Agribusiness

TRIGO BRASIL DEVE COLHER RECORDE DE 8 MILHÕES DE TONELADAS

O mercado doméstico de trigo segue em ritmo lento. Os vendedores estão reticentes em negociar a patamares inferiores aos mínimos referenciados pelo Governo. As indústrias também não têm pressa nas aquisições, pois a safra nacional segue em boas condições e deve fechar com um recorde de produção. No Paraná, os últimos reportes oscilaram entre R$ 530 e R$ 550 a tonelada. No Rio Grande do Sul, entre R$ 460 e R$ 480. De acordo com Safras & Mercado, o montante a ser colhido no país será de 7,845 milhões de toneladas, o maior da história. Com os estoques de passagem de 1,825 milhão de toneladas e estimando-se que o Brasil importe 5,5 milhões de toneladas, a oferta total de trigo no país será de 15,170 milhões de toneladas. O consumo (humano, ração e semente) é projetado em 11,7 milhões de toneladas. Ou seja, a oferta supera a demanda em 3,47 milhões de toneladas. Para reduzir parte desses estoques, será necessária a intervenção do Governo. O relatório de oferta e demanda mundial de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) trouxe novos números para a safra 2014/15 de trigo mundial, estimada em 719,95 milhões de toneladas, acima das 716,09 milhões de toneladas indicadas em agosto, e das 714,07 milhões da temporada anterior. Os estoques finais mundiais em 2014/15 estão estimados em 196,38 milhões de toneladas, contra 192,96 milhões em agosto e 186,45 milhões 2013/14. O consumo global está estimado em 710,01 milhões de toneladas, contra 706,79 milhões em agosto e 703,2 milhões em 2013/14.


ARROZ MERCADO GAÚCHO MANTÉM PREÇOS FIRMES

O mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional, manteve cotações firmes ao final da terceira semana de setembro, reflexo do período de entressafra. O preço médio da saca de 50 quilos no estado valia R$ 36,18 no dia 18, o que corresponde a uma variação semanal positiva de 0,1%. Em comparação com o mês anterior, de R$ 35,58, a alta é de 1,7%. Referente ao mesmo período do ano passado, quando valia R$ 34,13, é observada uma elevação de 6%. Durante o sexto mês do ano comercial (março de 2014 a fevereiro de 2015), o saldo da balança comercial continuou positivo, com um superávit de cerca de 20.500 toneladas base casca. Com isso, é registrado um aumento em relação a julho, mas um decréscimo em comparação a junho, que, respectivamente, tiveram um saldo positivo de 10.300 e 22.600 toneladas.

O arroz beneficiado obteve uma queda na importação, de 39.782 em julho para 34.022 toneladas em agosto. Enquanto isso, o descascado também teve uma retração nas suas importações, chegando a 20.629 toneladas. Isso representa uma queda de em torno de 30% ante o mês anterior, em que foram importadas 29.348 toneladas. Referente à importação do descascado e do beneficiado, o Brasil continua tendo como principal fornecedor o Paraguai, seguido da Argentina e do Uruguai. As exportações em casca durante agosto tiveram acréscimo ante julho, de 27.227 para 31.500 toneladas. O principal destino continua sendo a América, seguido pela África e pela Europa. As informações constam na publicação semanal de Safras & Mercado, elaborada pelo analista João Giménez Nogueira.


