Agribusiness

TRIGO
POLÍTICA DO MAPA VISA À AUTOSSUFICIÊNCIA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A política do Ministério da Agricultura (Mapa) para o trigo visa, no longo prazo, alcançar a autossuficiência do setor. A afirmação foi feita pelo secretário de Política Agrícola do Mapa, Seneri Paludo. Para atingir esse objetivo, o Ministério quer fortalecer três pontos. O primeiro é o aumento nos investimentos em infraestrutura e logística, com a regulamentação da lei de cabotagem, dando competitividade ao trigo nacional, e com a construção de armazéns. “A cabotagem é mais urgente, mas não será resolvida de uma hora para outra, pois independe exclusivamente da vontade do Mapa”, observou.

Outro ponto que merece a atenção do Governo é o desenvolvimento de novas variedades que viabilizem a produção do trigo no Centro-Oeste. “A produção nacional se concentra na Região Sul. Mas para ser autossuficiente, o trigo precisará evoluir para o Centro-Oeste”, acrescentou o secretário. Completando o cenário para expansão da produção do cereal, Paludo incluiu a manutenção dos programas para garantir a comercialização, analisando um preço mínimo que garanta a rentabilidade do setor. “Alcançando esses três pontos, começaremos a iniciar a obtenção da autossuficiência do setor”, disse.

O secretário afirmou ainda que o Ministério trabalha também em três pontos no que diz respeito à política agrícola. Recursos para crédito e investimentos, através o Plano Safra; subvenção ao seguro rural e os programas de auxílio à comercialização. Em relação ao seguro rural, Paludo destacou que a ideia é migrar de um seguro de safra para um seguro de garantia de renda, a exemplo do que ocorre em outros países, como os Estados Unidos. Nos últimos cinco anos, os recursos para o seguro pularam de R$ 100 milhões para R$ 700 milhões, sendo R$ 80 milhões para o trigo.


ARROZ
PREÇO SEGUE PRÓXIMO À ESTABILIDADE NO MERCADO GAÚCHO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O preço do arroz gaúcho – principal referencial nacional – manteve a tendência de estabilidade ao final da terceira semana de outubro. A saca de 50 quilos valia R$ 36,20 no dia 16, ante R$ 36,15 na semana anterior. Confrontada com igual período de setembro – R$ 36,17 –, a elevação era de apenas 0,1%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, alta de 7,6%, quando o valor registrado era de R$ 33,64.

Durante o sétimo mês do ano comercial referente ao setor rizicultor, que se estende entre março de 2014 até fevereiro de 2015, o saldo da balança comercial tornou-se negativo, gerando o primeiro déficit do ano na balança comercial do âmbito arrozeiro. O déficit atingiu cerca de 23,95 mil toneladas (base casca). A queda nas exportações deve-se, principalmente, a um cenário com as cotações em alta no mercado interno, além das vendas da Argentina e do Uruguai para o Oriente Médio. No entanto, já era esperada uma maior dificuldade nas comercializações externas no mês de setembro.

Referente ao déficit, é verificada uma queda tanto em relação a agosto como em julho, que respectivamente tiveram um saldo positivo de 20.592 e 10.300 toneladas do cereal. No mês de setembro foi importado um total de 86.049 toneladas base casca. Se comparado com o mesmo período do ano passado, há uma leve alta de 0,5%. Já em relação ao mês anterior, uma alta expressiva de 45,7%, quando somou 59.051 toneladas. Em relação às exportações, uma queda no total vendido em relação ao mês de agosto, saindo de 79.644 para 62.090 em setembro.


SOJA
USDA ELEVA ESTIMATIVA DE SAFRA E REDUZ ESTOQUES AMERICANOS

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) indicou elevação nas estimativas de safra e redução na previsão de estoques finais americanos de soja em 2014/15. O Usda reduziu a sua estimativa para o carryover em 2013/14. A safra norteamericana está agora estimada em 3,927 bilhões de bushels, contra 3,913 bilhões no relatório de setembro. Os estoques passaram de 475 milhões para 450 milhões de bushels.

