Notícias da Argentina

 

PERSPECTIVA DE ALTA

O milho atravessa um cenário particular de alto investimento e baixo retorno, um problema sério na hora de planejar o futuro da atividade agrícola. No entanto, e pelo menos para a Argentina, alguns representantes do setor alertam para que o presente não seja confundido com um momento em médio prazo. Para o analista Salvador Di Stefano, o cereal ingressará em um cenário altista. “Esta não é uma afirmação exagerada ou aventureira. O milho tem um mecanismo de regulação de preços. Hoje, nos Estados Unidos, o quilo do novilho vale US$ 5,50, algo como 46,75 pesos na Argentina. Também no Brasil o quilo do novilho vem subindo. Quando o milho perde muito valor, o mercado acaba colocando um piso para o preço do grão pela intensa demanda das cadeias das carnes bovina, suína e de frango. Acredito que em março do ano que vem haverá ainda mais procura pelo cereal, com oferta ajustada. Por isso, daqui para frente, vejo o milho em alta”, conclui o analista.


ALTERNATIVA DE SEGURANÇA NO CAMPO

O silo bolsa é uma das ferramentas mais populares entre os produtores argentinos. A tecnologia é utilizada no país desde a década de 1990 como um valioso complemento da capacidade de armazenamento em instalações fixas. O silo bolsa tem capacidade flexível a um custo competitivo e é de fácil instalação. Em uma estrutura de 60 metros de largura e 2,74 metros de diâmetro é possível armazenar 200 toneladas de trigo, milho ou soja. Produtores concluíram que o silo bolsa pode manter a produção armazenada por mais de seis meses sem perda de qualidade. Há sete anos são armazenados, nessas estruturas, entre 35 e 40 milhões de toneladas ao ano, o equivalente a 40% da produção total.


VITRINE PARA A CARNE

O Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina participou em outubro da feira de alimentos mais importante do mundo, a Sial, em Paris, acompanhado de 22 empresas exportadoras. O estande foi centro de negócios, restaurante e ponto de referência para as autoridades nacionais e os representantes da cadeia da carne. Durante o evento, o instituto promoveu o Pavilhão do Bife Argentino, um espaço com 700 m2, onde as empresas exportadoras ofereceram seus produtos em boxes individuais e convidaram seus clientes a fazerem degustação de cortes tradicionais. O ritmo de negócios foi positivo e constante, com uma média de mais de 25 contatos diários por empresa com representantes da União Europeia e de países como Rússia, China e Israel.


TRIGO

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima uma produção 2014/2015 de 11,5 milhões de toneladas. O volume equivale a um incremento de 14% sobre a safra anterior, mas está bem distante dos índices históricos do país.


SOJA

Há uma grande polêmica sobre o plantio 2014/2015 da oleaginosa. Para alguns empresários, a área será inferior a 2013/2014. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires, no entanto, estima a área em 20,6 milhões de hectares, quase sem mudanças em comparação com o ano passado.


LEITE

Os valores pagos pelo leite não registraram grandes mudanças e se mantêm em US$ 0,36 o litro (dólar oficial) ou US$ 0,20 (dólar paralelo). O principal problema ainda é o alto grau de endividamento que afeta os produtores.


CARNE

No mês de outubro, o Índice do Novilho no Mercado de Liniers registrou uma baixa de 4%. Com essa queda, o preço do quilo do novilho jovem teve registros próximos a US$ 2 (dólar oficial) ou US$ 1,12 (dólar paralelo).


INDÚSTRIA PREOCUPADA

Os fabricantes de máquinas agrícolas da Argentina advertem que o modesto valor dos grãos vem impactando a rentabilidade dos produtores, o que é uma das principais razões para determinar as vendas entre 20% e 25% abaixo do normal. Para a venda de equipamentos agrícolas, é importante que o setor conte com linhas de crédito com taxas fixas, em pesos e com um prazo mínimo de pagamento de cinco anos. De fato o Banco da Nação Argentina está oferecendo linhas convenientes, no entanto, a indústria nacional vem perdendo competitividade e têm dificuldade para crescer em mercados externos. Esse cenário deve-se principalmente à alta nos custos e à disparidade do câmbio, que faz com que alguns insumos do setor tenham valor 50% mais altos na Argentina em comparação com outros países.