Florestas

 

EXPOFOREST bate recordes em vendas

Aterceira edição da Expoforest - Feira Florestal Brasileira, evento realizado em Mogi Guaçu/SP, em maio, bateu recordes de visitação e de negócios. Foram exatos 25.107 visitantes, profissionais procedentes de todos os Estados brasileiros e ainda dos seguintes países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Áustria, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Congo, Equador, Espanha, EUA, Finlândia, Hungria, Índia, Itália, Japão, Paraguai, Peru, Portugal, República Tcheca, Senegal, Suécia, Suíça, Uruguai e Venezuela. Nos três dias do evento, o volume contabilizado de negócios em máquinas e equipamentos atingiu R$ 152 milhões.

“Estes números comprovam que a cada edição a Expoforest se consolida como um evento que propicia a realização de bons negócios. Sem contar que mostra a força e o crescimento do setor de florestas plantadas”, avaliou o diretor de negócios da Expoforest, Rafael Malinovski. O evento teve 208 expositores que apresentaram suas máquinas e seus equipamentos de forma dinâmica e estática. “Novamente o público visitante pôde acompanhar os principais lançamentos do mercado sendo operados in loco e observar as vantagens de cada um”, destaca Malinovski. A próxima edição da Expoforest, de acordo com a empresa promotora da feira, a Malinovski Florestal, está programada para 2017.

Eventos de discussão — Na semana anterior à feira, em Campinas/ SP, a Semana Florestal Brasileira reuniu profissionais do setor florestal para discutir a situação atual e as perspectivas para o segmento, além de apresentar lançamentos e tecnologia para operações florestais. Foram dois eventos técnicos: o 17º Seminário de Atualização em Sistemas de Colheita de Madeira e Transporte Florestal e o 3º Encontro Brasileiro de Silvicultura, que sediou 39 palestras ministradas por profissionais com vasta experiência em suas áreas de atuação. Mais de 1.200 pessoas acompanharam os eventos. O Encontro Silvicultura abordou o tema “mecanização e automação na silvicultura”. O coordenador de silvicultura da Eldorado Celulose e Papel, Pedro Mexias, descreveu que a empresa investiu no veículo aéreo não tripulado (Vant), utilizando-o para trabalhos como visualização de locais de difícil acesso, caracterização do uso do solo, análise de sobrevivência de plantio, avaliação rápida de incêndios, detecção de danos em plantações, monitoramento das áreas de recuperação e conservação ambiental e avaliação de área pós-colheita. O Vant também tem sido utilizado para monitoramento do desenvolvimento da floresta, de corte, geração de mapas pós-plantio e prova do trabalho realizado.

O chefe do Departamento de Ciência do Solo da Universidade Federal de Lavras/MG, Moacir de Souza Dias Junior, apresentou resultados de pesquisa para uma metodologia de avaliação de impactos da operação de colheita de madeira na compactação do solo. “A partir da década de 1990, a colheita florestal passou a ser tecnologicamente avançada, mas o uso desses equipamentos pode promover degradação da estrutura do solo, devido ao aumento da frequência do tráfego causando compactação do solo”, advertiu. “Para minimizar o risco de ocorrer compactação do solo, o tráfego das operações da colheita florestal deve ser feito considerando a pressão de pré-consolidação, que é uma medida da capacidade de suporte de carga do solo”, afirmou o professor. Para isso, foi desenvolvida metodologia para obtenção dos modelos de capacidade de suporte de carga, que conjuga pressão de pré-consolidação em função da umidade e ensaios de compressão uniaxial. Foram apresentadas análises com as diferentes formas de colheita florestal mecanizada. “A aplicação da metodologia, no início, traz um trabalho intenso, mas de aplicação extremamente prática”.

Colheita — Já Sergio da Silveira Borenstain, diretor florestal da Veracel, falou sobre a mudança no processo de colheita florestal com interação na silvicultura realizada pela empresa. O trabalho avaliou técnica e economicamente o uso do equipamento Feller Buncher para a derrubada de árvores, combinado com o sistema de colheita florestal baseado em Harvester e Forwarder. “A nossa intenção era avaliar a produtividade HV e FW; eliminar a operação de rebaixamento de toco em áreas de reforma e ter um melhor aproveitamento da madeira”, explicou. Como resultado, o sistema avaliado apresentou ganhos no processo de colheita com o aumento da produção. “Tivemos aumento da produtividade e de horas trabalhadas e redução de custo, além de menor capital imobilizado”. E o número de equipamentos utilizados também foi reduzido.

O coordenador de silvicultura da Klabin, Edesio Paulo Bortolas, abordou o preparo do solo na busca de produtividade e redução do custo operacional. Em uma de suas fazendas, a empresa investiu em equipe e metodologia própria para o preparo de solo. “De coveamento manual passamos para escavadeiras hidráulicas; de limpa trilho mais subsolador investimos em um Conjunto D85 + Savannah + Arado + Vshear”, descreveu. As vantagens foram as seguintes: possibilidade de preparo em áreas de maior declividade e com presença de resíduos e tocos; realinhamento de plantios com flexibilidade nos espaçamentos; maior volume e homogeneidade de solo preparado; qualidade da linha de preparo, com acabamento pré-emergente; redução do número de tratos culturais e do custo operacional.

No entanto, algumas desvantagens precisam ser melhor trabalhadas, como o alto custo de investimento, a inexistência de máquinas base voltadas especificamente para a área florestal, o desgaste prematuro do material rodante e o aquecimento com trabalho contínuo, o que torna necessária uma equipe de manutenção a postos, e a dificuldade de implementar via prestador de serviços. “Mesmo com essas questões, estamos hoje com o preparo 100% mecanizado, com previsão de 12 mil hectares para 2014”, revelou. “O procedimento tem garantido redução de mão de obra e de custo/hectare, além de análises preliminares indicarem melhor arranque inicial das mudas. Todo esse trabalho é pioneiro na área e uma quebra de paradigmas”.

Caio Zanardo, gerente geral de planejamento e desenvolvimento de florestas da Fibria, tratou da mecanização e sua interface com silvicultura de precisão. “O tema silvicultura de precisão já é falado e comentado há 20 anos, e de lá para cá diversos gargalos foram solucionados e atualmente o setor já está maduro o suficiente para que os resultados efetivos possam ser capturados”, analisou. Zanardo compartilhou algumas vivências e percepções da empresa. As variáveis espaciais, com coleta de dados e processamento, são constantes. “Esse passo não é novo e já está consolidado na maioria das empresas florestais. A questão neste item é como transformar esta informação em inteligência”, avaliou.