Agribusiness

TRIGO
COTAÇÕES SEGUEM RUMO AOS PREÇOS MÍNIMOS DO GOVERNO

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A dinâmica de comercialização no mercado doméstico de trigo segue sem grandes alterações. Os compradores, abastecidos, colocam-se em uma posição defensiva e forçam uma retração mais acentuada das cotações. “Os vendedores têm se mostrado mais flexíveis em suas pedidas, porém, continuam encontrando dificuldade em colocar os lotes remanescentes no mercado”, diz o analista de Safras & Mercado Elcio Bento. Em muitas regiões do Rio Grande do Sul, a indicação para o trigo pão tipo 01 já se encontra abaixo do mínimo estipulado para o Governo na próxima temporada (R$ 557,50/tonelada). Nesse caso, quem não encontrar problemas com armazenagem poderá optar por segurar o cereal e vender como sendo da safra nova nas esperadas intervenções governamentais. Mantido o atual cenário internacional e as estimativas de produção nos exportadores mercosulinos e no Brasil, os preços domésticos em todas as regiões chegarão aos mínimos referenciados pelo Governo em breve.

O Brasil iniciará a temporada 2014/15 em agosto com 1,572 milhão de toneladas em estoques. A produção, sem maiores perdas por fatores climáticos, deve ser de 8,175 milhões. As importações serão menores que na temporada anterior, mesmo assim, por questões qualitativas e pelo preço acessível, deve alcançar cerca de 5 milhões de toneladas em grão e 500 mil em farinha (equivalente grão). Com isso, a oferta total atingirá 15,247 milhões de toneladas (recorde). O consumo (industrial, ração e semente) é estimado em 11,500 milhões. Com isso, o excedente seria de 3,747 milhões. Um excedente desse montante não teria como ficar no País sem achatar as cotações de forma demasiada. Por isso, o Governo precisará retirar entre 1,500 milhão e 2 milhões de toneladas do mercado.


ARROZ
MERCADO GAÚCHO COM LEVE TENDÊNCIA DE QUEDA

Rodrigo Ramos - [email protected]

O preço médio do arroz em casca, no mercado do Rio Grande do Sul – principal referencial nacional, encerrou a primeira quinzena de julho com uma leve tendência de queda, devido à crescente oferta por parte de alguns produtores e ao baixo interesse de compra por parte das indústrias. “As mesmas estão retraídas, esperando uma oportunidade para adquirir o cereal com um valor mais vantajoso”, explica o analista de Safras & Mercado João Giménez Nogueira. Enquanto isso, os produtores que precisam “fazer receita” estão vendendo o seu produto de forma fracionada, o que pressiona a cotação – mas não muito. “E os mais capitalizados ainda estocam o produto, aguardando uma recuperação nos valores”, frisa o analista. A cotação média da saca de 50 quilos de arroz gaúcho terminou o dia 16 de julho em R$ 35,50, o que representa uma variação negativa de 0,4% em relação à semana anterior, de R$ 35,65 por saca.

O décimo levantamento da Conab para a safra 2013/14 indica produção de 12,184 milhões de toneladas, acréscimo de 3,1% sobre as 11,819 milhões de toneladas de 2012/13. No levantamento anterior, eram esperadas 12,250 milhões de toneladas. A área plantada em 2013/14 foi estimada em 2,396 milhões de hectares, ante 2,399 milhões semeados na safra 2012/13. A produtividade estimada em 5,085 mil kg/ ha, superior em 3,2% aos 4,926 mil kg na temporada passada. O Rio Grande do Sul deve ter uma safra de 8,112 milhões de toneladas, equivalendo ao avanço de 2,3%. A área prevista é de 1,120 milhão de hectares, ganho de 5% ante os 1,066 milhão de 2012/13, com rendimento esperado de 7.243 quilos por hectare, ante 7.438 quilos da anterior.


