Agribusiness

TRIGO

VOLTA DA TEC NÃO ESTANCA TENDÊNCIA DE QUEDA

Gabriel Nascimento - [email protected]

A decisão da Camex de não renovar a isenção da TEC para o trigo de países de fora do Mercosul não será suficiente para reverter a tendência baixista que existe sobre as cotações nas regiões produtoras. Segundo o analista de Safras & Mercado Elcio Bento, “com o avanço da colheita do Paraná e com a possibilidade de, em breve, se importar trigo paraguaio, os preços nacionais tenderão ao mínimo estabelecido pelo Governo”. Apesar do encarecimento do custo de importações de origens extra-Bloco e da escassez de oferta na Argentina, a tendência é de baixa no mercado interno. O mercado brasileiro de trigo chegou à terceira semana de agosto ainda com pouca presença de compradores e com preços em queda. No Paraná, os primeiros negócios, de pequenos lotes, da safra nova têm sido realizados por volta de R$ 600 a tonelada. No Rio Grande do Sul, que possui um saldo remanescente próximo a 500 mil toneladas, a indicação de compra está por volta de R$ 490.

Somente no Paraná o montante colhido no ciclo comercial 2014/15 deve ser de 4 milhões de toneladas. Esse número supera a moagem estimada no estado (2,54 milhões) em 1,46 milhão. Na temporada anterior, a safra foi de 1,79 milhão de toneladas, ou 750 mil toneladas inferior à moagem. “Devido a questões qualitativas, o maior parque moageiro nacional sempre precisará comprar lotes no mercado internacional, o que só corrobora para o fato de que o Paraná, que no ciclo anterior garantiu mercado para boa parte da safra gaúcha, terá que encontrar mercado para o seu superávit neste ciclo”, analisa. O principal destino desse excedente será o mercado do Sudeste. Isso reduzirá a necessidade de importação das indústrias dessa região, e fará com que a paridade com os principais destinos estrangeiros volte a ser a referência para a formação de preços no Paraná.


ARROZ PREÇO TEM LEVE ALTA NO RIO GRANDE DO

SUL

Rodrigo Ramos - [email protected]

O valor médio da saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, encerrou a primeira quinzena de agosto em R$ 35,58, alta de 0,4% se comparado a igual período de julho. “Este leve aumento reflete a queda de braço entre o produtor e a indústria”, destaca o analista de Safras & Mercado João Giménez Nogueira. Na metade de julho, o preço registrado era de R$ 35,45. Em relação a igual período do ano passado, ainda há ganho de 3,4%, pois a saca era cotada a R$ 34,42. No quinto mês do ano comercial referente ao setor arrozeiro, que se estende de março de 2014 até fevereiro de 2015, o saldo da balança continuou positivo, apesar de uma queda, tanto nas exportações como nas importações. O Brasil conseguiu manter um superávit de cerca de 10.300 toneladas de arroz base casca. Com esse valor, é registrada uma queda ante os primeiros quatro meses do atual ano comercial.

No mês de julho, ao todo, foram importadas cerca de 73.160 toneladas. Comparado com o mesmo período do ano passado, observa-se um aumento de em torno 0,9% nas compras. Já em relação ao mês anterior, existe uma queda significativa de quase 25%, quando somou 97.475 toneladas. Em relação às exportações, houve um decréscimo no total vendido em relação ao mês de junho, saindo de 120.086 para 83.525. Essas quedas, tanto nas importações como nas exportações, devem-se principalmente ao efeito Copa do Mundo, que fez com que o mercado rizicultor se mantivesse travado. Em relação ao arroz em casca importado, o volume de 3.690 toneladas corresponde a um aumento em relação ao mês anterior, quando 2.428 toneladas foram adquiridas do exterior.


