Agricultura Familiar

 

O papel da COOPERATIVA para a sustentabilidade dos agricultores

Luiz Lourenço, presidente do Conselho de Administração da cooperativa Cocamar

A região Norte do Paraná é reconhecida pela exuberância de suas terras. São solos de alta fertilidade e produtores laboriosos que contribuem para que o Estado seja um dos principais fornecedores de alimentos do País. O próprio sistema de colonização, baseado em pequenas propriedades, moldou uma realidade favorável ao fortalecimento de cooperativas, e a cooperativa Cocamar é um belo exemplo disso. Fundada em 1963 para congregar produtores de café, a instituição enxergou a necessidade de diversificar os negócios e, ao final da década de 1970, já havia incentivado o avanço das culturas mecanizadas de grãos – soja, principalmente, construído vários armazéns graneleiros em sua região e implantado até mesmo uma indústria para extração de óleo.

Nos anos 1980, vários outros negócios foram incorporados e o parque industrial cresceu. Hoje, a Cocamar detém um dos maiores e mais diversificados parques industriais do cooperativismo brasileiro, atua no recebimento de soja, milho, trigo, café e laranja, oferece apoio importante ao desenvolvimento tecnológico de seus 12 mil produtores associados, mantém uma vasta linha de produtos industrializados nas gôndolas dos Flamma Comunicação supermercados em grande parte do País e planeja chegar ao final de 2014 com um faturamento ao redor de R$ 3 bilhões.

Há investimento pesado na ampliação de estruturas operacionais e de armazenamento para acompanhar entregas de volumes cada vez maiores de grãos. Nos últimos anos, houve avanço para diversos outros municípios do norte do Paraná e a cooperativa chegou ao Oeste paulista e Sudoeste do Mato Grosso do Sul. A Cocamar está determinada a crescer e faz isso de olho em oportunidades que surgem em novas regiões.

Porém, uma das grandes preocupações da cooperativa é contribuir para que os cooperados continuem modernizando seus negócios e estejam preparados para os desafios que se impõem todos os anos. Não se fala apenas das inconstâncias climáticas que, de vez em quando, prejudicam as lavouras. E nem das variações dos preços no mercado. O foco é oferecer oportunidades com que eles incorporem todas as tecnologias disponíveis visando ampliar sua produtividade. Há ainda um grande potencial a explorar, nesse sentido, e não só na chamada “terra roxa”.

A Cocamar promove eventos como dias de campo, encontros técnicos e palestras nos quais apresenta temas como a importância das boas práticas agrícolas, do uso da agricultura de precisão e de pacotes tecnológicos adequados

A Cocamar foi uma das primeiras, há quase 20 anos, a apostar em programas inovadores e sustentáveis como a integração lavoura-pecuária-floresta, algo que se encaixa como uma luva na região de solos arenosos do Noroeste paranaense. Se alguns ainda imaginam que solo arenoso serve apenas para pecuária extensiva – e grande parte dos pastos está degradada, o que resulta em baixo retorno econômico – há muitos outros, felizmente, que, caso já conheceram as vantagens e os benefícios de implantar um projeto bem conduzido de integração, colhem resultados extraordinários.

Dias de campo — A cooperativa promove inúmeros dias de campo, encontros técnicos e palestras nos quais apresenta, por exemplo, a importância da rotação de culturas, das boas práticas agrícolas, do uso da agricultura de precisão e de pacotes tecnológicos adequados. Para demonstrar que é possível avançar, há anos desenvolve um programa de aumento de produtividade e sustentabilidade de soja entre cooperados referenciais, sob o acompanhamento de consultores renomados e algumas das principais instituições de pesquisa do País. E, há três anos, um concurso de produtividade de soja revela que a cooperativa está no caminho certo, com vencedores superando a média de 200 sacas por alqueire.

Com a tendência de aumento dos estoques globais de grãos e uma previsível queda de cotações, investir na competitividade dos produtores é algo que precisa merecer a maior atenção e a cooperativa está fazendo a sua parte. Todos os anos, a cooperativa repassa grande quantidade de calcário a custos subsidiados e observa, no campo, uma saudável mudança de atitude, com o avanço do profissionalismo e da mentalidade empresarial. Investe-se também na preparação da família como forma de sustentar esse círculo evolutivo que não pode prescindir da participação das esposas e dos filhos. Para isso, esses públicos contam com programas especiais de envolvimento com a cooperativa, que funcionam o ano inteiro. A família, aliás, que é a base e a razão do cooperativismo.

E, quando se fala no futuro, vê-se que o papel da cooperativa é cada vez mais importante, exigindo, portanto, que seja fortalecida. É uma empresa, afinal, que pertence aos seus associados e familiares, propiciando conquistas históricas que seriam impensáveis sob a égide do individualismo.