Congresso do Agronegócio

O campo na AGENDA

O Congresso Brasileiro do Agronegócio recebeu propostas de candidatos à Presidência e debateu os desafios da produção

Denise Saueressig [email protected]

Evento tradicional na agenda do setor, o Congresso Brasileiro do Agronegócio recebeu, em 4 de agosto, em São Paulo, um público de cerca de 800 profissionais e lideranças interessados em acompanhar palestras e debates sobre os grandes desafios da cadeia produtiva. Nesta 13ª edição, o evento promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) teve como um dos destaques a apresentação de propostas de candidatos à Presidência do País nas eleições de outubro. “Neste mundo volátil, com riscos protecionistas externos, exposição a fatores macroeconômicos e cadeias em desequilíbrio, o Governo precisa se aproximar ainda mais do setor que ocupa uma posição de protagonista no Brasil”, considera o presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

Os participantes do congresso acompanharam planos e projetos das três candidaturas que aparecem à frente nas pesqui- Gerardo Lazzari/Danilo Ramos sas eleitorais. A candidata à reeleição, Dilma Rousseff, foi representada pelo vicepresidente, Michel Temer, que destacou as ações do Governo a favor da agropecuária nos últimos anos. “Quando o ex-presidente Lula assumiu, a situação no País era caótica em função do problema com a soja transgênica. No Rio Grande do Sul, 70% do plantio eram ilegais, mas a questão foi resolvida com a Lei de Biossegurança. O setor é um dos motores da economia e é prestigiado pelo Governo com linhas de crédito e baixas taxas de juros que incentivam a produção, e entre os nossos objetivos, está continuar mostrando ao mundo que somos capazes de produzir mais respeitando o meio ambiente”, ressaltou, lembrando que a aprovação do novo Código Florestal foi essencial para esse processo.

O candidato Aécio Neves participou apenas da abertura do evento e enviou um vídeo narrando as suas propostas. “O produtor precisa de mecanismos de proteção da sua renda. Na área de crédito, em vez de remendos na legislação, precisamos de ações concretas que ofereçam mais autonomia ao produtor”. Para o candidato, o investimento em logística é um tema prioritário. “É necessário fazermos um choque de infraestrutura, com parcerias com o setor privado para acabarmos de vez com o apagão da logística”, assinalou. Aécio ainda frisou a importância dos acordos comerciais, da segurança jurídica no campo e do fortalecimento da estrutura do Ministério da Agricultura.

Debate e plano de ação — Representando o candidato Eduardo Campos (falecido em acidente de avião no dia 13 de agosto), o coordenador do programa de governo da chapa agora assumida por Marina Silva, Maurício Rands, destacou que, mesmo com as dificuldades da elevada burocracia enfrentada pelos empreendedores, o agronegócio não para de crescer no País. Para ele, o Brasil precisa ter mais visibilidade no contexto mundial do setor. “Não precisamos ficar nos limites do Mercosul. Temos que acelerar acordos para a internacionalização do nosso agronegócio”, analisou. Rands também afirmou que o País precisa de mais investimentos em infraestrutura e comentou que, no Brasil, o custo da logística é de 40%, enquanto em outros países produtores fica entre 10% e 15%. Tanto Maurício Rands quanto Aécio Neves defenderam uma redução na estrutura administrativa do Governo, que hoje tem 39 ministérios em funcionamento.

Os temas políticos tiveram continuação em debate coordenado pelo jornalista William Waack e pelo coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Maurício Rands representou Eduardo Campos, o engenheiro agrônomo Xico Graziano representou Aécio Neves, e o presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Odacir Klein, foi o representante da candidata Dilma Rousseff. A crise do segmento sucroalcooleiro e a necessidade de unidade na política agrícola do País foram alguns dos temas mais polêmicos do debate, que teve como ponto de partida um plano de ação enviado aos presidenciáveis, considerando o período entre 2015 e 2022. O trabalho foi coordenado pela FGV e reuniu especialistas e entidades de classe que elegeram demandas em cinco diferentes áreas: desenvolvimento sustentável, competitividade, orientação a mercados, segurança jurídica e governança institucional.

Pesquisa e sociedade — Além das questões políticas, o 13º Congresso da Abag abordou assuntos como as novas mídias, a comunicação e o relacionamento com a sociedade urbana. Na palestra “Agronegócio Brasileiro: Valorização e Protagonismo”, o pesquisador Samuel Pessoa, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), citou que, enquanto a economia brasileira deve apresentar um crescimento de 0,6% em 2014, a agropecuária deve registrar um incremento de 3,2%.

No painel que analisou as ferramentas digitais, especialistas na área observaram a necessidade do setor utilizar com mais frequência e eficiência a Internet e as redes sociais. “A informação precisa ser utilizada de forma organizada e planejada. Acredito que o agronegócio é competente para informar verticalmente a própria cadeia, mas ainda precisa se comunicar melhor com o grande público”, constatou o jornalista Rodrigo Mesquita.

O congresso também foi palco para a divulgação da pesquisa “O eleitor brasileiro e o agronegócio”, desenvolvida entre a Abag e o Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM, e realizada pelo Instituto Ipeso. As entrevistas foram feitas com 600 pessoas de cinco capitais (Belém, Salvador, Goiânia, São Paulo e Porto Alegre). Os pesquisadores Victor Trujillo, do Ipeso, e José Luiz Tejon Megido, da ESPM, informaram que 84,3% dos entrevistados dizem que preferem um candidato à Presidência que valorize a produção rural. Outro dado aponta que 90,5% acham que “o futuro presidente precisará dar mais atenção para as questões dos alimentos”. Do total de pessoas ouvidas, 91,9% consideram que o agronegócio gera empregos também nas cidades, e 86,3% acham que os portos brasileiros são antigos e mal gerenciados e, por isso, prejudicam o setor.