Soja

 

Soja brasileira vai ganhar mercado global até 2024

Mesmo com um crescimento projetado aquém do registrado na última década, o agronegócio brasileiro seguirá com desempenho superior ao restante do mundo em relação às exportações e deve aumentar sua participação no mercado mundial em diversas culturas nos próximos dez anos. A avaliação é da equipe do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), responsável pela elaboração do Outlook 2024, que reúne diagnósticos e projeções para o setor na próxima década.

Segundo a nova versão do Outlook, atualizado a cada ano, as exportações brasileiras de soja devem crescer a uma taxa de 5,2% ao ano até 2024. Neste período, a oleaginosa brasileira responderá por 50% das exportações globais. Atualmente, o Brasil participa com 41%. “Quanto ao milho, fica a dúvida em relação ao seu desempenho exportador em um cenário menos favorável em termos de preços”, diz Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio da Fiesp. “O grão vem de anos favoráveis, aproveitando- se de janelas importantes, como a quebra de safra nos EUA, e ganhando espaço no mercado internacional. No entanto, em um momento de inflexão de preços, o custo logístico ganha ainda mais importância e castiga a competitividade da cultura”.

Açúcar, crise e exportações — O setor sucroenergético vivencia a pior crise de sua história, com o fechamento de mais de 60 usinas no Centro-Sul do País nos últimos anos, com um endividamento total do setor de R$ 66 bilhões em 2013. O cenário é explicado em grande parte por problemas climáticos, quebras de safra, adaptação à colheita mecanizada, mas especialmente pela incapacidade do setor de repassar aos preços do etanol os aumentos do custo de produção, em razão da política do Governo Federal para a gasolina. Além do prejuízo direto ao etanol, toda essa situação tem um grave efeito colateral no açúcar, pois causa um aumento significativo da produção do produto. Ainda assim, o relatório aponta para a perspectiva de um novo ciclo em 2015, com uma relação mais favorável entre oferta e demanda de açúcar, em meio a uma provável recuperação de preços. “As medidas do Governo em relação ao setor serão determinantes para os rumos deste segmento para os próximos anos”, avalia Costa.

O ambiente de forte preocupação é reforçado pelos números. Entre a safra 2009/10 e 2012/13, a redução no consumo do etanol hidratado foi de 5,5 bilhões de litros. “O problema é que esse etanol que deixa de ser consumido vira açúcar nas usinas, o que deprime os preços internacionais do produto. A conta é simples: esse volume a menos no consumo do combustível representou cerca de 5,6 milhões de toneladas a mais na oferta de açúcar. Para se ter uma ideia de grandeza, isso significa 83% do volume exportado pela Tailândia em 2012/13, segundo exportador mundial. Isso configura uma situação insustentável”.