O mercado esperava números de 3,977 bilhões e 478 milhões, respectivamente. As exportações foram mantidas em 1,7 bilhão de bushels e o esmagamento seguiu em 1,770 bilhão. Para a safra 2013/14, o Departamento reduziu a expectativa de estoques de 130 milhões para 92 milhões de bushels.

Se confirmada, a produção americana será a maior da história, equivalente a 106,9, milhões de toneladas. A previsão do Usda ficou abaixo da expectativa do mercado e provocou reação dos preços logo após a divulgação do relatório em Chicago. O Usda indicou elevação nos estoques finais de soja mundiais na temporada 2014/15. A previsão do Usda é de estoques de 90,67 milhões de toneladas, contra 90,17 milhões de setembro. Segundo o Usda, para a safra 2014/15, a produção mundial deverá ficar em 311,2 milhões de toneladas, contra 311,13 milhões de setembro. O Usda trabalha com safra americana de 106,9 milhões de toneladas. O Brasil deverá produzir 94 milhões de toneladas, e a Argentina, 55 milhões, sem alteração na comparação com as estimativas anteriores.

Para a China, principal comprador mundial, a expectativa é de uma safra de 11,8 milhões e de importações de 74 milhões de toneladas. Em setembro, os números eram de 12 milhões e 74 milhões. Em relação à temporada 2013/14, o Usda indicou produção de 285,01 milhões de toneladas e estoques finais de 66,49 milhões de toneladas. A safra americana está projetada em 91,39 milhões de toneladas.


ALGODÃO
PREÇO CAI EM NY, MAS DÓLAR SEGURA COTAÇÃO NO BRASIL

Rodrigo Ramos - [email protected]

A indicação de preço no CIF de São Paulo ao final da terceira semana de outubro ficou em R$ 1,65 por libra-peso, ante R$ 1,66 na semana anterior. Enquanto a queda dos preços em Nova York influenciava negativamente, a firmeza do dólar no Brasil limitava as perdas da cotação. Em relação a igual período do mês passado (R$ 1,68), baixa de 1,79%. Frente ao ano passado – R$ 2,13 –, a queda era de 22,54%. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgou o relatório de outubro de oferta e demanda mundial de algodão para a safra 2014/15. Estimou a produção global de algodão em 119,37 milhões de fardos, ante os 118,01 milhões no mês passado.

As exportações globais foram estimadas em 34,40 milhões de fardos para 2014/15, ante 35,18 milhões no mês passado. A estimativa para o consumo mundial é de 113,68 milhões de fardos, ante 112,12 milhões de fardos indicados no mês anterior. Os estoques finais foram projetados em 107,11 milhões de fardos, ante 106,29 milhões projetados no relatório passado. A expectativa é que a China colha 30,5 milhões de fardos na temporada 2014/15, ante a previsão de 29,5 milhões no mês anterior. A produção do Paquistão para 2014/15 foi prevista em 9,8 milhões de fardos, ante a estimativa de 9,5 milhões no mês anterior. O Brasil tem safra estimada em 7 milhões de fardos, ante 7,3 milhões previstos anteriormente. A produção indiana deve chegar a 31 milhões de fardos, ante 30 milhões estimados no mês anterior. Os americanos deverão colher 16,26 milhões de fardos, ante 16,54 milhões no relatório passado.


