Estimulantes

uso das ALGAS marinhas na agricultura

Os produtos à base de algas marinhas promovem a regulação e a estimulação do crescimento das plantas Acredita-se que a principal contribuição para o aumento da produção agrícola por meio de produtos à base de algas marinhas é causado pela presença de reguladores e estimuladores de crescimento de plantas.

Eles têm um efeito direto e/ou indireto na produção. A milenar cultura oriental é o berço dessa tecnologia, que tem notórios resultados práticos, e desde o século 16 as algas têm sido usadas na alimentação, na indústria e na agricultura para a fertilização dos solos.

As macro algas podem ser classificadas em três grandes grupos e podem ser diferenciadas, entre outras, pelo tipo de pigmento que apresentam. O grupo das algas verdes (Clorofíceas), cujo pigmento é a clorofila, é importante na liberação da maior parte do oxigênio na atmosfera e por compor a base da cadeia alimentar do nosso planeta, os fitoplânctons. No grupo das algas vermelhas (Rodofíceas), o pigmento é a ficoeritrina, e entre outros importantes produtos, e fornecem uma substância chamada ágar, matéria-prima para remédios, laxativos e gomas. O terceiro grupo, as algas marrons (Feofíceas), cujo pigmento é a fucoxantina, é historicamente mais utilizada na agricultura. Essas algas eram inicialmente usadas in natura pelos chineses, ou através de compostos para fertilização dos solos. Dentro desse grupo, destacam-se os gêneros Sargassum, Ascophyllum e Laminarum.

O gênero Ascophyllum é mais popular na literatura acadêmica, pois é mais comum no ocidente. Entretanto, as algas do gênero Sargassum e Laminarum apresentam maiores teores de elementos nutricionais e melhor balanço das substâncias ativas que projetam seu efeito bioestimulante. O uso de Sargassum tem crescido na agricultura moderna, tanto na agricultura convencional como na crescente demanda da agricultura orgânica. A composição única das Sargassum estimula a produção de fitoalexinas, que são compostos sintetizados naturalmente pela planta para conferir maior resistência a agentes abióticos (estresse hídrico, baixas temperaturas, baixa luminosidade prolongada) e bióticos (fungos, vírus e bactérias) promotores do estresse.

As algas desse gênero contêm 16 aminoácidos essenciais, incluindo o triptofano, macronutrientes primários (como potássio), macroelementos secundários e uma também balanceada composição dos sete microelementos essenciais. Destacam- se ainda os carboidratos, o ácido algínico, o manitol e a laminarina, além de 11 vitaminas, entre elas a biotina, o caroteno, a riboflavina e a niacina.

Apesar da rica composição nutricional que carregam, o grande efeito bioestimulante das algas marrons advém da presença balanceada dos PGRs (hormônios reguladores de crescimento) Giberelina, Auxina, Citocinina e Betaína, que são eficientes em doses extremamente baixas. As giberilinas são naturalmente produzidas pelas plantas em tecidos jovens do sistema caulinar e sementes em desenvolvimento. Sua ação está ligada ao elongamento celular, indução do florescimento e maior fertilização e manutenção da florada (pegamento). Na tecnologia de sementes, é utilizada na quebra da dormência de sementes e aceleração da velocidade de germinação. Em relação às auxinas, a principal delas é o ácido indolacético, conhecido pela sigla AIA, que é produzida principalmente no meristema apical do caule e transportada através das células do parênquima até as raízes.

Efeitos na planta — O principal efeito das auxinas é promover o crescimento de raízes e caules, por meio do alongamento das células recém-formadas nos meristemas. Nas raízes, em concentrações muito altas, a auxina inibe a alongação celular. Esse fitormônio também é responsável pela dominância apical, e sua liberação gerada pelas sementes em desenvolvimento é a grande responsável pelo crescimento dos frutos. As citocininas são PGRs que se translocam pelo xilema, e são encontradas em maior parte nas raízes das plantas, sendo responsáveis pela divisão celular, além de regularem a senescência (queda natural) das folhas. Em concentrações adequadas, promovem maior enraizamento e o retardo da senescência das folhas, otimizando a capacidade fotossintética da planta. Estão diretamente envolvidas no processo de abertura e fechamento dos estômatos.

Outro PGR encontrado nas algas marrons é a betaína, que atua nas plantas de forma similar as citocininas, ou seja, promovem crescimento radicular e regulam a senescência foliar. Além disso, promovem efeito antiestresse, conferindo maior proteção às adversidades climáticas de ocorrência natural ou às adversidades impostas às plantas em função do manejo adotado pela cultura, como o transplante, por exemplo.

O efeito dos PGRs nas plantas está quase sempre associado a mais de um hormônio, um deles com efeito ativador e outro com efeito inibidor, e o resultado observado depende do balanço entre eles. A Sargassum tem mostrado um balanço adequado para a agricultura, acarretando bons resultados, melhorando o equilíbrio osmótico das células e elevando o potencial de turgescência, corroborando para a maior firmeza e qualidade dos frutos e conferindo maior vida útil no pós-colheita. Também proporcionam aumento de sólidos solúveis, melhoria na coloração e tamanho de frutos e hortaliças, bem como incremento do peso seco, diâmetro de hastes, e diâmetro de inflorescências de plantas ornamentais.

O uso de Sargassum em tratamento de sementes incrementa o percentual e a velocidade de germinação. Quando aplicadas na zona radicular, tanto as algas Sargassum como as Laminarias, promovem maior desenvolvimento radicular e menor taxa de mortalidade de mudas e plântulas. O efeito positivo das algas na agricultura está cada vez mais consolidado, e existe grande potencial para o aumento desse uso, tendo muito a ser explorado, pois seu uso aditivado com a presença de determinados elementos nutricionais tem efeito sinérgico se comparada à aplicação isolada de ambos.

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