Glauber em Campo

 

DIRETO AO PONTO, AS PERGUNTAS CERTAS PARA QUEM DECIDE

GLAUBER SILVEIRA

Estreou pelo Canal Rural o programa Direto ao Ponto, que estou conduzindo como entrevistador, pois entendi ser uma oportunidade de se perguntar às principais lideranças do setor produtivo e de outros setores suas opiniões sobre os diversos assuntos que fazem parte do dia a dia da produção brasileira. A proposta é ir “direto ao ponto” nas questões mais polêmicas e relevantes que envolvem o setor. A atração vai ao ar todos os domingos, às 20h30 de Brasília.

A proposta é discutir diretamente assuntos ligados ao desenvolvimento do agronegócio no Brasil com convidados que são referências e realmente possam acrescentar conhecimento e informações aos debates. O objetivo é encontrar soluções para temas polêmicos como os registros de defensivos, biotecnologia, rotulação de produtos, gargalos de infraestrutura e logística, entre outros.

Claro que o desafio é enorme. Afinal, estimular o debate não é tarefa fácil, seja com aqueles que defendem o agronegócio ou com aqueles que são tidos como “inimigos”. Sem sombra de dúvida as perguntas certas a pessoas que têm sido muito críticas ao nosso setor tendem a ser uma forma de entender o que pensam e como pensam. É fundamental em uma batalha se conhecer muito bem quem enfrentaremos. Buscaremos o conhecimento, assim como os artigos desta revista, que têm uma contribuição ímpar ao produtor.

Na estreia, o programa recebeu o ministro da Agricultura, Neri Geller, que falou sobre a atuação do Governo na questão indígena. “O Congresso precisa se movimentar e votar uma mudança na legislação. É preciso ter mais clareza aos processos de demarcações de terras", disse ele. Assim como o ministro, outros entrevistados como os deputados Alceu Moreira (PMDB/RS) e Luis Carlos Heinze (PP/RS) falaram das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que acabaram com as ampliações de terras indígenas e com as demarcações baseadas na ocupação imemorial.

Nas entrevistas, foram colocados à tona diversos assuntos importantes e que estão em pauta. Um deles foi o emplacamento de máquinas agrícolas, o que, é claro, penalizaria em muito a produção. Imaginem pagar 3% ao ano sobre o valor das máquinas de IPVA, mais toda a burocracia de documentação e placas. Fica clara a intenção do Governo em arrecadar a todo o custo. E mais uma vez o produtor pagando a conta da má gestão da máquina pública. Sem dúvida a Frente Parlamentar da Agropecuária terá um trabalho fundamental em não deixar que essa lei prospere.

O deputado Nilson Leitão (PSDB/ MT) falou sobre a questão trabalhista, do importante avanço que tivemos no PLS nº 432/2013, que dispõe sobre a expropriação das propriedades rurais e urbanas onde se localize a exploração de trabalho escravo. O relator rejeitou as emendas de plenário que incluíam jornada exaustiva e condições degradantes no conceito de trabalho escravo.

Esta era uma questão muito importante, principalmente pelo fato da designação de “degradante” ser muito subjetiva e depender muito da interpretação do fiscal. Sendo assim, felizmente foi considerada pelo relator senador Romero Jucá como irregularidade trabalhista, não podendo dessa forma ser punida como trabalho escravo, que tem como punição a expropriação do bem.

Foi mantida a definição no projeto, aquilo que o setor produtivo concordava, que considera o trabalho escravo a submissão a trabalho forçado, sob ameaça de punição, com uso de coação ou com restrição da liberdade pessoal, e também a retenção no local de trabalho sob a vigilância ostensiva e apropriação de documentos do trabalhador, e a restrição da locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou representante.

Como podem ver, neste programa teremos um espaço para discutir os temas, e também esclarecer os produtores e todos que assistirem, assim como este espaço na revista A Granja, no qual procuro trazer sempre o ponto de vista voltado à realidade da produção brasileira. Com isto, temos mais um canal de comunicação em que espero contribuir. Conto com apoio, críticas e contribuições que serão sempre bem-vindas.

Presidente da Câmara Setorial da Soja, diretor da Aprosoja e produtor rural em Campos de Júlio/MT