Agribusiness

TRIGO

MERCADO BRASILEIRO COM PREÇOS EM QUEDA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O mercado de trigo apresentou retrações nos referenciais de preços durante o mês de junho. No Paraná, a base de compra encerrou com uma média de R$ 813,33 a tonelada no Fob, com queda de 1,21% em relação à semana anterior. No Rio Grande do Sul, a queda foi de 1,56%, com a tonelada cotada a R$ 1,56. A expectativa dos produtores do Rio Grande do Sul era sobre a possibilidade de redução do ICMS, de 8% para 2%. Porém, foram surpreendidos pelo anúncio (ainda não publicado) de que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) reduziria a Tarifa Externa Comum (TEC) para mais um milhão de toneladas até o final da primeira quinzena de agosto. Essa decisão deve ter sido influenciada pelos números de inflação na primeira metade de junho, que se elevaram. Vale destacar que, mesmo sem a isenção da taxa, o Brasil vinha se destacando entre os principais destinos das exportações norte-americanas de trigo. O resultado dessa medida é uma pressão ainda maior sobre as cotações domésticas, que já operavam em um canal de baixa, devido à forte queda dos preços internacionais e à proximidade de uma safra recorde no País. Sem a TEC, o trigo Hard Red Winter dos Estados Unidos já seria mais acessível aos grandes compradores do Sudeste do que o paranaense aos atuais patamares. Assim, para manter a paridade de importação, as cotações internas precisam recuar. Um recuo dos preços do Paraná reduz a competitividade do cereal gaúcho, que vinha sendo uma alternativa para que a indústria paranaense o usasse para mescla e reduzisse o custo da matéria-prima. Para atenuar os reflexos da medida, o setor produtivo do RS seguirá pedindo a redução do ICMS para venda para outras Unidades da Federação. Especula-se que o imposto será reduzido de 8% para 2%, exceto para PR e SC.


ARROZ

MERCADO GAÚCHO ESTÁ TRAVADO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado de arroz no Rio Grande do Sul, maior produtor, fechou a terceira semana de junho com o preço médio de R$ 36 a saca de 50 quilos. Se comparado com maio, havia um acréscimo de 0,7%, quando valia R$ 35,75. Em relação ao mesmo período do ano anterior, existia uma elevação na cotação de cerca de 8,2%, quando fechado em R$ 33,28. Em função da Copa do Mundo e da pouca procura por parte das indústrias, o mercado encontra-se travado. “Além disso, alguns produtores continuam com a estratégia de manter o seu produto estocado, fazendo uma pressão altista nos preços”, acrescenta o analista de Safras João Giménez Nogueira.

A balança comercial foi positiva nos primeiros três meses da temporada 2014/ 15, com superávit de 164,3 mil toneladas no primeiro trimestre do ano comercial, período de março a maio. Foram 383,3 mil toneladas exportadas, contra 218,9 mil importadas. Do total exportado, 96% é proveniente do Rio Grande do Sul. Na comparação entre os três primeiros meses comerciais dos últimos seis anos, a quantidade de arroz exportado só não é maior que a de 2012, quando os preços baixos do mercado interno e a ausência de barreiras tributárias pela Nigéria possibilitaram a exportação de 556,9 mil toneladas. Em relação ao mesmo período do ano passado, as exportações cresceram 66% e as importações caíram 32%. Entre março e maio de 2013, a balança comercial apresentou um déficit de 92,8 mil toneladas. No cenário internacional, destaque para a China, que importou 270.982 mil toneladas em maio, avanço de 68,78% ante maio de 2013.


