Florestas

 

Amplo e qualificado mercado de TRABALHO

Thaís Gomes Carrazza, assessora técnica do Departamento de Educação Profissional e Promoção Social (DEPPS) do Senar, e Camila Soares Braga, assessora técnica da Comissão Nacional de Silvicultura e Agrossilvicultura da CNA

A expansão da cadeia produtiva da silvicultura no Brasil nos últimos anos justifica o grande aumento de treinamento de mão de obra desse setor. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) vem, desde 2011, dedicando grande parte do seu tempo na capacitação/atualização e especialização dos seus instrutores, por entender que o instrutor tem um papel fun- Igo Estrela/Senar damental na formação dos produtores e trabalhadores rurais. O instrutor é o mediador do conhecimento e da prática profissional junto aos participantes dos treinamentos. Geralmente, são profissionais multidisciplinares, como agrônomos, médicos veterinários, zootecnistas, técnicos agrícolas e outros profissionais, que passam por um processo de credenciamento, formação metodológica e supervisão.

Por meio do Programa de Capacitação Tecnológica de Instrutores e Técnicos, o Senar oferece aos instrutores e técnicos que atuam diretamente com o produtor rural uma atualização tecnológica nas mais diversas cadeias produtivas, de acordo com a demanda do setor e do mercado consumidor, e também de acordo com as áreas prioritáriA GRANJA | 53 as que o Sistema CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) vem atuando. Todo o conhecimento é transmitido por meio de videoaulas, fóruns, chats e outras ações interativas. O aluno pode estudar onde e quando quiser. Desde que cumpra a carga horária específica e conclua o curso no prazo estipulado e, ao final de cada etapa, ele recebe um diploma.

A capacitação de técnicos na área da silvicultura é extremamente importante para instruir os profissionais sobre as melhores técnicas de plantio, manejo florestal e comercialização dos produtos florestais. O programa de Capacitação da Silvicultura é composto por quatro cursos: Sistemas de Cultivo na Silvicultura e Projetos Florestais, Produção de Mudas e Manejo Produtivo na Silvicultura e Legislação, Relações de Trabalho e Certificação e Gestão do Empreendimento Florestal. O profissional interessado poderá se inscrever no portal EaD Senar, ead.senar.org.br. Além da Capacitação de Silvicultura, também estão sendo oferecidos cursos nas áreas de Heveicultura e Lavoura-Pecuária- Floresta.

O mercado — No Brasil, as florestas plantadas podem ser produzidas de forma convencional, aquela que cultiva apenas uma cultura florestal, ou em consórcio com outras espécies, que podem ser florestais e agrícola ou pecuária, nos chamados sistemas agroflorestais. O produtor rural deve prestar atenção nas características dos dois sistemas de plantio para optar por aquele que seja mais atrativo, de acordo com a sua região e possibilidades financeiras.

No sistema convencional, o retorno do investimento é a partir do sexto ano. Após o primeiro corte, a floresta é conduzida à rebrota, formando assim outra floresta, sem os custos inicias de plantio. Já no sistema agroflorestal, com a venda dos produtos da agricultura e pecuária, o produtor rural começa a obter lucro já no primeiro ou segundo ano, e posteriormente com a venda dos produtos florestais. Para que o produtor obtenha sucesso nos sistemas agroflorestais, deve atentar principalmente para as características das culturas plantadas, espaçamentos entre as culturas e manejo florestal para usos múltiplos.

De acordo com dados levantados pelo Projeto Campo Futuro da CNA, o custo total para a implantação de uma floresta de eucalipto convencional é de aproximadamente R$ 10.500/hectare. Com uma produtividade média de 38 m³/ ha/ano, o produtor, ao final de sete anos, obtém 266 m³ de madeira por hectare. Descontados todos os custos e vendendo a madeira por R$ 50/m³ em pé, cuja responsabilidade do corte e transporte das toras é da empresa compradora, o produtor obtém um lucro de R$ 2.500/ ha. A cultura é considerada um ótimo investimento com excelente retorno ao produtor. Vale ressaltar que a madeira pode ser destinada a outros fins, que poderão dar um retorno financeiro ainda maior.

“A capacitação de técnicos na área da silvicultura é extremamente importante para instruir os profissionais sobre as melhores técnicas de plantio, manejo e comercialização dos produtos florestais”, lembram Thaís (foto) e Camila

Antes de investir na atividade florestal, o produtor rural deve conhecer o mercado regional, para escolha da melhor espécie e finalidade de produção. Outro fator que influenciará no custo de produção é o transporte que poderá ser um limitante para essa atividade.

Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), o setor brasileiro de árvores plantadas empregou diretamente em 2013 cerca de 630 mil pessoas, crescimento de 1,6% em relação à quantidade empregada em 2012 (620 mil). Considerando os indicadores de multiplicação do modelo de geração de empregos do BNDES, estima-se que em 2013 o número de postos de trabalho gerados direta e indiretamente e pelo efeito renda da atividade florestal seja da ordem de 4,40 milhões, fazendo da silvicultura um mercado de trabalho com oportunidades crescentes.