MILHO
PREÇO INTERNO MELHORA UM POUCO COM ATRASO DO PLANTIO DE VERÃO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho aproxima- se de novembro sinalizando um quadro interno de preços um pouco mais favorável se comparado aos últimos meses. Apesar da expectativa de uma safra recorde nos EUA e dos baixos preços no cenário mundial, o atraso observado até agora no plantio da safra verão vem contribuindo para um quadro especulativo nas cotações. O analista de Safras Paulo Molinari ressalta que o plantio está normal no Sul, o que não ocorre no Centro- Oeste e no Sudeste. Nessas regiões, a estiagem e as temperaturas elevadas impossibilitaram a continuidade da semeadura em outubro. “Este cenário configura um atraso no plantio de verão e uma colheita mais tardia, mas acaba gerando um ambiente especulativo, a partir da possibilidade de uma entressafra mais prolongada que o normal na virada do ano comercial”, avalia.

Molinari afirma que se não chover nas próximas semanas no Centro-Oeste e Sudeste, haverá uma necessidade de maior oferta de milho da safra velha para atender os interesses dessas regiões, o que pode contribuir para uma recuperação dos preços do milho. O analista destaca que o clima em novembro será importante para as definições da safrinha. “Nos últimos anos, muitos produtores vêm tentando plantar a soja cada vez mais cedo para cultivar o milho segunda safra entre os meses de janeiro e fevereiro. Isso reduz os riscos climáticos, mas exige uma plena condição de plantio da soja. Algumas localidades do MT e GO, que adotam esse modelo de semeadura, já podem estar fora da sua programação normal”, comenta. Se o cultivo da oleaginosa for realizado nos próximos 20 dias, não haverá problemas graves para a safrinha de milho. Do contrário, grande parte da janela de plantio da segunda safra estará perdida.


CAFÉ
MERCADO DE CLIMA GERA ALTOS E BAIXOS EM OUTUBRO

Lessandro Carvalho - [email protected]

O “mercado de clima” agiu com muita força no café ao longo de outubro. Os problemas que os produtores vão enfrentando com o clima seco em 2014 chegaram ao período de floradas, entre setembro e outubro, principalmente, que vão resultar na safra 2015, colhida a partir de maio. E a falta de umidade em plena época de floradas e pós-floradas inevitavelmente gera perdas produtivas. O Brasil teve uma grande quebra de safra em 2014, em função da estiagem de janeiro e fevereiro. E isso vai gerar reflexos também em 2015, o mercado já sabia dessa situação. O cenário agravou- se com a escassez de precipitações neste segundo semestre do ano, e os comentários são de que os prejuízos para 2015 se estenderão. Naturalmente, a Bolsa de Nova York, que baliza as cotações internacionais do café, refletiu esses temores e os preços subiram de forma acentuada na primeira metade do mês, atingindo as cotações mais elevadas em dois anos e meio.

Na alta, NY chegou a superar a faixa de US$ 2,25 a libra-peso. Mas, com toda a volatilidade que envolve a bolsa de NY, bastaram vir previsões de retorno de chuvas para o fim de outubro que as cotações tombaram. Em 21 de outubro (data deste texto), NY fechou para dezembro a 199,60 centavos de dólar por libra-peso, abaixo, portanto, da importante linha psicológica de US$ 2 a libra-peso. As incertezas em torno da próxima safra devem continuar determinando turbulência no mercado de café no curto no médio prazos, o que é típico do “mercado de clima”.

No Brasil, durante a alta, os preços superaram os R$ 520 a saca de 60 quilos para os arábicas de melhor qualidade, e os produtores aproveitaram o momento para vender mais, fazendo o recomendado pelos analistas. Com a queda, o mercado chegou ao último terço de outubro com a cotação retrocedendo nesses cafés para a faixa de R$ 480. A Organização Internacional do Café (OIC) indica que a produção mundial de café em 2013/14 (outubro/setembro) ficou em 145,205 milhões de sacas, tendo assim um incremento de apenas 0,1%, ou 205 mil sacas no comparativo com 2012/13, quando a safra global foi indicada em 145,003 milhões de sacas. Já o consumo continua crescendo em termos mundiais, com a demanda total para 2013/ 14 atingindo 145,8 milhões de sacas, alta de 2,1% em comparação às 142,3 milhões de sacas de 2012/13.