Tecnologia

Dow prepara o lançamento do SISTEMA ENLIST

A revista A Granja esteve em Indianápolis, Estados Unidos, na sede da Dow AgroScienses, para conhecer os detalhes – e vantagens – da nova tecnologia da empresa para o controle de daninhas

Leandro Mariani Mittmann* [email protected]

A agricultura canadense já conhece, a americana deverá usufruir ainda em 2014 e a brasileira receberá a partir de 2016 o Sistema Enlist, uma nova tecnologia de controle de invasoras desenvolvida pela Dow AgroScienses. O sistema une na mesma semente de soja, milho e algodão a resistência aos herbicidas glifosato, glufosinato de amônia e também o 2,4-D. Ou seja, seria uma solução para o aumento da resistência de invasoras ao glifosato, um problema enfrentado pela agriculturas de vários países, inclusive a brasileira. No Brasil a regulamentação da tecnologia está em análise pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa da empresa é pela liberação, em 2016, para milho e soja e, em 2018, ao algodão. Mais do que reunir as três resistências, o 2,4-D foi aprimorado da formulação sal amina para o colina, o que o torna mais eficiente. E o produto ainda tem incorporada a tecnologia chamada Colex-D, tendo a adição de um produto cuja formulação permite a diminuição significativa da volatilidade e da deriva do defensivo. A tecnologia reduz a quantidade de gotas menores de 150 micras (as mais susceptíveis à deriva). Porém, para tanto, deve ser associado a um bico de pulverizador com indução de ar. Os testes da empresa mostram redução de até 90% na deriva. A empresa mostrou imagens de uma simulação de pulverização com um líquido colorizado, em que fica visível a deriva menor.

No Brasil, o Enlist vai integrar a plataforma da empresa PowerCore, o milho da empresa que possui cinco eventos transgênicos (para daninhas e lagartas). Em relação à soja, será o Enlist E3, que, além das três resistências a herbicidas, ainda possui a tecnologia Bt, a resistência a lagartas. “É a solução tão grande que vai ser a principal escolha contra daninhas e insetos”, resumiu a proposta Jader Rodrigues, Líder Comercial da empresa no Brasil. Rodrigues acompanhou um grupo de jornalistas brasileiros convidados a conhecer a sede da Dow em Indianápolis, estado de Indiana, Estados Unidos, para se inteirar da nova tecnologia. Especialistas da área de pesquisa da Dow também prestaram esclarecimentos sobre o Enlist. Em um campo de demonstrações da empresa, em pequenas glebas de milho, soja e algodão, toda a tecnologia do Sistema estava devidamente apresentada.

Mark Peterson, Líder Global de Pesquisa da Dow, revelou que uma pesquisa junto a milhares de agricultores americanos apurou resistência ao glifosato em 10% a 12% das suas lavouras, o que significa 28 milhões de hectares. “O Sistema Enlist vai resolver esse problema e evitar novas resistências”, atestou. Petersen esclareceu que o 2,4-D é usado na agricultura mundial há mais de 70 anos, e hoje está regulamentado em 65 países, incluindo integrantes da rigorosa União Europeia. “O 2,4D é seguro e sustentável. É eficaz contra as daninhas, mata e é acessível. E já foi comprovado que é seguro”. Nos EUA, é corriqueiro ser usado em gramados de residências.

Outra das vantagens do uso do Enlist é que o princípio ativo 2,4-D permite a ampliação da janela de aplicação, acrescentou Damon Palmer, Líder Comercial Enlist para os Estados Unidos. No caso da soja, pode ser aplicado da pré-emergência até o estágio R2; no milho da préemergência, até V8; e no algodão da pré à metade da floração. “Você não vai mexer na janela de aplicação do produtor”, ressaltou. Ele ainda avaliou a eficiência do 2,4-D no enfretamento de invasoras de difícil controle, sobretudo as já resistentes a outros princípios. “O Enlist, combinado com o glifosato, são dois modos de ação”, justifica. “É incrível ter um nível tão baixo de resistência”, disse ao mencionar que o 2,4-D já está em uso há décadas.

Jader Rodrigues, Líder Comercial da empresa no Brasil: “O Sistema Enlist é a solução tão grande que vai ser a principal escolha contra daninhas e insetos”

O Líder em Pesquisas para Sementes da Dow, Bill Kleschick, argumentou que são grandes e vão aumentar as necessidades de produção de alimentos no planeta. “Vamos precisar de novas tecnologias para cobrir novas lacunas”, sintetizou. Nesse contexto, posicionou a Dow AgroScienses, que tem investido pesado em novas tecnologias, como mais laboratórios, estufas, estações de campo e novos funcionários. De 2007 a 2013, a empresa registrou 300 patentes. Kleschick traçou uma perspectiva de novos produtos a serem lançados pela empresa nos próximos anos, desde defensivos a variedades com valor nutricional agregado ou mais saudáveis (como o óleo de canola com ômega 9), ou resistentes à seca e mais eficientes no uso do nitrogênio. “O nosso foco não é apenas melhorar o que já existe, mas trazer uma diferença bem significativa”.

Brasil é estratégico para a Dow — O Presidente e CEO da Dow, Tim Hassinger, também conversou com a reportagem d’A Granja, e mostrou-se animado com a nova tecnologia. “Procuramos atender as necessidades do mercado. O agricultor busca a solução”, argumentou, referindo-se ao problema da resistência. Hassinger também se manifestou otimista quanto à agricultura brasileira. Ele lembrou a necessidade de o mundo dobrar a produção de alimentos até 2050 e, segundo ele, essa ampliação dependerá em 70% da adoção de novas tecnologias. “O Brasil vai ganhar em importância (neste contexto)”, lembrou. “Para nós, o Brasil é importante e estratégico”, prosseguiu. O Brasil é o segundo mais importante mercado para a companhia (atrás do americano).

Segundo Damon Palmer, Líder Comercial Enlist para os Estados Unidos, o princípio ativo 2,4-D permite que o Enlist amplie a janela de aplicação do produtor

* O jornalista esteve em Indianápolis, Estados Unidos, a convite da Dow AgroScienses