SOJA SAFRAS INDICA NOVO RECORDE DE ÁREA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A área a ser plantada com soja na temporada 2014/15 deverá crescer 4% na comparação com 2013/14, ocupando 31,213 milhões de hectares. A projeção faz parte do levantamento de intenção de plantio divulgado por Safras & Mercado. Se o aumento for confirmado e contando com clima favorável, a produção brasileira na próxima temporada deverá bater recorde, somando 94,451 milhões de toneladas, com crescimento de 9% sobre o total colhido em 2013/14, de 86,623 milhões de toneladas. A tendência de aumento na área a ser plantada está baseada na comercialização com preços remuneradores da safra anterior. “A soja tende a ganhar área do milho na maior parte dos estados, devido às condições mais favoráveis em termos de preços”, confirma o analista de Safras & Mercado Luiz Fernando Roque.

O analista destaca ainda a opção dos produtores da região norte em apostar na soja, com áreas novas e também ocupando áreas de pastagem. “É importante lembrar ainda que, em muitos estados, a alternativa dos produtores tem sido de diminuir a área de verão do milho e plantar mais do cereal na safrinha. A soja ocuparia este espaço”, acrescenta Roque. Há ainda um sentimento positivo para a produtividade da safra 2014/15, contribuindo para as expectativas favoráveis em termos de produção. “O ano é de El Niño, quando normalmente os rendimentos são superiores”, completa o analista.

As projeções para as exportações brasileiras no ano-comercial 2014/15 estão sendo revisadas para cima, reflexo do ritmo acelerado das vendas nos últimos meses, principalmente para a China, país que é o principal consumidor de soja. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou novos dados de oferta e demanda no ano-comercial iniciado em fevereiro e que se estende até janeiro. Segundo a Abiove, o Brasil vai exportar 45 milhões de toneladas. O número anterior era de 44 milhões. Essa tendência foi ratificada quando a Administração Geral de Portos e Alfândegas da China indicou que o país importou 7,474 milhões de toneladas em grão em julho, um avanço de 3,87% frente a igual mês de 2013. No acumulado de janeiro a julho, as importações somaram 41,682 milhões de toneladas, uma elevação de 20,17% sobre igual período do ano anterior. A principal origem no mês foi o Brasil, com 5,215 milhões de toneladas. No ano, as compras chinesa no Brasil já chegam a 20,9 milhões de toneladas, com aumento de 11,5% e superando os Estados Unidos, que venderam 17,3 milhões de toneladas aos chineses.


ALGODÃO MERCADO NACIONAL DA PLUMA ESTÁ

TRAVADO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão segue com pouco volume de negócios. Segundo o analista de Safras & Mercado Rodrigo Neves, são dois os principais fatores para o mercado travado. Do lado do produtor, que dá atenção principal ao cumprimento dos contratos fechados anteriormente e, de preferência, comercializa o mínimo possível no mercado disponível. “Pelo lado da demanda, vemos uma indústria tímida, fazendo apenas compras pontuais, devido à perspectiva de contínua queda de preços nacionais da pluma, em meio ao período de colheita”, pondera. A safra brasileira de algodão em pluma na temporada 2013/ 14 está estimada em 1,704 milhão de toneladas, avanço de 30,1% na comparação com as 1,310 milhão na safra 2012/ 13. Os números fazem parte do 11º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para 2013/14. No levantamento anterior, eram esperadas cerca de 1,697 milhão de toneladas.

A produtividade das lavouras está estimada em 1.520 quilos de pluma por hectare, ante 1.465 quilos na temporada 2012/13, alta de 3,8%. A área plantada com algodão na temporada 2013/14 está estimada em 1,121 milhão de hectares, elevação de 25,4% na comparação com os 894,3 mil hectares da safra passada. Na temporada 2014/15, os produtores brasileiros deverão plantar menos algodão. Levantamento de intenção de plantio de Safras & Mercado, divulgada no final de julho, indica que a área plantada deverá ficar em 1,109 milhão de hectares, com queda de 4,3% sobre a temporada anterior, quando o plantio ocupou 1,158 milhão de hectares. Se for confirmado o aumento de 4,3% na produtividade, a produção brasileira deverá permanecer praticamente inalterada, em torno de 1,7 milhão de toneladas.