SOJA BRASIL DEVERÁ PRODUZIR 95,9 MILHÕES DE SACAS EM 2014/15

A produção brasileira de soja em 2014/ 15 deverá totalizar 95,904 milhões de toneladas, aumento de 11% sobre a safra anterior, de 86,623 milhões de toneladas. A previsão é de Safras & Mercado. No relatório anterior, divulgado em julho, a estimativa era de 94,451 milhões. Às vésperas do plantio da nova safra, Safras indica aumento de 5% na área a plantar, que ficaria em 31,43 milhões de hectares. Em 2013/ 14, o plantio ocupou 29,887 milhões. O levantamento indica que a produtividade média deverá passar de 2.898 quilos por hectare para 3.051 quilos. “Os aumentos de área baseiam-se principalmente em um plantio ainda menor de milho no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas não foi muito. O maior ganho da produção deu-se pelas produtividades melhores. Em Goiás e no Norte do Mato Grosso, deve haver um ganho de área sobre pastagens também”, explica o analista de Safras Luiz Fernando Roque. Roque acrescenta que, no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul, o ganho de produtividade na comparação com a safra anterior deve ocorrer por questões climáticas. “O El Niño deve favorecer as lavouras”, frisa o analista.

O relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) indicou elevação nas estimativas de safra e estoques finais americanos em 2014/15. O Usda reduziu a sua estimativa para o carryover em 2013/14. A safra norte-americana está agora estimada em 3,913 bilhões de bushels, contra 3,816 bilhões no relatório de agosto. Os estoques passaram de 430 milhões para 475 milhões de bushels. O mercado esperava números de 3,882 bilhões e 452 milhões, respectivamente. As exportações foram elevadas de 1,675 bilhão para 1,7 bilhão de bushels, enquanto o esmagamento passou de 1,755 bilhão de bushels para 1,770 bilhão. Para a safra 2013/14, o Departamento reduziu a expectativa de estoques de 140 milhões para 130 milhões de bushels. O mercado apostava em corte, para 136 milhões de bushels.

Se confirmada, a produção americana será a maior da história, equivalente a 106,5 milhões de toneladas. A previsão do Usda superou a expectativa do mercado e provocou forte baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago. Segundo o Usda, para a safra 2014/15, a produção mundial deverá ficar em 311,13 milhões de toneladas, contra 304,69 milhões de agosto. O Brasil deverá produzir 94 milhões de toneladas, e a Argentina, 55 milhões. As estimativas anteriores eram de 91 milhões e 54 milhões. A previsão do Usda é de estoques de 90,17 milhões de toneladas, contra 85,62 milhões de agosto. Para a China, principal comprador mundial, a expectativa é de uma safra de 12 milhões e de importações de 74 milhões de toneladas. Em agosto, os números eram de 12 milhões e 73 milhões.


ALGODÃO FRAQUEZA EM NY REFLETE NO MERCADO BRASILEIRO

A derrocada das cotações do algodão na Bolsa de Nova York (Ice Futures US) acabou resultando em fraqueza também no mercado brasileiro da fibra. A oferta no mercado disponível segue restrita, com os produtores dando preferência para o cumprimento de contratos fechados antecipadamente e focados nos trabalhos de beneficiamento. As indústrias aguardam que os volumes disponibilizados aumentem e que possam encontrar momentos mais atrativos para aquisições. A iminência da intervenção governamental, através do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), corrobora para essa lentidão. O Governo Federal liberou R$ 250 milhões para a realização de leilões de Pepro de algodão em pluma das safras 2013/14 e 2014/15, segundo portaria interministerial publicada no Diário Oficial da União no dia 17. No início do mês, o Ministério da Agricultura havia anunciado destinação de R$ 300 milhões para leilões de Pepro de algodão.

A produção de algodão do Brasil deve atingir 6,9 milhões de fardos no ano comercial 2014/2015 (início em agosto de 2014), em uma área de 1 milhão de hectares. Na temporada 2013/14, a área foi de 1,12 milhão de hectares e a safra está estimada em 7,8 milhões de fardos. As informações são do Gain Report, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). As exportações em 2014/15 devem somar 4,1 milhões de fardos e, as importações, 50 mil fardos. Na safra 2013/14, ficaram estimadas em 2,3 milhões e 125 mil fardos, respectivamente. Os estoques finais em 2014/15 devem ficar em 8,176 milhões de fardos, ante 7,376 milhões de fardos na safra anterior.


