Expointer

FEIRA reflete o momento do mercado

Realizada entre 30 de agosto e 7 de setembro em Esteio/RS, mostra registrou recuo na comercialização de animais e máquinas agrícolas

Os resultados da 37ª edição da Expointer foram comemorados pelos organizadores da feira, mesmo que o volume de negócios tenha ficado abaixo do que foi registrado no ano passado. Realizada entre 30 de agosto e 7 de setembro no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio/RS, a tradicional mostra agropecuária recebeu um público visitante de mais de 500 mil pessoas.

A comercialização e as propostas de compras de máquinas e implementos agrícolas somaram R$ 2,713 bilhões, uma redução de 17% em comparação com 2013. As vendas de animais tiveram um recuo de 23%, alcançando R$ 12,419 milhões. No total, considerando também as vendas nos pavilhões da agricultura familiar e do artesanato, a feira registrou negócios de R$ 2,729 bilhões, uma queda de 17% em relação ao ano passado. O Pavilhão da Agricultura Familiar comercializou quase R$ 2 milhões em 200 estandes, o que representa um incremento de cerca de 30% sobre 2013.

O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, considera que o recuo nas vendas não tira o brilho da Expointer. “Os números estão de acordo com a realidade do mercado. Não viemos para a feira na ânsia de bater recordes, mas de fecharmos negócios com preços justos e adequados ao momento”, destaca.

O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Claudio Fioreze, também faz uma avaliação positiva. “O número é espetacular. O agronegócio não vive crise, ao contrário, continua crescendo. É um número da celebração da estabilidade”, salienta.

A assessoria econômica da Farsul aponta os vultosos investimentos realizados nos últimos dois anos pelos produtores, a alta nos custos de produção com tendência de queda de preço das commodities e o ambiente macroeconômico negativo para justificar a redução na venda de máquinas. Os números do mercado nacional também justificam o comportamento dos produtores, já que no primeiro semestre deste ano a redução nas vendas foi de 20%.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier, comparado à edição retrasada, o balanço atual ainda é positivo. “A questão é que o ano passado foi atípico. Uma série de fatores facilitou a antecipação dos negócios. E mesmo assim, nesta edição superamos em 34% o ano de 2012”, cita.

Mais uma grande safra – Se as estimativas se confirmarem, o Rio Grande do Sul está a caminho de uma terceira safra recorde em 2014/2015. Durante projeção divulgada na Expointer, a Emater/RS mostrou que os produtores gaúchos devem incrementar em 1,49% a área plantada no próximo ciclo, em um total de 7,187 milhões de hectares. A expectativa para a produção é de 27,65 milhões de toneladas, um aumento de 2,8% em comparação com a safra histórica do ano anterior.

Os fatores determinantes para esse aumento na área e na produção podem ser explicados, conforme o presidente da Emater/RS, Lino De David, pela capitalização dos agricultores devido aos excelentes resultados obtidos nas duas últimas safras – o que permitiu um maior investimento neste ano - e ao maior acesso às políticas públicas e ao crédito.

Investimento para crescer - Depois de dois anos sem visitar a feira, o produtor Rogério Luiz Richter e a esposa Adriana de Lima Richter voltaram à Expointer para conferir de perto as novidades em máquinas e analisar a compra de um trator e de um pulverizador. Na propriedade de 900 hectares em Capão do Cipó/RS, o casal tem criação de gado e cultiva soja no verão e trigo e aveia no inverno. “Também estamos vendo os equipamentos para irrigação. Pretendemos, depois da implantação de uma área com pivô central, cultivar milho no verão”, conta Richter, que planeja colocar em prática esse projeto em 2016.

Com uma produtividade em torno de 50 sacas de soja por hectare, o produtor diz que é preciso investir para continuar ampliando os índices de rendimento na lavoura. “Isso é ainda mais importante em momentos como agora, em que enfrentamos o recuo nos preços dos grãos”, conclui. Richter lembra que, no ano passado, a saca de soja valia cerca de R$ 70 na sua região, o que resultou em uma rentabilidade de 35% na safra. “Agora, os preços estão em torno de R$ 56. Se permanecer assim, teremos margens por volta de 15% no próximo ciclo”, relata.

Rogério Richter e a esposa Adriana: ida à feira para conferir as novidades em máquinas e em equipamentos para irrigação