CAFÉ OIC ESTIMA DÉFICIT DE 600 MIL SACAS EM 2013/14

Lessandro Carvalho e Fábio Rübenich - [email protected] e [email protected]

O relatório de julho da Organização Internacional do Café (OIC) trouxe a indicação de que o mundo deverá ter um déficit na oferta de 600 mil sacas de 60 quilos em relação à demanda. Os dados de julho não trouxeram alterações na estimativa da entidade para a produção mundial 2013/14 (outubro/setembro), indicada em 145,194 milhões de sacas, com queda de 0,1% contra 2012/13, que tem safra colocada em 145,323 milhões de sacas. Já o consumo continua crescendo no mundo a taxas constantes. A OIC estima um consumo na temporada 2013/14 em 145,8 milhões de sacas, com elevação de 2,2% no comparativo com 2012/13, que tem demanda estimada em 142 milhões de sacas. Assim, com a produção ficando em 145,2 milhões de sacas, o déficit calculado na oferta é de cerca de 600 mil sacas.

Os preços do café no mercado internacional mantiveram-se sustentados até meados de agosto por conta, em grande parte, dos números cada vez menores estimados da safra de 2014 no Brasil, e mais ainda pelas preocupações com indicações de que a safra 2015 também será bem prejudicada. Em Nova York, o arábica trabalhou acima de US$ 1,85 a libra-peso para o contrato dezembro (até o dia 19), demonstrando boa sustentação diante dessa apreensão com a oferta. No Brasil, os cafés-arábica de melhores bebidas ficaram acima de R$ 450 a saca no Sul e Cerrado de Minas Gerais. A OIC destacou os números de estoques oficiais da Conab, estimados em 15,2 milhões de sacas em março de 2014, antes do início da safra 2014/15. O volume é 9,2% superior em relação ao estimado no mesmo período do ano passado, após duas safras grandes consecutivas, de 50,83 milhões de sacas em 2012/13 e de 49,15 milhões de sacas em 2013/14.


MILHO MERCADO INTERNO ESPERA MELHOR MOVIMENTAÇÃO COM O PEPRO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho apresentou uma movimentação de negócios bastante lenta durante o mês de agosto, pressionado pelo cenário de baixos preços no cenário internacional. A expectativa de uma safra recorde nos Estados Unidos, superando as 356,4 milhões de toneladas, combinada ao avanço da colheita da segunda safra nacional, elevou ainda mais o cenário baixista de preços para o mercado interno, segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari. “O milho está literalmente ‘encalhado’ nos armazéns e silos-bolsa dos principais estados, enquanto os produtores aguardam algum movimento que possa viabilizar uma melhor movimentação dos negócios”, afirma. Diante desse cenário, Molinari afirma que há uma grande expectativa no mercado para um melhor cenário de preços a partir dos leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural e/ou Sua Cooperativa (Pepro). A primeira operação, em 20 de agosto, apresentou uma demanda bastante efetiva, com negociação de 898 mil toneladas das 1,050 milhão ofertadas nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. O segundo leilão, marcado para 28 de agosto, ofereceria 1,750 milhão de toneladas. “Parte do mercado acredita em uma solução das condições de baixa dos preços a partir desta intervenção do Governo, talvez repetindo o mesmo movimento de 2013, quando os embarques acabaram ficando muito acima do esperado”, comenta.

Molinari ressalta que o Governo deverá realizar uma sequência de leilões de Pepro nas próximas semanas, envolvendo um volume total da ordem de 10 milhões de toneladas. É provável que, pelo menos entre 7 milhões a 8 milhões de toneladas desse volume a ser ofertado seja destinado à exportação. “Se conseguirmos embarcar esse volume até janeiro de 2015, quando encerra o ano comercial, somadas às 3 milhões de toneladas exportadas até julho, chegaremos a um total de 13 milhões de toneladas. Esse volume é razoável, embora ainda muito limitado para um excedente próximo a 25 milhões de toneladas. Assim, o mercado ainda precisará encontrar algum espaço para fluir as vendas na exportação além do Pepro”, sinaliza.