Notícias da Argentina

SOJA: UMA PEQUENA ESPERANÇA EM RELAÇÃO AOS PREÇOS

As contas estão complicadas para o produtor de soja na América do Sul. Mas para o analista Iván Barbero, existe uma luz de esperança. Os números das exportações de soja dos Estados Unidos mostram que o Departamento de Agricultura (Usda) provavelmente subestimou a demanda pela oleaginosa. Deixando de lado os dois últimos anos, a média de erro do Usda para oito temporadas em relação aos volumes realmente embarcados pelo país foi de quatro milhões de toneladas. Esse fato, conclui o analista, indica que os números projetados para os estoques finais podem mudar. Barbero acredita, com base na produção e demanda doméstica dos Estados Unidos, que os estoques finais do país, em vez de somarem quase 13 milhões de toneladas, devem ficar abaixo de 9 milhões de toneladas, com uma relação de estoque/consumo que não chegaria a 9%. O cálculo deixa margem para a possibilidade de melhoria nos preços da soja ao longo dos próximos meses.

TECNOLOGIA PARA CANA-DE-AÇÚCAR

Especialistas do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta) desenvolveram um protótipo que simplifica as tarefas de preparo na cana-de-açúcar a partir de um sistema de plantio direto em faixas. O equipamento, que está passando por fase de testes, evita o avanço da degradação do solo e diminui o consumo de combustível, o que pode significar uma economia anual de 33,5 milhões de pesos argentinos, segundo cálculo dos técnicos. “Trata-se de uma máquina voltada para um manejo alternativo rentável para os produtores e benéfica para o solo, porque o processo de conservação é uma questão econômica e que nos causa grande preocupação”, disse Omar Tesouro, pesquisador do Inta.

POSSIBILIDADES COM A COTA 481

O tema foi abordado por Ignacio Iriarte, conhecido analista do mercado pecuário argentino, durante um evento especializado em Buenos Aires. Ele destacou a recente aprovação da Cota 481, por meio da qual a Argentina poderá exportar cortes de alto valor para a União Europeia sem as tarifas que atualmente contemplam a Cota Hilton, por exemplo. “Além disso, é bastante provável que nossa carne volte a ser comercializada para os Estados Unidos antes do fim do ano”, salientou Iriarte, lembrando das possibilidades que o setor também têm na Rússia e, principalmente, na China. “No mercado internacional, e enquanto o restante das commodities têm seus preços em queda, o valor da carne segue em alta”, mencionou o analista. “O mundo cada vez produz menos e quer mais carne bovina. A questão chave para esse momento na pecuária argentina é conseguir somar quilos aos animais que hoje estão indo para o abate com menos de um ano de idade”, sentenciou, referindo-se à necessidade de incrementar a produtividade dos rebanhos.

TRIGO

Devido às inundações na província de Buenos Aires, analistas privados já falam de um volume de trigo que não superaria 10 milhões de toneladas. A possibilidade de exportação do cereal continua dependente de definições do Governo.

SOJA

No início do plantio da nova safra, a estimativa é de que a produção argentina ficará próxima aos níveis do ano passado. Muitos, no entanto, não acreditam nessa projeção e advertem que a área pode ser menor em função dos baixos preços do grão.

LEITE

A cadeia leiteira não tem grandes novidades, com seus preços condicionados pelo Governo. O produtor está recebendo pelo litro US$ 0,357 (dólar oficial) ou US$ 0,190 (dólar paralelo).

CARNE

Os valores pagos melhoraram, mas as margens dos pecuaristas ainda são baixas. Os preços do novilho precoce estão em US$ 2,02 o quilo (dólar oficial) e US$ 1,06 o quilo (dólar paralelo).