Indústria

 

BASF amplia investimentos

Em evento realizado nos Estados Unidos, a indústria anunciou novidades e o incremento dos negócios na área agrícola

Denise Saueressig*
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Diante do aumento da demanda por tecnologia capaz de gerar mais alimentos para uma população em crescimento, a Basf anuncia a ampliação dos investimentos na área agrícola. Os negócios da indústria no segmento receberão 1,8 bilhão de euros entre 2014 e 2018, valor que é o dobro do que foi aplicado entre 2009 e 2013. “Só é possível produzir comida para 9 bilhões de pessoas em 2050 com uma intensa e inteligente agricultura”, salienta o diretor executivo de pesquisa e membro da Junta Diretiva da Basf, Andreas Kreimeyer. O anúncio sobre os planos da empresa foi feito no mês passado, durante conferência realizada com jornalistas em Durham, no Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Segundo o presidente da divisão de proteção de cultivos da Basf, Markus Heldt, a maior parte dos recursos será voltada à ampliação da produção de defensivos na América do Sul, nos EUA e na Ásia. O planejamento inclui a ampliação do Complexo Químico de Guaratinguetá/ SP, onde os investimentos somam 50 milhões de euros.

Entre as novidades da empresa na área de biotecnologia está um híbrido de milho desenvolvido em parceria com a Monsanto e que oferece tolerância à seca. Lançada no ano passado entre os produtores norte-americanos, o cultivar apresentou bons resultados, com ganhos de produtividade de 314 quilos por hectare. O presidente da Basf Plant Science – a área de biotecnologia da companhia –, Peter Eckes, diz que por enquanto não há planos para introduzir essa tecnologia no Brasil, mas a empresa não descarta expandir o projeto para outros países. Anualmente, a Basf investe 150 milhões de euros em pesquisas direcionadas à biotecnologia.

Para o Brasil, a empresa espera que a soja Cultivance, desenvolvida em parceria com a Embrapa, esteja disponível para safra 2015/16. Aprovada desde 2009 para o plantio comercial, a variedade ainda precisa receber o sinal verde de todos os importadores, o que a Basf espera que ocorra ainda este ano. Outra novidade anunciada pela companhia envolve um inseticida desenvolvido em parceria com a japonesa Mitsui Chemicals Agro. A expectativa é de que o processo de registro ocorra inicialmente no Japão, em 2016 e, a partir de 2017, em outros mercados.

Em 2013, do total de 74 bilhões de euros das vendas globais da Basf, os negócios da divisão agrícola foram de 5,2 bilhões de euros. “Embora seja uma participação ainda pequena, é o segmento que tem a melhor performance em crescimento, além de ser chave para o futuro da empresa”, observa Kreimeyer. A companhia não divulga os resultados no Brasil, mas detalha que os negócios do segmento agro na América do Sul somaram 1,27 bilhão de euros no ano passado. A projeção é que, em 2020, a divisão agrícola da Basf alcance vendas de 8 bilhões de euros.

Produção brasileira — Convidado para falar da agricultura brasileira na conferência promovida pela Basf, o diretor- presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, destacou a evolução da produção nacional. “Há 40 anos ouvíamos que o Brasil não teria condições de cultivar grãos nas condições do Cerrado, mas hoje a realidade é que exportamos tecnologia para outros países tropicais e conquistamos sucessivos avanços de produtividade”, relata.

A SLC cultiva 343,9 mil hectares em 16 fazendas no País. Na última safra, a área plantada pela empresa cresceu 21,7%. Os norte-americanos mostraram- se impressionados com os números apresentados pelo agroempresário brasileiro, especialmente porque nos Estados Unidos propriedades com grandes extensões não são tão comuns.

O evento da Basf ainda teve no roteiro a visita a uma fazenda em Pink Hill, também na Carolina do Norte. Na propriedade onde cultiva 1,8 mil hectares, o produtor Anthony Smith, de 57 anos, conta que começou a trabalhar com o pai, aos dez anos. Na época, a principal cultura era o tabaco, tradicional nas fazendas da região. Há noves anos, motivado pelo bom retorno financeiro dos grãos, ele cultiva milho, soja, trigo e algodão. Os altos preços da soja fazem com que o produtor americano tenha uma ótima rentabilidade com a oleaginosa. O custo da lavoura por bushel é de US$ 6,29, enquanto o valor do grão no mercado está em torno de US$ 12,40 por bushel.

Produtor Anthony Smith cultiva milho, soja, trigo e algodão na sua fazenda, em Pink Hill

No milho e no algodão, a rentabilidade é inferior, mas na safra passada o clima ajudou a ampliar os índices de produtividade. No milho, a média, que é de 125 bushel/acre (7.846 quilos por hectare), saltou para 200 bushel/acre, ou 12.554 quilos por hectare. Quando fala sobre os desafios e as motivações da atividade, Smith mostra que produtores brasileiros e norte-americanos podem ser bem parecidos, pelo menos no pensamento. “No campo, precisamos de trabalho duro, muita dedicação e boa sorte”, resume.

Na última semana de junho, os produtores norte-americanos estavam finalizando o plantio da soja. Segundo o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgado no dia 11 do mês passado, a área plantada com a oleaginosa no país deve ter incremento de 7% no ciclo 2014/15, chegando a 33 milhões de hectares, enquanto a produção poderá crescer 11%, chegando a 98,9 milhões de toneladas. Na última safra, os EUA colheram 89,5 milhões de toneladas e, o Brasil, 87,5 milhões de toneladas. Para o milho, a estimativa é de recuo de 3,9% na área plantada, para 37,1 milhões de hectares e produção de 353,9 milhões de toneladas, volume muito parecido com o da temporada anterior.

*A jornalista viajou aos Estados Unidos a convite da Basf