Flores

 

Mais que bonito, em ASCENSÃO

O segmento de flores vem registrando altas anuais, desde 2006, de 8% a 12% em volume e de 15% a 17% em valor

Kees Schoenmaker, presidente do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor)

Nos últimos anos, o setor ornamental tem obtido um crescimento bastante aceitável considerando que a verba de marketing e propaganda tem sido muito baixa e é nula quando se trata de promover o setor como um todo. Desde 2006, o segmento de flores tem registrado altas de 8% a 12% em volume e de 15% a 17% em valor, índices muito acima do crescimento do PIB brasileiro. Mas, qual a razão disso? Como sempre, há vários motivos que podem ser apontados, dentro dos quais se destacam:

FLORES DE CORTE

- O uso de variedades novas e melhores com uma durabilidade maior. Isso foi possível porque os produtores passaram a pagar royalties, obtendo desta forma acesso ao que há de melhor no mundo.

- O uso de tecnologias novas dentro das estufas, nos campos e na póscolheita. Assim se controlam as temperaturas nas estufas via o sistema conhecido como Pad & Fan, uso de telas móveis, plástico duplo, aquecimento, etc., tudo computadorizado.

- Controle de temperatura no circuito todo, desde a colheita até a entrega do produto no varejista.

- Padronização.

PLANTAS EM VASOS

- Acesso às novas variedades/tipos em virtude de pagamento de royalties para os mantenedores das plantas.

- O uso em larga escala de tecnologias novas nas estufas como descrito anteriormente.

- Padronização.

PLANTAS VERDES PARA USO EXTERIOR

- Maior padronização.

- A necessidade sentida de ter mais verde nas nossas vidas.

GRAMA

A criação do selo “grama legal”, diferenciando-se da grama tirada dos pastos.

Ter mais tipos de grama disponível, adaptando-se melhor às necessidades.

A venda de flores e plantas via o chamado canal autosserviço também tem contribuído para incrementar as vendas, assim como o fato de que em todos os cantos do País é possível encontrar os produtos. Isso ocorre porque os chamados atacadistas levam os produtos para qualquer parte com seus caminhões, com exceção de Manaus e, por outro lado, por uma produção local cada vez maior e de melhor qualidade, com destaque para plantas de jardim, que são produzidas em todos os Estados. Infelizmente, as chamadas flores tropicais ainda não são usadas em larga escala, apesar da sua beleza e sua disponibilidade, principalmente no Norte e no Nordeste. Outro ponto a considerar é que o poder aquisitivo da população melhorou nos últimos anos, o que tem contribuído para o aumento das vendas, uma vez que o produto em si não sofre resistência por parte dos consumidores.

Os principais desafios do setor são os seguintes:

- O registro e a permissão de uso de defensivos. Hoje, praticamente todos os produtores usam produtos que, em grande parte, não são registrados (e, portanto, não permitidos) para o uso nas ornamentais.

- O registro das cultivares e o processo burocrático.

- A aceleração do processo de Análise e Risco de Pragas, para poder importar produtos novos (e melhores) do exterior.

- A aprovação da Lei das Cultivares, oficializando e ampliando o que já se pratica.

Dificuldades e desafios — O Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), instituição que representa, orienta, coordena e defende os interesses do setor, tem se empenhado muito ativamente na busca de soluções para esses entraves. E, apesar das dificuldades burocráticas em Brasília, tem se conseguido avançar em vários aspectos. Assim, recentemente foi conseguida a dispensa do uso da Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV) e Certificado Fitossanitário de Origem Consolidado (CFOC) para rosas e mais alguns produtos para todos os Estados onde foi comprovada oficialmente a existência da mosca-negra (Aleurocanthus woglumi), de acordo com a legislação IN nº 59, de 18/12/13. Significa um avanço enorme e uma grande redução nos custos para atacadistas e produtores. Apenas essa medida significa uma economia de R$ 1 milhão por ano.

Nessas lutas, o Ibraflor tem tido um apoio incondicional por parte da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (Abcsem) e da Associação Brasileira de Proteção de Cultivares de Flores e Plantas Ornamentais (Abpcflor), o que mostra a união desse setor. Por sua vez, esses e muitos outros assuntos têm sido tratados pela Câmara Setorial Federal de Flores e Plantas Ornamentais, ligada ao Ministério da Agricultura. É importante mencionar que, nas regiões em que os produtores reuniram-se em cooperativas e asociações, o crescimento tem sido muito maior do que as regiões onde há muitas resistências para trabalhar em conjunto. Os melhores exemplos nesse sentido vêm de Holambra/SP, onde as cooperativas Veiling Holambra e Cooperflora detêm perto de 40% do mercado nacional.

O poder aquisitivo da população melhorou nos últimos anos, e isso tem contribuído para o aumento das vendas de flores

Ainda falta muita coisa, mas o Ibraflor, que acaba de completar 20 anos, tem hoje para a floricultura brasileira um plano estratégico de trabalho de longo prazo, assim como tem formatado planos de ação em todas as áreas em que atua. Também tem, em seu meio de atuação, inúmeros profissionais formados nos últimos 20 anos e que hoje participam de forma criteriosa na formação e profissionalização do setor, o que é muito desejável e necessário para o desenvolvimento e à ampliação do mercado.

Nesse contexto, o Ibraflor está conseguindo filtrar prioridades e elencar frentes de trabalho que são comuns para todas as regiões e Estados, e de interesse para todas as associações, cooperativas e demais entidades representativas da cadeia como um todo. O futuro parece promissor, mas há uma ameaça real, especialmente para os produtores de flores de corte. São as importações de flores de países como Colômbia, Equador e Holanda. Todos pesos- pesados no cenário mundial. Baseando- se nas melhorias obtidas pelo setor nos últimos anos, pode-se concluir que os produtores nacionais estão aptos a competir com vantagens no nosso mercado.