Notícias da Argentina

DIFICULDADES NO LEITE

Os excessos de chuva registrados em diversas regiões leiteiras provocaram sérias dificuldades para a comercialização do leite devido à deterioração nas vias de escoamento da zona rural. As indústrias exportadoras, para poder obter licenças de exportação de leite em pó, devem manter o preço pago aos produtores em 3 pesos por litro (em termos de média ponderada). Muitas propriedades, no atual contexto inflacionário, não conseguem reduzir os elevados níveis de suas dívidas comerciais pré-existentes. E nessas condições, está sendo acelerado o processo de concentração que existe na atividade leiteira. Em recente encontro com o setor, o ministro da Economia, Axel Kicillof, avisou que os 3 pesos por litro é o valor limite para o pagamento ao produtor. Na opinião dele, é mais do que suficiente para sustentar a atividade.

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO

A população urbana raras vezes compreende o que ocorre no campo e, em geral, desconfia da tecnologia utilizada. O presidente do Congresso Maizar – a entidade que agrupa toda a cadeia produtiva do milho na Argentina -, Luis Bertoia, ressalta que existe um desafio comum a todo o setor agropecuário: a comunicação com a sociedade. “É possível que o desconhecimento generalizado da tecnologia empregada no campo seja a raiz do distanciamento entre a agroindústria e a sociedade urbana”, frisa. Os representantes do agronegócio argentino concordam que é necessário alcançar os setores que têm a maior capacidade de transmitir conceitos, como a imprensa, as áreas do governo relacionadas e, principalmente, os professores. Para o setor, é essencial lutar contra a desinformação e contra a informação tendenciosa.

SORGO PARA A CHINA

Em breve, a China deverá abrir seu mercado para o sorgo argentino. A expectativa é que nos próximos meses possam iniciar os embarques para o país asiático. O protocolo sanitário assinado pelos dois países também permitirá a exportação de peras e maçãs argentinas para a China.

TRIGO

Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, até o início de agosto, haviam sido plantados cerca de 90% dos 4,2 milhões de hectares previstos para a atual safra.

SOJA

Com a colheita da oleaginosa concluída, os analistas privados estimam a safra em torno de 55,5 milhões de toneladas. A questão é que a metade da produção segue sem ser vendida.

LEITE

Definitivamente, o Governo tem estabelecido o limite de US$ 0,24 (dólar paralelo) e US$ 0,37 (dólar oficial) para o litro do leite. O valor, no entanto, é considerado insuficiente pelos produtores diante do avanço dos custos.

CARNE

Os valores do quilo do novilho precoce estão em torno de US$ 1,28 (dólar paralelo) e US$ 1,95 (dólar oficial). Considera-se que o gado vem tendo altas acima da inflação nos últimos meses.

TRIGO: MAIS PREOCUPAÇÕES

A partir do intervencionismo do Governo sobre um mercado que considera emblemático e que foi eleito objeto de políticas demagógicas, a sorte do produtor argentino de trigo está lançada. Agora a demanda dos moinhos continua em queda e a exportação mantém-se fraca. Se o Governo não ampliar a cota de exportação da safra 2013/2014, o ingresso da nova colheita, em novembro, vai encontrar um grande volume remanescente do cereal. “Se forem mantidas as expectativas de produção, a oferta total da próxima temporada será o dobro do volume necessário para abastecer o consumo interno. Dessa forma, teremos grande pressão baixista sobre o preço se não houver exportação”, adverte o analista Guillermo Rossi, da Bolsa de Comércio de Rosário. Caso esse cenário se mantenha, a tendência é que o cultivo do cereal siga em queda no país.