SOJA

DEMANDA NO BRASIL SEGUE AQUECIDA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

Os últimos dias foram marcados pela divulgação dos acompanhamentos mensais de demanda de soja no Brasil, seja com os números de processamento de abril, seja com os números de exportações de maio. Com isso, é possível atualizar o quadro de evolução de demanda no País e projetar a posição dos estoques em 1º de junho. E o resultado foi a percepção de que o ritmo de consumo para a soja brasileira permanece elevado. Entre fevereiro e maio, com números projetados para a indústria em 100% das empresas, há oferta total aumentando 6% sobre igual período do ano passado, e demanda avançando 14%. Em função disso, embora a safra seja maior em 5%, os estoques são estimados em 47,410 milhões de toneladas, praticamente estabilizados em relação aos 47,302 milhões do mesmo momento do ano que passou. Entre janeiro e maio, a estimativa é que o processamento tenha chegado a 14,189 milhões de toneladas, 4% inferior aos 14,799 milhões do ano anterior. De fevereiro a maio, esse volume seria de 12,704 milhões de toneladas, 3% menor que os 13,048 milhões anteriores. Entretanto, com a mudança na mistura de biodiesel no diesel consumido no País de 5% para 6% a partir de julho, e depois a 7% em novembro, esse consumo certamente irá se acelerar no segundo semestre.

Enquanto isso, as exportações de janeiro a maio já chegam a 24,910 milhões de toneladas, 27% superior às 19,602 milhões do ano passado, até aqui confirmando novo recorde. Nesse caso, espera- se por diminuição de ritmo a partir de agora, embora mantendo sempre avanços no acumulado sobre o ano passado. O apetite chinês por soja segue em alta nesta temporada e o volume de importações divulgado para maio voltou a registrar novo recorde mensal (comparado ao mesmo mês em anos anteriores). Segundo o Ministério do Comércio da China, as internalizações do grão no mês anterior ficaram em 5,970 milhões de toneladas, 18% acima dos 5,060 milhões de maio de 2013, e o maior volume da história para o período.

Se considerados os oito meses da temporada comercial mundial 2013/14, iniciada em outubro, já são sete meses de números recordes mensais. Desde janeiro, o volume acumulado de compras está em 27,812 milhões de toneladas, 35% superior aos 20,560 milhões do ano passado. Desse volume, 19,170 milhões, ou 69% do total, foram originadas no Brasil. No ano anterior, o volume estava em 15,625 milhões de toneladas, representando 76% do total. A expectativa é que esses volumes permaneçam expressivos nos próximos meses, notadamente se a safra se confirmar cheia nos EUA e os preços diminuírem de patamar a partir de setembro.


ALGODÃO

MERCADO NACIONAL COM POUCOS NEGÓCIOS

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão seguiu travado ao final da terceira semana de junho, com poucos negócios, consequência direta do baixo interesse na ponta compradora da cadeia têxtil. No Cif São Paulo, o preço era de R$ 1,88 por libra-peso no dia 18, ante R$ 1,89 no dia 12. Em relação a maio, existia queda de 1%. As exportações brasileiras de algodão somaram 11,1 mil toneladas até a segunda semana de junho, com média diária de 1,1 mil toneladas. A receita com as vendas ao exterior totalizou US$ 22,1 milhões, com média de US$ 2,2 milhões. O preço médio é de US$ 1.981,70 por tonelada. Na comparação com maio, houve recuo de 25,3% na média diária de receita e queda de 25,6% no volume. O preço avançou 0,5%. Se for comparado o mesmo mês do ano que passou, há elevação de 67,5% na receita, avanço de 58% no volume e ganho de 6% no preço.

No cenário internacional, destaque para as importações pela China, de 191.513 toneladas em maio, volume 44,6% inferior ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, as importações do produto somaram 1,2 milhão de toneladas, recuo de 45,1% ante igual período do ano passado. A China é o maior produtor, consumidor e importador de algodão. As vendas líquidas norte-americanas de algodão (upland), referentes à temporada 2013/ 14, iniciada em 1º de agosto, ficaram em 153.100 fardos na semana encerrada em 12 de junho, com ganho considerável sobre a semana anterior e de 4% sobre a média das últimas quatro semanas. O principal comprador foi a Indonésia, com 62.900 fardos. Para a temporada 2014/15, houve vendas líquidas de 103.300 fardos. As informações são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda).


