Notícias da Argentina

TRIGO: IMPORTANTES PERDAS

Quase no final do mês de agosto, o Centro e o Sudeste de Buenos Aires, que abrigam 18% da superfície plantada com trigo no país, sofreram com chuvas abundantes. O grande volume acumulado de água em pouco tempo provocou alagamentos em boa parte da região. A perda potencial de lotes por excessos hídricos é muito elevada. Analistas estimam que as intensas chuvas afetaram em torno de 10% da área cultivada, e a projeção é de que a produção possa cair cerca de 200 mil toneladas.


VENDAS ESTAGNADAS

O valor internacional da soja volta a trazer dor de cabeça para os produtores argentinos. No final de agosto, a posição maio no Mercado a Término de Buenos Aires (Matba) estava em US$ 255 a tonelada, um valor que não era registrado desde a crise de 2009. O retrocesso atual coloca pressão sobre o próximo plantio e faz com que as estimativas preliminares indiquem uma redução de US$ 3 bilhões para o valor da safra 2014/2015. Da mesma forma, o milho vem perdendo mais que 25% do seu valor, com preços em torno de US$ 120, um piso semelhante ao visto em 2007 e 2009. Com esse cenário de preços, dificilmente são registradas vendas antecipadas por parte do produtor.


NOVIDADE PARA A APICULTURA

Uma das maiores ameaças para a atividade apícola mundial é o ácaro varroa, um parasita que afeta a sanidade e a sobrevivência das abelhas. Com o objetivo de evitar o uso de produtos químicos que podem prejudicar o meio ambiente, pesquisadores do programa Cambio Rural, do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), desenvolveram um acaricida orgânico chamado “Aluen CAP”. Elián Tourn, técnico do Inta, destaca as propriedades dessa formulação orgânica, dizendo que tem eficiência de 95% em uma só aplicação e baixo custo. Segundo ele, o produto, de origem natural, não contamina o mel, não tem restrições ambientais e não gera resistência.


TRIGO

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires manteve a estimativa para o plantio do cereal em uma superfície em torno de 4,1 milhões de hectares. Agora serão analisadas as perdas geradas pelas chuvas para que seja recalculada a produção esperada.


SOJA

As primeiras estimativas de consultorias privadas indicam que a Argentina deverá obter, no ciclo agrícola 2014/2015, uma produção similar à registrada na última temporada, em torno de 55 milhões de toneladas.


LEITE

Graças à intervenção do governo, os preços do leite mantêm-se abaixo do considerado justo pelos produtores. O litro vale US$ 0,36 no dólar oficial e US$ 0,21 no dólar paralelo.


CARNE

Os preços do novilho jovem (categoria com peso entre 350 e 390 quilos) valem US$ 2,32 o quilo pelo dólar oficial e US$ 1,36 o quilo pelo dólar paralelo. O setor inicia uma fase de retenção de gado.


RESTRIÇÕES PARA CARNE E LEITE

Depois das limitações das exportações de carne bovina, agora é a vez das dúvidas a respeito das vendas ao exterior de leite em pó e outros derivados lácteos. A Secretaria de Comércio defende- se assegurando que trabalha com todos os atores da cadeia (de produção e comercialização) de carne e leite pela possibilidade de exportar os excedentes “sem colocar em risco o abastecimento da mesa dos argentinos”. No entanto, é nessa última expressão que está a chave da questão. O secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Carne, Silvio Etchehun, reclama que “50% da indústria da carne está paralisada”, e questiona o encerramento temporário das exportações ordenado pelo Ministério da Economia. “Como consequência desta medida, mais frigoríficos serão paralisados, haverá mais demissões, e o preço da carne bovina vai subir”, projeta Etchehun.