsa de Mercadorias de Chicago. O relatório indicou retração nos estoques finais de soja na temporada 2014/15. A previsão do Usda é de estoques de 90,28 milhões de toneladas, contra 90,67 milhões de outubro. Segundo o Usda, para a safra 2014/15 a produção mundial deverá ficar em 312,06 milhões de toneladas, contra 311,2 milhões do relatório de outubro. O Brasil deverá produzir 94 milhões de toneladas, e a Argentina, 55 milhões, sem alteração na comparação com as estimativas anteriores.

Para a China, principal comprador mundial, a expectativa é de uma safra de 11,8 milhões e de importações de 74 milhões de toneladas, também repetindo as projeções do mês anterior. Em relação à temporada 2013/14, o Usda indicou produção de 285,01 milhões de toneladas e estoques finais de 66,85 milhões de toneladas. A safra americana está projetada em 91,39 milhões de toneladas. Os números da América do Sul foram indicados em 86,7 milhões para o Brasil e em 54 milhões de toneladas para a Argentina. A China deverá produzir 12,2 milhões de toneladas e importar 70,36 milhões de toneladas.

Além da quase consolidação da maior safra da história dos Estados Unidos, as expectativas seguem favoráveis em relação à safra sul-americana. O plantio evoluiu sem maiores percalços no Brasil e na Argentina. Diante da expectativa positiva para a safra dos três maiores produtores mundiais da oleaginosa, a perspectiva é de recomposição dos estoques mundiais. A sustentação dos preços depende basicamente da demanda chinesa, que segue firme.


ALGODÃO

PREÇO DA PLUMA SEGUE ACIMA DA PARIDADE DE EXPORTAÇÃO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado doméstico de algodão segue operando com reportes pontuais de negócios. Para a fibra de alto padrão, o interesse de venda tem sido inferior ao de compra, o que resulta em firmeza para as cotações. No CIF de São Paulo, a indicação ficou em R$ 1,66 por libra-peso em 19 de novembro, acumulando uma valorização de 0,61% em relação ao mesmo período do mês passado. Frente ao ano passado – R$ 2,08 –, a queda ainda era de 20,19%. Segundo o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, o excesso de chuva, principalmente entre as regiões de Chapadão do Sul/MS e Rondonópolis/MT, acabou comprometendo a qualidade de boa parte da fibra disponibilizada. “Sabendo da possibilidade de escassez de produto de boa qualidade durante a entressafra, os cotonicultores colocam-se em uma posição defensiva”, explica. “O resultado disso é que os preços domésticos seguem acima da paridade de exportação”.

No cenário internacional, destaque para o relatório de novembro do Comitê Internacional do Algodão (Icac), que projeta a produção mundial da fibra em 26,27 milhões de toneladas na temporada 2014/2015, ante 26,24 milhões na safra 2013/14. Em outubro, eram esperadas 26,24 milhões de toneladas. O consumo mundial de algodão deve totalizar 24,45 milhões de toneladas na safra 2014/2015. Para 2013/2014, são esperados 23,46 milhões de toneladas. As exportações para 2014/2015 foram projetadas em 7,86 milhões de toneladas, ante 8,86 milhões da temporada 2013/2014. Já os estoques finais para 2014/2015 foram previstos em 21,60 milhões de toneladas. Na temporada 2013/14, o número foi de 19,77 milhões de toneladas.


CAFÉ

USDA REVISA PRA CIMA ESTIMATIVA DA BRASILEIRA 2014/15

Fábio Rübenich - [email protected]

A safra brasileira de café em 2014/ 15 deverá ficar em 51,2 milhões de sacas, conforme relatório semestral do adido agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) no Brasil, divulgado em novembro. O número supera em 1,7 milhão de sacas a projeção anterior, mas segue 3,3 milhões abaixo da safra 2013/14. Segundo o Usda, a revisão para cima na previsão é decorrência de produtividades acima do esperado para algumas regiões produtoras. A colheita foi finalizada em setembro, e, conforme fontes da indústria ouvidas pelo adido do Usda, o tamanho dos grãos é significativamente menor que o de safras passadas. No entanto, a qualidade em geral da safra 2014 é melhor que a de 2013.

O adido projeta leve aumento nas exportações, agora estimadas em 33,53 milhões de sacas. Os estoques de passagem estão projetados em 6,98 milhões de sacas. O Usda indica que a produção de arábica será de 34,2 milhões de sacas, enquanto a de robusta chegará a 17 milhões. No seu relatório de novembro, a Organização Internacional do Café (OIC) manteve inalteradas suas estimativas de produção e consumo para a temporada 2013/14 e não fez projeções para 2014/15, safra esta iniciada em outubro.

Segundo a OIC, houve um moderado recuo no volume de produção em 2013/14, que atingiu 145,202 milhões de sacas, ante as 145,003 milhões 2012/ 13, elevação de 205 mil sacas, ou 0,1%. Já o consumo de café continuou crescendo em termos mundiais, com a demanda total para 2013/14 atingindo 145,8 milhões de sacas, alta de 2,1% em comparação as 142,3 milhões de 2012/13, números que geraram um déficit de oferta de cerca de 600 mil sacas para o mercado internacional nesta temporada.


MILHO

CÂMBIO E ATRASO NO PLANTIO DE VERÃO MOVIMENTAM PREÇOS

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho apresentou uma maior movimentação de preços na segunda metade de novembro. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, dois fatores têm contribuído para esse quadro: o câmbio, diante dos problemas na economia brasileira e as incertezas em torno de soluções de curto prazo, o que tem gerado um ambiente bastante especulativo, e o clima, que segue provocando atrasos no cultivo da safra verão 2014/15. Molinari afirma que a desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar tem favorecido uma elevação dos preços do cereal nos portos e criado uma sensação de que é possível avançar nas exportações em um ritmo mais forte até o final do ano. “Até outubro, o Brasil exportou mais de 11,3 milhões de toneladas de milho e teria de embarcar acima de 3 milhões de toneladas mensais até janeiro para atingir volumes próximos a 20 milhões de toneladas no encerramento do ano comercial”, comenta.

Por outro lado, os problemas climáticos registrados no Brasil têm mantido os preços internos do milho também em patamares elevados, acima da paridade de exportação, o que pode dificultar uma maior movimentação de embarques. “Verificamos que existe um grande interesse comprador para o milho no mercado interno, por conta da expectativa de uma eventual redução na produção da safra verão, especialmente no estado de São Paulo.

Os vendedores, contudo, permanecem com um movimento de retenção de oferta, apostando em um cenário de preços ainda mais elevado para o cereal”, pontua. Molinari informa que, daqui para frente, a cada semana o mercado terá mais atenção à anomalia climática brasileira e ao desenvolvimento da safra de milho, que serão os principais indicadores de preço até fevereiro. “Além disso, caso haja perdas expressivas na safra sul-americana de verão 2014/15 a pressão sobre a safra 2015 dos Estados Unidos irá aumentar. Por enquanto, o consenso aponta para um maior plantio de soja, em detrimento do milho”.