CAFÉ

PRODUÇÃO MUNDIAL DEVE CAIR 1% EM 2014/15

Lessandro Carvalho - [email protected]

A produção mundial de café em 2014/ 15 deverá totalizar 148,671 milhões de sacas de 60 quilos, diminuição de 0,98% em relação à safra 2013/14, indicada em 150,145 milhões de sacas. A estimativa é do Usda. A queda na produção global vem principalmente em função da redução na colheita esperada para o Brasil no ano, prejudicada pelo clima seco e quente no começo do ano, explica o Usda. Entretanto, o Usda coloca que esse problema brasileiro, em termos mundiais, será em parte compensado pela recuperação na safra da Colômbia e da América Central. Já as exportações globais e o consumo estão estimados em níveis recordes, o que deve intensificar o aperto dos estoques.

O Usda aponta a produção brasileira total de 2014/15 em 49,5 milhões de sacas, contra 53,7 milhões de 2013/14, o que evidencia uma baixa de 7,8%. A safra brasileira deverá diminuir pelo segundo ano consecutivo, marcando a primeira quebra do ciclo bienal do café arábica em 20 anos, com uma produção 21% menor que a do último ano de safra cheia. O Usda reitera que uma estiagem prolongada e ainda altas temperaturas em MG e SP (responsáveis por 80% da produção arábica) afetaram seriamente o enchimento e o desenvolvimento dos grãos. Já a produção do robusta deve alcançar nível recorde (16,4 milhões de sacas), em função da recuperação da safra do ES, principal produtor, que em 2013 foi afetada pelo clima. O consumo total de café em 2014/ 15, segundo o Usda, deverá atingir 147,71 milhões de sacas, aumento de 1,5% contra 2013/14 (145,583 milhões). Isso deve gerar um superávit entre oferta e demanda de 960 mil sacas. Os estoques finais totais em 2014/15 deverão cair para 32,116 milhões de sacas, contra 36,029 milhões em 2013/14.


MILHO

SAFRINHA CHEIA PRESSIONA MERCADO BRASILEIRO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho chegou à última semana de junho bastante pressionado pela expectativa de uma safrinha cheia no País e pelo quadro favorável de desenvolvimento das lavouras norte-americanas. “Embora inferior às 45,204 milhões de toneladas obtidas em 2013, a expectativa da segunda safra brasileira de milho, de 43,976 milhões de toneladas, segundo a mais recente estimativa de Safras & Mercado, é um fator adicional de pressão ao mercado”, avalia o analista Paulo Molinari. Essa projeção foi possível em razão da área recorde cultivada na safrinha deste ano, que alcançou 8,033 milhões de hectares, 0,5% superior à do ano passado. “Tivemos uma redução de área menor que a prevista no Mato Grosso e no Paraná, maiores Estados produtores de safrinha, que foi compensada pelo cultivo recorde em Mato Grosso do Sul e Goiás”, comenta.

Molinari acrescenta que as chuvas em abril e maio foram muito favoráveis às lavouras no Centro-Oeste, as temperaturas médias benéficas ao desenvolvimento das lavouras na fase de pendoamento e não houve geadas no Paraná, no Mato Grosso do Sul e no Paraguai, o que manteve o potencial de produção positivo. “O único ponto desfavorável na safrinha em relação à anterior foi a menor tecnologia aplicada e o registro de alguns plantios fora da janela ideal em algumas regiões”, pontua.

No cenário externo, Molinari ressalta que as lavouras norte-americanas seguem com bom aspecto, apesar do registro de chuvas em excesso em partes do cinturão produtor, fator que já trouxe alguma especulação ao mercado, nos últimos dias, em termos de uma possível queda na estimativa recorde de produção, de 13,935 bilhões de bushels. “O mercado, a partir de agora, passará a estar atento ao período crítico de polinização das lavouras estado-unidenses. Se as expectativas de clima seguirem favoráveis, as pressões sobre as cotações seguirão ocorrendo em julho. Se houver indicativos de problemas, uma volatilidade de alta poderá ocorrer novamente no quadro de preços mundial”, conclui.