Irrigação

 

Linhas ATRATIVAS para todos os tamanhos

Tanto a agricultura empresarial como a familiar possuem alternativas em financiamentos para projetos de irrigação, independentemente da atividade agrícola

Carlos Cogo, consultor em Agronegócios

O Brasil possui uma das maiores reservas de água doce do mundo, equivalentes a 12% de todo o montante disponível. Entretanto, isso não é suficiente para afirmar que não há escassez hídrica no País ou risco de escassez no longo prazo. A distribuição dos recursos hídricos é bem desigual nas diferentes regiões brasileiras, com 80% dos mananciais localizados na região amazônica, que A GRANJA | 43 tem 5% da população. Por isso, mesmo com grande potencial hídrico, o recurso é objeto de conflito em várias regiões do País. O uso da água no meio rural representa 61% da retirada dos cursos d’água e, em se tratando de consumo, esse número passa para 83% (uso rural, irrigação e animal). Por ser o principal concorrente pelo uso da água, deve-se estimular um manejo racional da irrigação e a otimização dos equipamentos elétricos utilizados.

Apesar de a agricultura irrigada ser o principal consumo no País e, por isso, requerer maior atenção dos órgãos gestores, visando ao uso racional da água, ela resulta em aumento da oferta de alimentos e custos menores em relação àqueles produzidos em áreas não irrigadas, devido ao aumento substancial da produtividade. Especialmente nas regiões onde o déficit hídrico é significativo, a irrigação constitui-se em fator essencial para a produção agrícola. Com a irrigação sendo responsável pelo aumento de produtividade em determinada área, em média, de 1,5 a 3 vezes, a demanda por essa prática tende a crescer no Brasil. Atualmente, o Brasil utiliza menos de 20% de sua área estimada com possibilidades para a irrigação em terras altas, concentradas na Região Centro-Oeste.

No Brasil, existem 29,5 milhões de hectares de solos aptos para desenvolvimento da agricultura irrigada sustentável. Dessa área capaz de incorporar os métodos de irrigação, 5 milhões de hectares estão localizados na Região Centro-Oeste (16,7%). Projetos de irrigação na agricultura custam até R$ 7 mil por hectare, incluindo pivôs e tecnologia para gotejamento. Atualmente, apenas 8% da área cultivada no Brasil é irrigada. A Região Centro-Oeste é aquela em que menos se utiliza irrigação: 549,4 mil hectares são cultivados com a tecnologia, já que a ocupação da região só se deu a partir dos anos 1970. Na Região Sudeste está a maior área irrigada do País, com 1,5 milhão de hectares, e na Região Sul, a segunda maior, de 1,2 milhão de hectares. O Sul tem a peculiaridade do arroz irrigado por inundação, com várzeas, que ocupa 1,1 milhão de hectares irrigados.

A busca por investimentos em irrigação tem crescido expressivamente nas últimas safras, tanto para produtores de grãos como para fruticultura e horticultura. As linhas de investimentos disponíveis estão mais atrativas e facilitam a captação de crédito tanto na agricultura empresarial, quanto na familiar. A agricultura empresarial dispõe, principalmente, de duas linhas de crédito para aquisição de equipamentos de irrigação: o Programa de Incentivo à Irrigação e à Armazenagem (Moderinfra) e o Programa de Sustentação de Investimento Rural (PSIBK). O Moderinfra é uma linha de crédito do BNDES para apoiar o desenvolvimento da agropecuária irrigada sustentável, ampliar a capacidade de armazenamento nas propriedades rurais, proteger a fruticultura em regiões de clima temperado contra a incidência de granizo, e apoiar a construção e a ampliação das instalações destinadas à guarda de máquinas e implementos agrícolas e à estocagem de insumos agropecuários.

As taxas de juros são de 3,5% ao ano para os financiamentos destinados à aquisição de itens inerentes a sistemas de irrigação e de 5,5% ao ano para o financiamento dos demais itens. A participação máxima do BNDES é de até 100%. O limite do financiamento é de até R$ 1,3 milhão por cliente, para empreendimento individual, e até R$ 4 milhões para empreendimento coletivo, respeitado o limite individual por participante. Admite-se a concessão de mais de um financiamento para o mesmo cliente, por ano-safra, quando a atividade assistida requerer e ficar comprovada a capacidade de pagamento; e o somatório dos valores concedidos não ultrapassar o limite de crédito para o programa. O prazo total é de até 12 anos, incluída a carência de até três anos.

A linha do PSI-BK é destinada à aquisição de máquinas agrícolas e equipamentos de irrigação. Na safra 2013/14, os produtores contrataram R$ 9,920 bilhões pelo PSI-BK, que financia a aquisição de máquinas e equipamentos, resultado 65,5% superior aos R$ 6 bilhões programados para o período de julho de 2013 a junho de 2014. O BNDES PSI - Bens de Capital financia máquinas e equipamentos novos, de fabricação nacional, credenciados no BNDES, associados a projeto de investimento. As taxas de juros variam de 4,5% a 6% ao ano, conforme o porte do produtor. Para micro, pequenas e médias empresas, o prazo é de até dez anos com três de carência, e para as grandes empresas, o prazo é de até dez anos, com dois de carência.

A agricultura familiar pode buscar os recursos no Programa Mais Alimentos. O limite de crédito é de R$ 150 mil por ano agrícola, limitado a R$ 300 mil no total, que podem ser pagos em até dez anos, com até três de carência e juro de 2%/ano. Para financiamento de estruturas de armazenagem, o prazo pode chegar a 15 anos, com até três anos de carência. Para projetos coletivos, o limite é de R$ 750 mil. Os financiamentos destinados às atividades de suinocultura, avicultura e fruticultura podem chegar a R$ 300 mil. Para operações de até R$ 10 mil, o juro é de 1% ao ano. O Mais Alimentos é uma ação estruturante que permite ao agricultor familiar investir na modernização da produção, via aquisição de máquinas, implementos e de novos equipamentos, para correção e recuperação de solos, resfriadores de leite, melhoria genética, irrigação, implantação de pomares e estufas, armazenagem, entre outros. Essa linha de financiamento contempla projetos associados a todas as culturas e atividades agropecuárias dos agricultores familiares.

A agricultura familiar pode buscar os recursos no programa Mais Alimentos, com limite de crédito de R$ 150 mil por ano agrícola