Notícias da Argentina

 

SOJA: EFEITOS DA DISTORÇÃO

A lentidão percebida no mercado da soja é irrefutável quando são contrastados os números do ciclo atual com a taxa média nos anos anteriores para esta época. Em meados de junho, haviam sido negociados apenas 38% das mais de 55 milhões de toneladas projetadas pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires para a temporada 2013/2014. O número é bem distante dos 55% de média dos últimos nove anos. Segundo o analista Iván Barbero, esse fato deve-se às perspectivas de desvalorização e às distorções do mercado cambiário (diferença entre o dólar paralelo e o oficial), o que, em conjunto, reflete no ceticismo que existe entre os produtores em relação à moeda local. Atrasar as vendas permite uma renda maior em termos nominais, ao mesmo tempo em que pode neutralizar o efeito de distorção da taxa de câmbio em relação à compra de insumos para a próxima temporada.


PESQUISA COM FORRAGEIRA

Um trabalho conjunto entre pesquisadores da Argentina e da Austrália conseguiu sequenciar, pela primeira vez, o genoma funcional de uma espécie forrageira nativa do país (pasto miel), e isolar genes de lignina, que afetam a digestibilidade dessa gramínea de verão. O resultado do estudo promete um grande impacto para a produtividade da pecuária, uma vez que cada ponto percentual de redução de lignina poderá representar uma melhora de 21% na produção de leite ou carne. Como resultado das investigações, foram obtidos materiais transgênicos das cultivares Primo e Relincho, desenvolvidos pela Faculdade de Agronomia da Universidade de Buenos Aires (UBA). Depois de análises moleculares na Austrália, esses materiais serão avaliados em condições de campo na Argentina.


PECUÁRIA MAIS CARA

O Mercosul tem sido uma das poucas regiões do planeta capaz de produzir carne de qualidade e em quantidade suficiente para atender uma demanda crescente. No entanto, além dos obstáculos enfrentados pela nossa pecuária, a inter-relação de preços com os parceiros do bloco permite perceber a posição da cadeia argentina. Segundo análises do mercado, até o final de junho, o custo do novilho para o exportador argentino foi 15% superior em comparação com a média dos outros países- membros do Mercosul. O índice coincide com os direitos de exportação cobrados na Argentina.


TRIGO

No início de julho, cerca de 50% da área estimada para o cereal, de 4,3 milhões de hectares, havia sido plantada. As chuvas complicaram bastante os trabalhos de implantação da lavoura.

SOJA

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires mantém a estimativa de produção do país em torno de 55,5 milhões de toneladas.

LEITE

Os produtores vêm recebendo US$ 0,375 (dólar oficial) ou US$ 0,25 (dólar paralelo) pelo litro do leite.

CARNE

O novilho precoce, a categoria mais representativa da pecuária argentina, é comercializado por valores em torno de US$ 2,2 (dólar oficial) ou US$ 1,46 (paralelo) por quilo vivo.


DIFICULDADES NO LEITE

O chefe de Gabinete dos Ministros da Argentina, Jorge Capitanich, disse aos produtores de leite o que eles não gostariam de escutar: “Considero que 3 pesos (por litro) é um valor satisfatório para os produtores de leite”, afirmou o governante, deixando evidente a participação do Governo no setor. Capitanich ainda salientou que o problema da cadeia produtiva é a falta de financiamento – análise correta, porém, incompleta – e anunciou uma linha de crédito. Em seguida, convocou os produtores a ampliarem o número de vacas em produção e a presença exportadora do país nos mercados globais. Antes, o secretário de Comércio, Augusto Costa, afirmou que o Governo não aprovaria licenças de exportação às indústrias que pagam mais de 3 pesos por litro. A justificativa é, mais uma vez, proteger o mercado interno. Assim, a atividade desenvolve-se em meio a um clima rarefeito pela falta de transparência e de critérios que parecem repetir uma história de fracassos e estagnação setorial.