SOJA
COM CÂMBIO E CHICAGO EM ALTA, BRASIL TEM MELHOR MÉDIA SEMESTRAL

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O primeiro semestre foi positivo em termos de preço médio para a soja no Brasil. “Tivemos o melhor primeiro semestre já visto do mercado brasileiro. A combinação de cotações elevadas dos contratos futuros em Chicago e um dólar valorizado levaram os preços internos a patamares médios acima do normal para o período”, afirma o analista de Safras & Mercado Luiz Fernando Roque. Em nível de Brasil, no período de janeiro a junho, a cotação média foi de R$ 62,53/ saca. Para comparação, as cotações médias dos últimos três anos, 2013, 2012 e 2011, foram de R$ 55,47, R$ 51,69 e R$ 43,63, respectivamente. Na média acumulada dos últimos cinco anos, a cotação fica em R$ 45,96. Neste semestre, portanto, houve um aumento de 12% em relação às cotações médias registradas na safra anterior.

Em Paranaguá/PR, que tradicionalmente detém as médias de preços mais elevadas do mercado interno, a cotação média foi de R$ 70,07. Nos últimos três anos, as médias foram de R$ 62,81 em 2013, R$ 57,55 em 2012 e R$ 48,65 em 2011. A média acumulada dos últimos cinco anos é de R$ 51,67. Em relação a 2013, houve aumento de 12% no preço médio semestral da saca. Já em Rondonópolis/MT, onde ocorreram as menores médias de preços, a média do primeiro semestre ficou em R$ 58,97. Nos últimos três anos, as médias foram de R$ 51,88 em 2013, R$ 49,98 em 2012 e R$ 41,52 em 2011. Na média acumulada dos últimos cinco anos, a cotação ficou em R$ 43,46. Em relação ao ano passado, aconteceu um aumento de 14% no preço médio semestral da saca.

Voltando-se às duas principais variáveis formadoras dos preços internos, Bolsa de Chicago e dólar, pode-se entender parte desta alta dos preços internos. Em Chicago, com valores relativos à posição spot, no primeiro semestre de 2014 ocorreu uma cotação média de US$ 1.414,18 cents por bushel. Embora seja uma cotação elevada para o período, ela ainda fica um pouco abaixo (3%) da cotação média do mesmo período do ano passado, que foi de US$ 1.461,87 cents por bushel. Na média dos últimos cinco anos, a cotação foi de US$ 1.233,97 cents por bushel. Apesar de um Chicago elevado, mas um pouco mais fraco em relação ao último ano, pode-se ver no dólar um diferencial para a elevação das cotações internas. Com relação à moeda americana, houve uma cotação média no semestre de R$ 2,2960, 13% mais alta em relação à média do mesmo período de 2013, de R$ 2,0318.


ALGODÃO
MERCADO NACIONAL SEGUE COM PREÇOS EM QUEDA

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão encerrou a primeira quinzena de julho mantendo o baixo ritmo de negócios e com preços em queda. No Cif São Paulo, a referência era de R$ 1,80 por libra- peso no dia 16, diferença de 3 centavos ou 1,7% em relação ao praticado na semana anterior. Segundo o analista de Safras & Mercado Rodrigo Neves, a tendência é que as negociações continuem com cotações inferiores às praticadas no ano passado, devido ao bom volume de produto a ser ofertado no mercado. “Além disso, os preços externos também não animam”, lembra, já que a safra norte-americana deverá ser cheia na temporada 2014/15.

O relatório de julho de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), divulgado dia 11, estimou a produção na safra 2014/15 em 16,5 milhões de fardos, ante 15 milhões do relatório do mês anterior. As exportações deverão ficar em 10,20 milhões de fardos, ante 9,7 milhões no relatório passado. O consumo interno foi previsto em 3,80 milhões de fardos, ante 3,7 milhões do relatório anterior. Baseado nas estimativas de produção, exportação e consumo, os estoques finais norte-americanos foram previstos em 5,2 milhões de fardos para a temporada 2014/15, ante 4,3 milhões de fardos do relatório do mês passado. Para a temporada 2013/14, é esperada produção de 12,91 milhões de fardos, exportações de 10,5 milhões, consumo de 3,6 milhões e estoques finais de 2,7 milhões. Em relação aos números globais, o Usda estimou a produção mundial em 116,42 milhões de fardos, ante os 115,92 milhões indicados no mês passado. As exportações mundiais foram estimadas em 35,58 milhões de fardos para 2014/15, ante 35,56 milhões estimados no mês passado.


