Adubação

 

A NUTRIÇÃO vegetal do futuro

Mostra-se promissor o avanço que fertilizantes minerais, orgânicos e organominerais estão proporcionando na agricultura, associado ao conhecimento da fisiologia vegetal

Engenheiro agrônomo Franco Borsari, sóciodiretor da consultoria BBAgro Global, promotor do Fertishow – 1ª Exposição Nacional e Internacional da Indústria de Fertilizantes Especiais

Há 20 anos, quando iniciei meus trabalhos como engenheiro agrônomo, não existia celular nem Internet. As análises de solo eram enviadas pelo correio e demoravam de 20 a 30 dias para chegar ao seu destino. Telefonemas interurbanos eram caríssimos e a alta tecnologia era o fax. Os técnicos e vendedores das empresas de fertilizantes tinham que programar suas paradas em locais onde houvesse uma central telefônica que transmitisse seus documentos por fax e possibilitasse ligações para as empresas. Muita coisa mudou de lá para cá, mas nem nos meus sonhos mais futuristas, quando estudante do colégio agrícola e depois da Agronomia, poderia imaginar que um drone se tornaria uma ferramenta de apoio na nutrição vegetal.

Hoje em dia, é difícil encontrar uma região agrícola que não tenha um laboratório de análise moderno e equipado, que recebe as amostras com facilidade e envia os resultados de análise por email em um smarthphone em poucos dias. Isso possibilitou um grande avanço na interpretação e na tomada de decisão do que fazer com nossas lavouras antes que os problemas apareçam. A evolução da tecnologia avança em velocidade exponencial, com disputas para saber qual tecnologia proporciona o maior aumento de produtividade. Já existe soja transgênica, máquinas autodirigíveis, insetos predadores comercializados em caixinhas, mas o que mais me fascina é ver o quanto a tecnologia em nutrição vegetal avançou.

Durante a revolução verde, os fertilizantes minerais dominaram o mercado, com a grande oferta da indústria. Assistimos à grande evolução da produtividade agrícola, possibilitando desde o pequeno até o grande produtor melhorar seu rendimento, em substituição do fertilizante orgânico (esterco de curral ou restos vegetais). Os fertilizantes orgânicos, como a casca do café, o esterco de curral e o estrume de vacas ficaram como coisa do passado mais remoto, significando o antigo e o defasado. Mas como na vida, nada se cria, tudo se transforma, assistimos ao retorno dos fertilizantes orgânicos, na forma de fertilizantes organominerais.

Rede de pesquisa — A Embrapa criou uma rede de pesquisadores em fertilizantes, mesclada por jovens e velhos cientistas, para pensar nessa tendência e ajudar a indústria como aproveitar a infinita quantidade de resíduos orgânicos gerados pela agroindústria e pela atividade agrícola para otimizar o uso dos fertilizantes minerais. Mas o mais fascinante é ver o grande avanço que esses fertilizantes minerais, orgânicos e organominerais estão proporcionando na agricultura, associado ao conhecimento da fisiologia vegetal, criando uma espécie de ajuste fino na nutrição vegetal. Ao entender o efeito de cada nutriente e composto orgânico presente nos fertilizantes, estamos conseguindo aumentar o rendimento das lavouras auxiliando as plantas a enfrentarem o estresse abiótico cada vez mais presente na natureza.

É claro que a legislação não acompanha o ritmo do avanço tecnológico, mas o Ministério da Agricultura tem se esforçado para atender a demanda e adequar suas normas. Afinal, ser avesso a isso é caminhar para a exclusão tecnológica. Enquanto a nova geração nasce com o conceito da sustentabilidade, a atual geração adaptou-se à sustentabilidade, apesar das inúmeras dificuldades para colocar em prática esse conceito fundamental para o futuro da humanidade.

Estamos às vésperas de uma nova corrida tecnológica. Pelo menos uma dezena de empresas já investe em milhões de dólares em tecnologias para aumentar a eficiência dos fertilizantes, capazes de diminuir as perdas dos fertilizantes na atmosfera, no solo ou nas àguas que chegam aos lençóis freáticos. Com esse aumento de eficiência, a redução de doses prolonga as reservas minerais e eliminam a possibilidade de contaminação.

Atualmente fica até antiquado falar que um técnico ou vendedor que defende todas essas tecnologias é um “picareta” ou mágico. Na prática, o que estamos vendo é uma série de resultados práticos, que estão estimulando a ciência a explicar o porquê e o como tudo isto está acontecendo. Quando ouvimos termos como oligossacarídeos, glicina betaína, ácido húmico, ácido fúlvico, aminoácidos, quelatos, polímeros, etc., ficamos atentos e respeitamos, pois muito disso é a tendência atual dos agricultores de sucesso. O mais interessante é que toda esta tecnologia não tem preconceito, pois ela não escolhe o tamanho e a localização do agricultor. Estamos vendo desde os gigantes até os agricultores da agricultura de subsistência aderirem a essas tecnologias.

Borsari: empresas já investem milhões de dólares em tecnologias para aumentar a eficiência dos fertilizantes que são capazes de diminuir as perdas na atmosfera, no solo ou nas águas

A possibilidade de encurtar o ciclo da soja e permitir um segundo plantio no ano agrícola é a demonstração que a produtividade tem que ser vista na ótica da quantidade produzida por número de dias cultivados, e não só na produção por área, como fazemos até hoje. E isso também se deve ao grande avanço da nutrição moderna, associada a uma série de ferramentas tecnológicas criadas pelos homens comprometidos em alimentar o mundo, mas também em melhorar a renda do produtor.

De acordo com os diversos cientistas especialistas em nutrição vegetal presentes no XVI Congresso Mundial de Fertilizantes, realizado no Rio de Janeiro, em outubro passado, as tecnologias inovadoras na nutrição vegetal redefinirão a indústria global de fertilizantes. É tentador olhar de forma crítica para as previsões das novas tecnologias em nutrição vegetal. O desafio é prever quais interfaces e dispositivos terão sucesso e quais desaparecerão sem deixar rastro. Quem viver, verá!