Agricultura Familiar

 

Santa Catarina desenvolve lideranças FEMININAS cooperativistas

Marcos Antonio Zordan, presidente da Ocesc/Sescoop

A mulher ocupa cargos de comando, de chefia, de coordenação e de assessoramento. Em Santa Catarina e no Brasil, elas estão presidindo cooperativas e conduzindo-as ao caminho do desenvolvimento com a tranquilidade de quem sabe que o sucesso advém da perseverança, da competência, do trabalho, da capacidade de aprender e da habilidade de adaptar-se às mudanças. Dirigentes e cooperados querem a permanente participação da mulher nas assembleias, nos comitês, nos grupos de estudo, nos cursos e treinamentos e nos quadros diretivos.

Isso é um resultado das mudanças do papel social e econômico da mulher que ganha cada vez mais expressão no Brasil contemporâneo, sendo inexorável que ela assuma atividades cada vez mais relevantes e ocupe cargos de maior complexidade. Isso foi possível porque os cooperativistas valorizaram o papel da mulher e criaram novas formas de participação, elevando a qualidade do relacionamento entre os quadros diretivos e a base cooperativada.

Nós da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) temos dado todo o apoio, o que tem surtido efeitos gratificantes. Falamos para elas que não adianta apenas querer ocupar espaço, mas sim se preparar para tal. E é isso que elas têm procurado fazer na sua grande maioria. Elas têm demonstrado cada vez mais interesse pelo cooperativismo e, com isso, quem ganha são as cooperativas pela forma de atuação das mulheres.

Entre as ações que desenvolvemos ao público feminino está o Programa Mulheres Cooperativistas, que teve início oficialmente neste ano, após formar duas turmas-piloto em 2013 – uma em Turvo e outra em Forquilhinha. Essa iniciativa visa promover a sustentabilidade da cooperativa e do cooperativismo, estimulando o desenvolvimento de atitudes, habilidades e competências necessárias à atuação feminina no quadro social cooperativista.

Destinado a cooperadas, esposas, filhas de cooperados e colaboradoras de cooperativas catarinenses de todos os ramos, o programa está estruturado em quatro etapas: preparação, lançamento, formação modular e implantação de núcleos femininos. A etapa de formação é composta por seis módulos de 16 horas cada e finalizada com a entrega dos certificados, totalizando uma carga horária de 98 horas. A duração média é de quatro meses, com periodicidade de duas aulas mensais, ministradas quinzenalmente de acordo com cronograma a ser definido juntamente com a cooperativa parceira do programa.

Uma das iniciativas da Ocesc para estimular a participação da mulher no cooperativismo é o bienal Encontro Estadual de Mulheres, como a recente edição, em Florianópolis

A proposta tem como principais eixos temáticos o cooperativismo, liderança cooperativista e protagonismo feminino, além da organização do quadro social. Sua metodologia tem como pressuposto a educação humanizada com foco na convivência em grupo e interação educador-aluno, tanto nos aspectos teóricos como no desenvolvimento de atividades práticas que permitem a vivência do cooperativismo de acordo com a real necessidade e o tipo de negócio de cada cooperativa.

Entre os resultados esperados pelo Mulheres Cooperativistas estão o maior envolvimento e participação das mulheres na cooperativa, com a projeção de potenciais cooperadas e lideranças cooperativistas, ampliação do comportamento empreendedor, maior fidelização da família associada com o fortalecimento da identidade cooperativista e a valorização da mulher.

Neste ano, o programa Mulheres Cooperativistas formou duas turmas em Santa Catarina. As solenidades oportunizaram a entrega dos certificados de conclusão da formação para as 24 participantes vinculadas à Cooper, de Blumenau, e às 35 mulheres da Cooperjuriti, em Massaranduba. As duas cerimônias marcaram a formação dos núcleos femininos e reuniram familiares, autoridades e convidados. Estão em andamento grupos em Jacinto Machado (Região Sul), onde participam cooperadas, colaboradoras, esposas e filhas de cooperados da Cooperja, e na Região Oeste, com a participação de mulheres vinculadas à Cooperalfa, em Quilombo, e ao grupo vinculado à Cooper A1, de Palmitos. Outra iniciativa que desenvolvemos para estimular a participação da mulher no cooperativismo é o Encontro Estadual de Mulheres, realizado a cada dois anos.


Encontro discute a família no cooperativismo

Com o tema Família, a Base das Sociedades Cooperativas, o 12º Encontro Estadual de Mulheres foi realizado em Florianópolis, e reuniu mais de 900 pessoas entre lideranças, cooperadas, esposas de cooperados e colaboradoras de cooperativas, além de autoridades políticas e representantes de entidades. Em seu discurso, Marcos Zordan, presidente do sistema Ocesc/Sescoop, instituição que proveu o evento, fez uma homenagem ao público feminino, destacando que a mulher deve ser amada, valorizada e respeitada todos os dias. “Esse é um momento especial, pois representa um estímulo a mais, para a maior participação feminina em nossas cooperativas”.

O secretário de Agricultura e Pesca de Santa Catarina, Airton Spies, falou sobre o papel da família, especialmente da mulher, no sucesso do cooperativismo catarinense que é considerado referência nacional. “Percebemos que homens de sucesso são aqueles que fizeram as melhores escolhas e, sem dúvida, a mulher tem papel fundamental nesse processo”. A vice-presidente da Ocesc/ Sescoop, Elizeth Pelegrini, lembrou que, como cooperativista, quer contribuir com o sistema. “A mulher sábia edifica a casa e, por isso, temos que levar essa sabedoria para dentro das cooperativas, visando auxiliar no processo de tomada de decisões. Que esse momento seja um start para que vocês tomem uma atitude... Que esse evento seja excelente e que essa excelência seja levada para as cooperativas”.

A coordenadora de promoção social do Sescoop/SC, Patricia Gonçalves de Souza, destacou que o público teve o privilégio de assistir a palestras de alto nível que aprofundaram temas como cooperativismo, saúde e qualidade de vida, educação familiar, mídias sociais, além de participar de atividades interativas que estimulam as habilidades de comunicação e promovem a integração. “Reunimos neste evento mulheres que representam 28 cooperativas do estado. Além de permitir o aperfeiçoamento do conhecimento, é uma oportunidade de cooperação, integração e estímulo à formação de líderes”.