Primeira Mão

SUCO NO TANQUE

A Unicamp está pesquisando o etanol a partir da matériaprima bagaço da laranja. A instituição busca investimentos da indústria para que o biocombustível possa ser comercializado já em meados de 2016. A universidade mantém parceria com a processadora Citrosuco e, por ora, o principal desafio é melhorar a relação custo-benefício do produto para que esse etanol chegue ao mercado competitivo. “Começamos no desenvolvimento dessa tecnologia em meados de 2009. Nos últimos três anos, mantivemos a parceria com a Citrosuco, que já produz um etanol de primeira geração a partir do licor da laranja. Estamos propondo um mecanismo de fermentação por hidrólise, através de enzimas que ajam direto no bagaço e cheguem ao biocombustível de segunda geração”, revelou ao DCI a pesquisadora da Unicamp Ljubica Tasic.


Rússia de braços abertos

A Rússia tem se tornado um dos mais importantes mercados para o agronegócio brasileiro. Segundo a CNA, de janeiro a julho as exportações para aquele país cresceram 24,9% ante o mesmo período de 2013. Cerca de um terço dos alimentos consumidos pelos russos é importado, mas a nossa participação tem muito a crescer, pois no ano passado apenas 7% do total de importações agropecuárias russas saíram daqui, ou US$ 2,8 bilhões. Em 2013, a Rússia comprou US$ 40 bilhões em alimentos (o quinto maior importador agrícola). Esse mercado consumidor vem crescendo 4,9% ao ano desde 2008. No ano passado, a Rússia foi só o sexto principal destino dos produtos do setor agrícola brasileiro, mas no primeiro semestre deste ano, subiu para o quarto lugar, atrás apenas de China, Estados Unidos e Países Baixos. Devido aos problemas diplomáticos da Rússia com a União Europeia e os Estados Unidos (em razão da crise na Ucrânia), inclusive com embargos, estão abertos alguns novos caminhos ao Brasil, como, por exemplo, para frutas e lácteos.


Lavouras sem fim

Um estudo coordenado pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), em parceria com Embrapa e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aponta que o Brasil pode liberar mais de 30 milhões de hectares de pastagem degradada para cultivo agrícola e atender toda a demanda de alimentos até 2040 sem avançar sobre florestas. Hoje, são 165 milhões de hectares explorados pela agropecuária, dos quais 101,4 milhões são ocupados por pastagens e 64,3 milhões por lavouras. Segundo o estudo, o País explora apenas um terço de seu potencial agropecuário.


Portos dominados

Dos dez itens mais exportados pelo Brasil entre janeiro e julho, sete são do agronegócio. A soja assumiu (e não larga mais) o posto de primeiro lugar no ranking dos produtos mais exportados, após tirar o lugar do minério de ferro. A receita no período foi de US$ 19,3 bilhões, fatia de 14,4% dos US$ 133,6 bilhões em exportações totais. Outro destaque foi a retomada das exportações de café: US$ 3,1 bilhões em vendas, +16,1% de expansão sobre janeiro-julho/2013. A fatia do agronegócio no resultado nas exportações brasileiras no primeiro semestre passou para 44,4%. O setor tinha respondido por 41,3% das vendas externas no ano passado, que já tinha superado 2012, com 39,5%. No primeiro semestre, o agronegócio exportou US$ 49,6 bilhões, o que garantiu um superávit de US$ 40,8 bilhões. Já o Brasil como um todo teve déficit de US$ 3 bilhões no acumulado de 2014 – exportações totais de US$ 110,5 bilhões e importações de US$ 113 bilhões.


Vinhos for export

As exportações de vinho no primeiro semestre cresceram espantosos 257% em relação ao mesmo período de 2013. Foi para as mesas do exterior o equivalente a US$ 7,16 milhões – ou 1,78 milhão de litros. A explicação para o boom: qualificação profissional, comercial e do produto, além da construção da imagem do vinho made in Brazil, sobretudo pela sua exposição durante a Copa do Mundo. Em todo o ano de 2013 foram exportados US$ 5,3 milhões e 1,5 milhão de litros. A valorização do preço médio por litro exportado de lá para cá passou de US$ 3,36 para US$ 4,01 (+20%).


Pibão do agro

A combinação boa produção + bons preços nos meses recentes levou o agronegócio a crescer 3,49% de janeiro a maio. Segundo estatísticas da CNA e Cepea, o desempenho da agricultura foi positivo em 2,93%, e o da pecuária, em 4,23%. Já o PIB nacional no primeiro trimestre havia crescido apenas 0,2% (o número do semestre seria anunciado em 29 de agosto).


Novo Moderfrota a caminho

O Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras, o conhecido Moderfrota, que foi decisivo para modernizar a frota de máquinas e equipamentos agrícolas na agricultura brasileira a partir de 2000, começa uma nova fase em novembro e, assim, a partir de janeiro poderá se tornar a principal fonte de financiamento do setor. Superando em atrações e condições o preferido do momento, o Programa de Sustentação ao Investimento (PSI). O novo Moderfrota passará a financiar também equipamentos de agricultura de precisão e modelos de máquinas mais modernos. A proposta do Governo é apostar no Moderfrota, que é um programa permanente, e não no PSI, que é provisório e precisa ser renovado todos os anos.


Soja Custa + 20%

Os custos de produção da soja aumentaram cerca de 20% do último plantio para o que vem aí. A informação é da Câmara Setorial da Soja, que contabilizou dispêndios do produtor como sementes, já em oito sacas/hectare, e fertilizantes, 15 sacas. Números assim podem tornar a safra 2014/15 a mais cara até hoje. “Precisamos manter um programa com a Embrapa para orientar o produtor. No ano passado, gastaram-se de 10 a 12 sacas por hectare com defensivos e podemos reduzir isso. Muitas vezes, gastam-se de R$ 100 a R$ 150 a mais porque está faltando orientação correta sobre que produto usar contra lagarta e assim por diante”, sugere o presidente da Câmara Setorial, Glauber Silveira, colunista d’A Granja.