MILHO BRASIL TENDE A EXPORTAR POUCO COM A SAFRA AMERICANA RECORDE

O mercado brasileiro de milho chegou à segunda quinzena de setembro sem um quadro de grandes novidades na comercialização interna. Conforme o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, produtores, cooperativas e comerciantes fizeram o possível para tentar encontrar espaços nos armazéns, na logística e na demanda para tentar esvaziar o quadro de pressão de colheita. “Este movimento, entretanto, parece estar terminando no momento, tendo em vista que grandes consumidores também dispõem de bons estoques de milho e sem espaço físico para um recebimento adicional no curto prazo”, comenta.

Molinari afirma que as movimentações de negócios mostram-se praticamente restritas às operações de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural e/ou Sua Cooperativa, que vêm sendo realizadas pelo Governo Federal desde agosto e que têm sido direcionadas à exportação, via tradings. “O Governo gastou R$ 170 milhões de um total de R$ 500 milhões para os Pepros. Isso pode viabilizar mais quatro a cinco leilões, dependendo do tamanho dos prêmios. O problema brasileiro é que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) acabou de confirmar uma supersafra de 365 milhões de toneladas de milho”, analisa. Para ele, esse volume recorde deve proporcionar uma grande pressão de venda norte-americana nas próximas semanas na exportação. “Se a situação já não era positiva no momento, um grande excedente de oferta no mercado internacional acabará afetando ainda mais os preços nos portos, deixando o milho nacional ainda menos competitivo no mercado internacional”, alerta.


CAFÉ VENDAS ESTÃO EM RITMO MAIS LENTO, MAS ACIMA DA MÉDIA

A comercialização da safra de café do Brasil 2014/15 (julho/junho), que estava em período final de colheita em setembro, registrou 44% da produção total estimada, até 12 de setembro. O dado é do levantamento de Safras & Mercado. Com isso, já foram comercializados pelos produtores 21,76 milhões de sacas de 60 quilos, tomando- se por base a projeção de Safras & Mercado, de uma safra 2014/15 com 48,9 milhões de sacas.

Na média dos últimos cinco anos, a comercialização neste período está em 38%. Portanto, as vendas estão adiantadas. Houve avanço de seis pontos percentuais na comercialização da safra 2014/15 em relação a julho. “As vendas internas andaram em um ritmo mais compassado no último mês (agosto). O produtor tem mostrado a cara somente quando o mercado dá algum repique para cima (nos preços), retraindose na sequência”, aponta o analista de Safras Gil Barabach. Esse comportamento tira um pouco da fluidez dos negócios e passa a sensação de poucas vendas, ainda mais em um período de entrada de safra. “O produtor adota essa estratégia buscando aproveitar as oportunidades altistas para diluir suas posições, tentando elevar o seu preço médio de venda”, comenta.

Assim, quando na Bolsa de Nova York o café-arábica rompeu a linha de 200 cents, apareceram mais vendedores e a comercialização ganhou com mais intensidade. Porém, o preço depois caiu e o produtor sumiu, esvaziando o mercado, novamente. “Apesar disso, o comprometimento é maior do que em igual período do ano passado e também acima da média dos últimos cinco anos. Isso é fruto do bom volume de vendas antecipadas ao longo dos primeiros meses do ano, especialmente a partir do final de março, quando o café passou a ser negociado acima de R$ 400 a saca, recebendo um novo impulso quando venceu a linha de R$ 500 a saca”, avaliou.

O analista destaca que houve casos de produtores que venderam para entrega em setembro a R$ 560, enquanto outros venderam a safra 2015 a R$ 600. “Essa venda antecipada tira a pressão da entrada de safra, aliviando o efeito sazonal e gerando a sensação de entressafra em plena safra”, avalia. Porém, só um bom fluxo antecipado de negócios justifica a tranquilidade de caixa dos produtores, como também o elevado fluxo de embarques nesse começo de temporada, conclui.