CAFÉ
AUMENTO DE 11% NO VOLUME EMBARCADO E QUEDA DE 11% NA RECEITA

Lessandro Carvalho - [email protected]

As exportações totais brasileiras de café (verde e solúvel) terminaram a temporada 2013/14 (julho/junho) com um volume acumulado de 34,165 milhões de sacas de 60 quilos, um aumento de 11% no comparativo com 2012/13 (30,896 milhões de sacas). Os números são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). A receita fechada de 2013/ 14 foi de US$ 5,359 bilhões, recuo de 11% contra o mesmo período de 2012/ 13 (US$ 6,024 bilhões). Isso foi o resultado de preços médios mais baixos nas exportações na temporada. A cotação média da saca ficou em US$ 156,87, queda de 20% em relação ao preço médio da temporada anterior.

Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, o aumento das exportações foi influenciado pela agressividade da demanda no início do ano, com a quebra da safra brasileira e medo da falta de produto. O comprador abandonou a estratégia de comprar da “mão para boca” e assumiu uma postura mais agressiva. “Já a receita não acompanhou a performance do volume embarcado, devido à primeira metade da temporada (jul/dez) de preços muitos fracos no mercado internacional”, avalia.

As exportações totais tiveram um volume acumulado nos seis primeiros meses de 2014 de 17,470 milhões de sacas de 60 quilos, incremento de 14% no comparativo com o mesmo período de 2013 (15,307 milhões de sacas). A receita janeiro-junho de 2014 chega a US$ 2,879 bilhões, aumento de 5% no comparativo com igual intervalo de 2013 (US$ 2,752 bilhões). Tomando-se somente junho de 2014, as exportações foram de 2,892 milhões de sacas, aumento de 23% contra junho de 2013 (2,354 milhões). A receita em junho foi de US$ 544,76 milhões, 40% a mais que em junho/13 (US$ 390,3 milhões).


MILHO
CICLO DE BAIXOS PREÇOS DEVE SE PROLONGAR NO MERCADO INTERNO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou o segundo semestre com um cenário pouco animador para os preços, que poderá se estender nos próximos meses. Para o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, esse quadro decorre da pressão da oferta proveniente da safrinha, da expectativa de uma grande safra nos Estados Unidos e da decisão dos produtores de adotar uma retenção de venda muito excessiva. “Infelizmente, o setor não aproveitou as oportunidades para comercializar muito bem a safra verão e deixou de vender uma grande parcela da safrinha 2014 de forma antecipada”, comenta. Molinari entende que a postura dos produtores em tentar reter as ofertas provenientes da segunda safra para tentar neutralizar a pressão de colheita neste momento é preocupante diante da elevada disponibilidade de milho. “Não estamos falando de um excedente de 3 milhões a 4 milhões de toneladas, mas de 25 milhões de toneladas além da capacidade interna de consumo. Se não procurarmos a exportação, a retenção de milho somente alongará o quadro de baixos preços”, alerta.

O analista destaca que até junho o Brasil exportou apenas 2,4 milhões de toneladas no ano comercial. “Haverá melhores embarques entre julho e setembro, envolvendo de 4 milhões a 5 milhões de toneladas, mas nada que lembre o fluxo mensal de embarques de 3 milhões registrado em 2013. Além disso, daqui para frente, o espaço internacional para que o Brasil possa vender grandes volumes de forma imediata tende a ficar cada vez mais limitado”, informa. No cenário internacional, o quadro baixista de preços também preocupa bastante e pode desestimular ainda mais os preços internos do milho. As cotações de milho na Bolsa de Mercadorias de Chicago, neste mês de julho, atingiram preços abaixo de US$ 4 por bushel, os menores patamares em quatro anos, o que reflete diretamente na realidade interna de preços de muitos Estados produtores, especialmente de safrinha. “Temendo um recuo ainda maior nas cotações, muitos Estados com excedentes de oferta têm solicitado junto ao Ministério da Agricultura a realização de leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), que estão em estudo pelo Governo”, pontua.