Na Hora H

NO MOMENTO DE NOSSAS DECISÕES, O RISCO DA ESCOLHA MAL FEITA

ALYSSON PAOLINELLI

Sempre tenho escrito sobre a necessidade da boa gestão. Dentro de casa, no trabalho, em nossa atividade permanente ou não e no nosso trabalho como produtor rural, na nossa propriedade, em cada uma de nossas tarefas. Qualquer descuido ou erro nos traz consequências gravíssimas, cujo conserto ou recuperação pode exigir muito de nós. Conforme o erro e suas consequências, muitas vezes pode levar ao aniquilamento de nossa tarefa. Na maioria das vezes, esses erros são quase imperceptíveis, pois são tomados isoladamente ou em ações coletivas em que imaginamos que a nossa decisão não é capaz de alterar por si só o rumo das coisas. Ledo engano. O maior erro é o da omissão. A sua decisão correta tem de ser defendida e valorizada para que seus parceiros também não pensem da mesma forma e acompanhem o erro dos que são mais barulhentos e espertos do que nós.

Tenho insistido muito que, com um grande esforço, o Brasil conseguiu ultrapassar aquela angustiosa etapa de falta de conhecimento no processo produtivo de alimentos. Hoje, graças à competência dos nossos pesquisadores, dos nossos extencionistas, dos nossos instrumentos de política pública e, principalmente, graças a evolução e capacidade de inovação do nosso produtor rural, nos tornamos verdadeiramente competitivos, especialmente dentro de nossas porteiras.

Sabemos bem o que nos têm custado os erros e a falta de planejamento estratégico que nossos governantes vêm cometendo há vários anos. Será que só nós sabemos que iremos produzir uma safra de mais de 200 milhões de toneladas de grãos no próximo ano? Ninguém vê que os portos são insuficientes para tal demanda e que as nossas estradas (rodovias e ferrovias) e que os rios são subutilizados como vias de escoamento, e que esta safra deveria ficar estocada e bem guardada em armazéns propícios, mas que só temos capacidade estática de armazenar 140 milhões a 150 milhões de toneladas?

Por que lançam programas de armazenagem, inclusive na fazenda, e os recursos não saem? Será que ninguém vê o aumento da demanda por alimento no mundo de hoje, que já detectou que teremos de dobrar a oferta de alimentos nos próximos 50 anos? Será que não somos capazes de imaginar que, para atender essa demanda, teremos de aumentar a nossa produção em duas ou três vezes o que já produzimos? O mundo espera que o Brasil contribua com pelo menos 40% desses alimentos a mais que vão necessitar. Será também que seremos capazes de perceber que a única forma que temos é conhecer bem os nossos biomas tropicais para aprender a manejar os recursos naturais que dispõem (o solo, a água, as plantas, os animais e o clima), sem degradá-los ou destruí-los? Será que seremos capazes de repensar as malucas legislações que criamos sem o devido conhecimento dos biomas tropicais brasileiros e que hoje estão amarrados no cipoal de leis, regulamentos, decretos, normas que impedem a sua utilização e o uso dos recursos naturais que necessitamos para cumprir a nossa missão?

Será que nós, produtores rurais, não seremos capazes de identificar aqueles que nos apresentam com “pele de cordeiro”, tentando mais uma vez nos enganar de que são os “bonzinhos” e os únicos capazes de ditar as regras, as normas e as leis que antes já nos amarravam, e que agora nos impedem de levar avante o nosso compromisso de grande nação produtora de alimentos e energia renovável de forma mais sustentável que o mundo conhece? Será que nós produtores rurais vamos ser mais uma vez enganados por aqueles que, no mando, já demonstraram a sua incapacidade de governar, de planejar e de acertar a legislação que matreiramente nos impuseram? Será que não sabemos distinguir o verdadeiro lobo do cordeiro, em nova omissão vamos simplesmente acompanhar àqueles que são e/ ou estão nos ludibriando? Caro companheiro produtor rural, essa é a sua vez. Se errarmos, creio que pagaremos com aquilo que nem temos pelos erros e omissões que em nosso nome praticarem. Faça do seu voto a arma e defenda- se com ela.