Monitoramento

 

MONITORAMENTO decide a entrada do pulverizador

Como deve ser feito esse procedimento que tem como principal objetivo saber a quantidade de pragas na lavoura e assim basear as aplicações de inseticidas

MSc. José Fernando Jurca Grigolli, pesquisador da Fundação MS [email protected], e MSc. Mirian Maristela Kubota doutoranda em Agronomia (Entomologia Agrícola) na FCAV/UNESP [email protected]

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma prática essencial na agricultura, pois alia estratégias de manejo de pragas com índices de dano econômicos, ou seja, controla a praga somente quando os prejuízos causados por ela forem superiores ao seu custo de controle, momento este denominado nível de dano econômico (Stern et al., 1959). Entretanto, o tempo necessário para tomar a decisão de controle de uma praga e seu controle de fato pode ocasionar prejuízos aos produtores. Assim, foi estabelecido o nível de controle ou o nível de ação, que representa o momento economicamente correto para que uma medida de controle seja iniciada e assim evitar que a população de insetos cresça demasiadamente e ultrapasse o nível de dano econômico (Pedigo et al., 1986).

O monitoramento de pragas é uma das bases do MIP, e tem como principal objetivo fazer o levantamento das espécies-pragas ocorrentes na lavoura e quantificando sua presença. Com base nesse monitoramento, devem-se basear as aplicações de inseticidas para o controle dos alvos identificados. Assim, fica evidente que o monitoramento e a identificação das pragas influencia diretamente a eficiência dos inseticidas a serem utilizados, pois possibilita o uso da ferramenta adequada no momento mais indicado.

Para o correto monitoramento de pragas nas diversas culturas agrícolas no Brasil, deve-se dividir a área em talhões homogêneos, pois manchas de solo e diferenças climáticas em microescalas podem influenciar a ocorrência das pragas. O número de pontos a serem amostrados em função do tamanho do talhão pode ser observado na tabela. O período de amostragem deve ser de pelo menos uma vez por semana em cada talhão para evitar picos populacionais que podem prejudicar o controle da praga e/ou danos econômicos. Esse procedimento deve ser realizado para qualquer cultura, o que muda é a técnica de amostragem.

Os benefícios do monitoramento no controle de pragas são evidentes tanto no curto quanto no médio e no longo prazos. No curto, há redução do número de aplicações e consequentemente diminuição nos custos de produção e aumento na margem de lucro. No médio e no longo prazos, redução dos impactos ambientais causados nos inimigos naturais, diminuição do número de picos populacionais das pragas e redução dos riscos de seleção de populações de insetos resistentes a inseticidas.

A mostragem em soja — No caso da soja, deve-se realizar o monitoramento por meio do pano de batida. A decisão de controle da praga deve ser de acordo com a população média da praga observada no talhão. Para lagartas desfolhadeiras (exceto a Helicoverpa armiguera), o nível de controle é de 30% de desfolha ou 20 lagartas por pano no período vegetativo; e no período reprodutivo, 15% de desfolha ou 20 lagartas por pano. Esses índices foram validados recentemente, indicando que ainda são confiáveis e devem ser utilizados (Gazzoni e Moscardi, 1998; Reichert e Costa, 2003; Costa et al., 2003; Parciaanello et al., 2004; Bueno et al., 2010; Corrêa-Ferreira et al., 2010).

Para os percevejos, o nível de controle é de dois por metro linear em lavouras para produção de grãos ou um percevejo por metro linear para lavouras de sementes. Para o tamanduá-dasoja, um adulto por metro até a soja em V3 ou dois adultos por metro com a soja entre V4 e V6 (depois dessa fase, a planta não sofre mais dano econômico) (Gallo et al., 2002). Para Helicoverpa armigera, deve-se realizar o controle com quatro lagartas pequenas (menores do que 7 mm) por pano. É de essencial importância o controle dessa praga quando ainda estão pequenas, pois quando as lagartas se desenvolvem, a eficiência de controle dos inseticidas fica reduzida.

Para os percevejos, o nível de controle é de dois por metro linear em lavouras para produção de grãos ou um percevejo por metro linear para lavouras de sementes

Amostragem em milho — O monitoramento em milho pode ser dividido em duas etapas. A primeira para o monitoramento de percevejos após o plantio e a segunda para lagartas desfolhando as plantas. Para o monitoramento do percevejo barrigaverde, deve-se realizar avaliações desde o plantio até as plantas de milho atingirem V5/V6, período em que as plantas não sofrem mais danos com o ataque dessa praga. É recomendado proceder com amostragens antes do plantio para avaliar a necessidade de aplicações antes do plantio.

O monitoramento consiste na avaliação do número de percevejos em um metro quadrado da lavoura. O número de pontos a serem observados encontra- se na tabela. Deve-se escolher um metro quadrado e proceder a contagem direta do número de percevejos vivos presentes. No final da amostragem, devem- se realizar as aplicações de inseticida, caso seja encontrado em média 0,5 percevejo por metro quadrado (Duarte, 2009).

Para o monitoramento da lagartado- cartucho do milho, avaliar cinco plantas na sequência e ao acaso no talhão. O número de pontos a serem amostrados encontra-se na tabela. A amostragem baseia-se na escala proposta por Davis (Davis et al., 1992). O controle químico deve ser realizado quando 20% das plantas apresentarem folhas raspadas.