Florestas

Falta de mão de obra QUALIFICADA nas florestas

Carlos Mendes, diretor executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre)

O setor florestal do Sul do Brasil vem passando por um momento de transformação, já que a evolução da genética possibilitou que novas espécies fossem desenvolvidas, inclusive como uma alternativa para se adaptar ao clima da região. Para dar conta da demanda do mercado brasileiro, as empresas de base florestal têm evoluído tecnicamente e apostado em novas máquinas e equipamentos para operação no campo. Tudo isso, pensando em aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, trazer mais conforto ao trabalhador rural. Porém, mesmo nesse cenário positivo, a principal barreira enfrentada pelo setor, quando o assunto são os planos para o crescimento da indústria florestal, é justamente a escassez de mão de obra especializada. Essa forte mecanização nas florestas começou no início da década de 2000. Até 2002, o setor trabalhava com máquinas agrícolas adaptadas. A partir daquele ano, houve uma revolução no mercado, com adaptação das máquinas da construção para a área florestal. Em 2008, uma nova geração de máquinas chegou, maiores em tamanho, mais produtivas. Foi aí que o setor percebeu essa lacuna com relação à mão de obra.

Com máquinas fabricadas propriamente para o setor florestal – máquinas com valores significativos, com alta produtividade e que precisam de operadores preparados –, as empresas começaram a maximizar o uso dos equipamentos, investiram em máquinas mais atuais, com maior produtividade e mais tecnologia. Passaram a trabalhar dois A Granja turnos e, depois, três turnos. Algumas companhias operando sete dias ininterruptamente. Isso significa grande utilização da máquina e forte necessidade de pessoal. Cada turno passou a precisar de um grupo a mais de pessoas, porque quando existem três turnos, é necessário ter quatro grupos de trabalho para que os operadores possam ter folga. Para uma mesma máquina, as empresas passaram a contar com quatro operadores.

Inicialmente, a demanda era por profissionais para a etapa da colheita. Agora, não só falta mão de obra especializada, como falta mão de obra de forma geral. Existe também a carência de mecânicos e de pessoal para máquinas de linha amarela, como as utilizadas na manutenção de estradas. Hoje, para se ter uma ideia do déficit de mão de obra qualificada, somente do Paraná, o maior produtor de pínus, por exemplo, as empresas precisam de cerca de dois mil operadores treinados. De mecânico, fala-se de um déficit de aproximadamente 200 profissionais. Para o setor florestal, essa mecanização é fundamental, porque além de reduzir consideravelmente os custos de produção, diminui também o número de acidentes de trabalho.

Hoje, os operadores precisam entender de computador e ter mais conhecimento para operar essas máquinas, que são caras e, para atingirem a produtividade esperada, exigem um treinamento forte. Se o trabalhador não tiver o conhecimento, ele não saberá conduzir a máquina e, dessa forma, não terá a produção que se espera dela. Não se trata da máquina mais cara ou daquela que consome menos combustível; o que importa é o denominador, ou seja, quanto ela produz. Nisso, o operador influencia diretamente. Foi por isso que a demanda por operadores e mecânicos com mais qualificação aumentou.

Sem dúvida, essa falta de mão de obra é uma grande oportunidade para o trabalhador, já que, com mais qualificação, a função terá um salário mais elevado. Além disso, o treinamento é muito mais apurado e ele trabalha em uma condição bastante favorável, inclusive ergonomic a m e n t e , com cadeiras ajustáveis, joystick para movimentação, cabine fechada, entre outros benefícios. Com o treinamento, acaba-se abrindo um ótimo espaço para os operadores, porque eles também serão reconhecidos na comunidade por trabalharem com máquinas extremamente modernas.

Segundo Carlos Mendes, a forte mecanização nas florestas começou no início da década de 2000, pois até 2002 o setor trabalhava com máquinas agrícolas adaptadas

Capacitação — Para tentar ajudar as empresas nessa nova demanda no Paraná, a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) conseguiu coordenar, junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), um programa de treinamento para operadores de duas máquinas florestais: harvester e forwarder. O treinamento já está acontecendo e deve preparar perto de 150 operadores até o fim do ano. Uma parte deste curso é feita com simulador, que nada mais é do que uma máquina com tela e um joystick para demonstrar como é a operação.

Alguns simulam também a cabine. Esse treinamento é importante, porque os erros que o operador comete são apenas no simulador. Quando ele passa para a máquina, o medo passou e o conhecimento já foi fixado. Ainda existe uma série de aprendizados que mudam conforme a máquina. Depois de aproximadamente quatro meses, o operador estará completamente pronto, sabendo o que encontrará pela frente.

Com todos esses dados, o que se pode reforçar é que hoje, além do déficit de cerca de dois mil profissionais, o número vem crescendo. Novos equipamentos estão chegando e ainda existem muitas outras máquinas para serem substituídas. Dessa forma, novas oportunidades surgirão. Muita gente pensa que a mecanização e as novas tecnologias excluirão a necessidade de trabalhadores. É aquela ideia de substituir o homem pela máquina. Mas isso não é verdade. Todos terão espaço, seja para aumentar a quantidade de turnos de trabalho ou para ocupar novas máquinas que estão surgindo. Oportunidades os operadores sempre terão. O que eles precisam é buscar a qualificação necessária para também ajudar a empresa a crescer.