Biomassa

O potencial do SORGO no setor energético

No espaço ocioso na renovação do canavial, entre novembro e março, pode ser cultivado o sorgo para biomassa, uma cultura de ciclo rápido

Tatiana Gonsalves, engenheira agrônoma, diretora comercial da Nexsteppe Brasil

A atual crise energética pela qual o Brasil passa atualmente tem causado mudanças no cenário das matrizes geradoras. Antes coadjuvantes, matrizes complementares à produção hidrelétrica tornam-se decisivas na mitigação do atual risco de racionamento. Além disso, a demanda continua a aumentar. Entre 2013 e 2014, o consumo cresceu 3,6% e a previsão é que a demanda por energia aumente em mais de 50% até 2030.

É preciso gerar mais energia para que o País continue crescendo e um dos atores que está colaborando para esse propósito de forma escalável, sustentável e economicamente eficiente é a biomassa. Atualmente, 30% da energia elétrica utilizada no Brasil, dos 4 mil gigawatts (GW) gerados, provêm de usinas térmicas, que usam combustíveis fósseis e cuja produção é, geralmente, mais cara que a hidrelétrica. Em 2013, o acionamento das térmicas custou R$ 10 bilhões.

O bagaço de cana já vem sendo tradicionalmente usado há muito tempo como fonte de energia para operar em usinas de açúcar. O aumento do spot do megawatt/hora (MWh) para até R$ 800 e a estiagem prolongada que levou os reservatórios das hidrelétricas a níveis alarmantes de esvaziamento apenas confirmaram aos usineiros brasileiros que o investimento em cogeração realizado em parte das usinas brasileiras há anos pode ter ainda mais espaço nos próximos anos. Além do potencial de representar uma terceira fonte de receita para a usina (além do etanol e açúcar), essa geração de energia elétrica apresenta um grande benefício no quesito economia de linhas de transmissão, uma vez que a produção da energia se dá nos mesmos Estados que possuem alto consumo, como a região Sudeste e parte da Centro-Oeste.

Os sinais mostram um cenário positivo de incentivo e crescimento para o sorgo biomassa, avalia Tatiana

Contudo, a safra de cana também sofreu influência de fatores climáticos, reduzindo a expectativa de colheita e, consequentemente, a disponibilidade de bagaço para produção de energia, e também foi afetada. A saída encontrada foi complementar seu fornecimento de biomassa por meio da utilização da biomassa dedicada, proveniente de um cultivo específico para essa finalidade.

Registrado no ano passado como o híbrido Palo Alto no Ministério da Agricultura, o primeiro sorgo-energia com finalidade específica de cultivo de biomassa dedicada para a bioenergia, é uma cultura de ciclo explosivo, que atinge o ponto de colheita e queima eficiente em caldeiras em até 120 dias, fornecendo excelentes rendimentos de biomassa lignocelulósica por hectare, e níveis de umidade que permitem sua queima direta após a colheita. Essa biomassa armazenável pode ser utilizada tanto para fornecer matéria-prima para a caldeira fora do período de moagem, quanto para aumentar a produção da caldeira durante todo o ano.

O setor de cana renova entre 12% e 16% de seu canavial todos os anos. Esse número pode ser maior ou menor devido ao momento econômico do setor. Todos os anos, áreas de baixa produtividade são liberadas para reforma. Parte desse espaço fica ocioso entre novembro e março, representando ótima oportunidade para o cultivo de uma cultura de ciclo rápido que possui aderência ao negócio da usina.

Com alternativas complementares como o Palo Alto, diversas usinas de açúcar e álcool poderão ampliar seus projetos de cogeração e/ou até mesmo iniciar sua participação nesse mercado, gerando novas fontes de renda para um setor que passa por um momento desafiador, e contribuindo para a melhoria da matriz energética brasileira. Uma maior participação desse setor na malha energética do País trará contribuições estratégicas e significativas no que diz respeito aos custos e investimentos em linhas de transmissão, no incentivo à produção agrícola e na garantia de fornecimento de energia às Fotos: Nexsteppe Os sinais mostram um cenário positivo de incentivo e crescimento para o sorgo biomassa, avalia Tatiana indústrias e ao consumidor final.

Os sinais mostram um cenário positivo de incentivo e crescimento para o sorgo biomassa. Segundo dados da Câmara de Comercialização da Energia Elétrica (CCEE), foram exportados para o sistema elétrico nacional em fevereiro deste ano 280 mil MWh de energia de biomassa. Dados do Balanço Energético Nacional (BEM) de 2014 mostram que o aumento da participação da biomassa como matriz energética brasileira aumentou 19,2%. Em outubro, o leilão de energia A-5, organizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), vai destacar a venda de energia gerada em termelétricas, utilizando matérias-primas como gás, combustíveis fósseis e a biomassa. Diante desse contexto, o sorgo Palo Alto como matéria-prima para produção de energia garante o fornecimento de bioenergia por prazos longos a preços mais competitivos e desponta como confiável opção para investimento.