Frutas

 

FRUTÍFERAS sempre bem alimentadas

Depois da fundamental calagem, cada frutífera exige uma adubação diferenciada, sempre se levando em consideração a época certa, a fonte do nutriente e a localização adequada

Ana Lúcia Borges, pesquisadora da Embrapa Fruticultura

A Embrapa Mandioca e Fruticultura, sediada em Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, realiza pesquisas em diversas áreas com as fruteiras abacaxi, acerola, banana, citros, mamão, manga e maracujá. As recomendações de calagem e adubação para essas culturas têm como objetivo promover a fertiliza- Lea Cunha ção correta com base nos teores de nutrientes no solo e nas necessidades das plantas. Assim, é possível aumentar a eficiência produtiva das culturas e otimizar os sistemas de produção, resultando em degradação do solo e impacto ambiental menores. O sucesso da adubação depende não apenas da quantidade a ser aplicada, mas também da época certa, da fonte correta do nutriente e da localização adequada. A seguir, as recomendações de adubação para algumas frutíferas. Contudo, se necessária, a calagem é a prática realizada anteriormente à adubação.

Abacaxi — A adubação de nitrogênio varia de 210 a 320 kg/ha. Com base na análise química dos teores de P e K no solo, as quantidades variam de 40 a 120 kg/ha de P2O5 e 105 a 480 kg/ha de K2O. Teores no solo acima de 15 mg/ dm3 de P e 0,31 cmolc/dm3 de K dispensam a adubação fosfatada e potássica. A adubação do abacaxizeiro deve ser feita ao longo da fase vegetativa do ciclo da planta (do plantio à indução do florescimento). As adubações em cobertura devem ser iniciadas após o enraizamento das plantas (30 a 90 dias após o plantio), prolongando-se até o mês anterior à indução artificial do florescimento. Normalmente se observa, entre o 6º e o 9º mês após o plantio, um aumento significativo na taxa de absorção dos nutrientes pelo abacaxizeiro.

Banana — A adubação nitrogenada varia de 75 a 270 kg/ha, com base na produtividade esperada. Pela análise química dos teores de P e K no solo e nas produtividades esperadas, as quantidades a serem aplicadas variam de 40 a 160 kg/ha de P2O5 e 100 a 750 kg/ha de K2O. Teores no solo acima de 30 mg/dm3 de P e 0,60 cmolc/dm3 de K dispensam a adubação fosfatada e potássica. No plantio, aplicar o N na forma orgânica. A primeira aplicação de N mineral deve ser feita 30 dias após o plantio. O fósforo deve ser aplicado no plantio e anualmente, se necessário, em única aplicação. O potássio pode ser adicionado no plantio (se recomendado pela análise química do solo) e posteriormente parcelado juntamente com o N, pelo menos, seis vezes no ano.

A adubação do abacaxizeiro deve ser feita ao longo da fase vegetativa do ciclo da planta, ou seja, do plantio à indução do florescimento

Laranja — A adubação nitrogenada varia de 40 (plantio) a 200 kg/ha (6º ano em diante), com base no teor de N nas folhas. Pela análise química dos teores de Alessandra Vale P e K no solo, as quantidades a serem aplicadas variam de 10 a 80 kg/ha de P2O5 e 40 a 160 kg/ha de K2O. Teores no solo acima de 20 mg/dm3 de P e 0,15 cmolc/ dm3 de K dispensam a adubação fosfatada e potássica. O nitrogênio mineral e o potássio devem ser parcelados duas vezes ao ano, no início e final do período chuvoso. O fósforo é aplicado no plantio e anualmente em única dose, no início do período chuvoso.

Mamão — A adubação nitrogenada varia de 60 kg/ha (pós-plantio) a 280 kg/ ha, com base na produtividade esperada. Pela análise química dos teores de P e K no solo e na produtividade esperada, as quantidades a serem aplicadas variam de 20 a 170 kg/ha de P2O5 e 40 a 320 kg/ha de K2O. As adubações devem ser efetuadas em intervalos frequentes, dando preferência a fontes solúveis de fertilizantes, sendo que uma delas deve ser também fonte de enxofre.

Maracujá — A adubação nitrogenada varia de 50 a 120 kg/ha, com base na produtividade esperada. Pela análise química dos teores de P e K no solo e na produtividade esperada, as quantidades a serem aplicadas variam de 20 a 150 kg/ha de P2O5 e 50 a 250 kg/ha de K2O. Teores no solo acima de 30 mg/dm3 de P e 0,50 cmolc/dm3 de K dispensam, respectivamente, a adubação fosfatada e potássica. Em pomares em formação, devem-se distribuir os fertilizantes em uma faixa de aproximadamente 20 centímetros de largura ao redor do tronco e distante dez centímetros deste.