Na Hora H

AS ELEIÇÕES APROXIMAM-SE E OS PRODUTORES SÃO CHAMADOS A OPINAR

ALYSSON PAOLINELLI

Como venho dizendo, permanente e insistentemente, o setor produtivo rural adquiriu nestes últimos anos uma reconhecida força pela sua importante posição no equacionamento dos problemas econômicos brasileiros. Ninguém mais duvida que, se não fosse a competência e a capacidade competitiva do setor rural brasileiro, o país e sua economia estariam fortemente debilitados face às constantes crises internacionais pelas quais passamos nos dias de hoje. Daí a relevância que os candidatos estão dando ao setor rural brasileiro, procurando conhecer e analisar seus programas e suas reivindicações.

extremamente interessante esta nova postura, pois estamos na maioria das vezes até assustados com as novas posições, promessas e insistentes afirmações de que serão capazes de resolver todos os principais problemas que lhes são apresentados, em uma quase angelical posição de que esses problemas não eram sentidos antes, e que as suas posições, estranhamente antagônicas na maioria das vezes, nos colocam como inocentes ou incrédulos de tais mudanças. São Tomé foi o apóstolo de Cristo que mais duvidou dos milagres. Para ele, sempre foi necessária a confirmação do milagre. Será que não estamos hoje nos esquecendo das atitudes que São Tomé deixou aos cristãos para não sermos enganados com as aparências de certos milagres que andam sendo prometidos em praças públicas, em seminários e reuniões de avaliação?

Não seria mais lógico que nos dispuséssemos a pedir as provas dos milagres prometidos, pois na maioria das vezes o que estamos de fato vendo são mudanças de comportamento na busca da preferência de quem hoje sustenta a economia desse país? Creio que não é tão difícil ser hoje um São Tomé com relação aos milagres que vêm acontecendo e sendo prometidos. Afinal, todos os candidatos exerceram ou exercem cargos políticos recentes, o que nos permite comprovar se o que estão prometendo hoje não seja tão diferente do que fizeram ontem.

A nossa produção agropecuária nunca deve ter sido surpresa para ninguém. Todos, quaisquer que sejam sua função nesta terra brasileira, sabem que o país vai produzir ou já está produzindo cerca de 200 milhões de toneladas de grãos, que não só são suficientes para abastecer os 202 milhões de habitantes que aqui vivem,como também há outros tantos milhões que lá de fora dependem desses nossos produtos. Não podemos afirmar que esta era uma situação imprevista. Todos devem saber também que não só a população do mundo crescerá até 2050 e que principalmente pelo aumento da renda familiar nos países populosos a demanda por alimentos será praticamente dobrada em relação àquela que se tem hoje.

Todos também sabem que após a década de 1970, quando o Brasil descobriu a primeira agricultura tropical desenvolvida e competitiva, caberá indiscutivelmente a ele a responsabilidade maior no novo abastecimento mundial. Para isso, temos de aprender a usar e manejar todos os nossos biomas tropicais para permitir que deles se extraiam com competência e sem degradar os seus recursos naturais (solo, água, planta, animais e clima), e daí extrair os alimentos e a energia renovável que o mundo necessita. Fica fácil dentro deste conceito que os produtores possam analisar corretamente os candidatos hoje existentes qual aquele que comprovadamente possa levar avante essa empreitada nacional. É bom que sejamos bem mais São Tomé do que estamos sendo hoje.

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura