Primeira Mão

 

Virada histórica

Às vésperas da Copa do Mundo do Brasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior anunciou que a soja em grão ultrapassou o minério de ferro e tornou-se o principal item da pauta de exportações do Brasil (no acumulado de janeiro a maio). O grão representou 13,9% do total de vendas externas, ante 13% do minério, de um total exportado pelo País de US$ 90,1 bilhões. A participação do complexo soja no total exportado pelo Brasil tem crescido desde os anos 1990, mas ainda de maneira mais expressiva a partir dos anos 2000, com a intensificação do comércio com a China.

A estimativa é que o Brasil embarque 48,5 milhões de toneladas da oleaginosa na safra 2013/14, o que faria do País o maior exportador do produto, bem à frente do segundo, os Estados Unidos, com 43,2 milhões de toneladas. A exportação deverá passar para 50 milhões de toneladas em breve e para 60 milhões em 2020, conforme estimativas da Expedição Safra (um levantamento técnico-jornalístico da produção de grãos). “Nos últimos dez anos, a produção nacional de soja cresceu 67%. Por outro lado, as exportações quase dobraram, tiveram aumento de 95%”, explica o coordenador da Expedição, Giovani Ferreira.


Soja elogiada na ONU

O Brasil foi apontado como exemplo de sucesso na redução do desmatamento em reunião da ONU sobre mudanças climáticas em Bonn, na Alemanha, em 5 de junho – Dia do Meio Ambiente. No relatório da Union of Concerned Scientists – uma ONG de cientistas sediada nos Estados Unidos –, o Brasil aparece como país que deu contribuição “sem precedentes” para atrasar o aquecimento global. E mais: os cientistas dessa ONG elogiaram os produtores brasileiros de soja. “A indústria da soja tem se saído muito bem sem desmatar a Amazônia, aumentando a produção e utilizando múltiplas safras”, destaca o relatório. Mato Grosso foi mencionado como exemplo bem sucedido na queda do desmatamento: “Embora os preços da soja tivessem disparado desde 2007, a derrubada de florestas tropicais para plantio de soja havia diminuído para níveis baixíssimos”.


R$ 265 bilhões

Este é montante que o Brasil deverá investir em infraestrutura de estradas, ferrovias, portos e aeroportos. O número foi informado pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcio Holland, no Fórum Brasil de Infraestrutura. “Temos desonerado os investimentos no Brasil, o que fez com que o preço para se investir tenha caído sistematicamente no País nos últimos anos”, lembrou. O secretário destacou que os leilões de concessões de infraestrutura em logística têm sido bem sucedidos porque se tratam de projetos atrativos e rentáveis.


Perversa Farm Bill

A Farm Bill, a lei agrícola norte-americana, deverá causar prejuízos de até 5% na receita de exportação das principais exportações agrícolas brasileiras entre 2014 e 2018 (seu período de vigência). Sobretudo para soja, milho e algodão. Segundo análise formulada pela consultoria Agroicone, a pedido da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a lei impactará negativamente o preço do milho de 3% a 5%, com perda de receita de exportação na ordem de US$ 1,5 bilhão. No caso da soja, haverá queda de 3% nos preços, ou redução de US$ 2,5 bilhões. Já no algodão, baixa de 4% nos valores para negociações internacionais, com diminuição de US$ 340 milhões.


117,33 sacas de soja/hectare

Esta foi a produtividade obtida pelo campeão nacional do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, concurso promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb). Registre-se: marca atingida em uma lavoura não irrigada. Ele é da Região Sul, e seu nome será anunciado, assim como os dos campeões regionais, na entrega da premiação, em 24 de julho, no Ministério da Agricultura. O campeão conseguiu produtividade 134% superior à média nacional, de 50 sacas/hectare. Os vencedores regionais conseguiram a seguinte média: Norte-Nordeste, 92 sacas/hectare; Centro-Oeste, 109 sc/ha; Sudeste, 100 sc/ha, além do campeão sulista, que foi o primeiro em nível nacional. Já o melhor em soja irrigada é mineiro, com 102 sacas/hectare.


Mato Grosso mais rico

O campo do Mato Grosso deverá ter um incremento de renda de 8% em 2014 comparada ao ano passado. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a perspectiva neste ano é de um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 43,05 bilhões – metade representado pela soja. “Acompanhado dos resultados positivos obtidos nas últimas safras, neste ano os produtores continuam a converter pastagem em agricultura que, aliada aos preços melhores, projeta uma elevação de 12% no VBP da soja, alcançando em 2014 R$ 21,5 bilhões, contra R$ 19,2 bilhões do ano passado”, destaca o Imea.


Biodiesel bombando

Em 2014/15, ao menos 16 milhões de toneladas da safra brasileira de soja serão direcionadas à produção de biodiesel. A boa perspectiva para o biocombustível decorre da autorização para o aumento da mistura no diesel mineral, que era de 5% e em novembro passa para 7%. Esse incremento representará um consumo de 15% a 20% da produção brasileira na safra que irá ao solo daqui a algumas semanas. Algo ao redor de 4,3 bilhões de litros de biocombustível. Cerca de 70% do biodiesel é produzido com soja, 20% de sebo bovino, 4% com óleo de algodão e 6% com outras fontes.


Milho: primeira variedade orgânica

A secretária de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Mônika Bergamaschi, anunciou na recente BioBrazil Fair Biofach América Latina a primeira semente orgânica de milho do Brasil. A variedade Al Avaré foi produzida pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), e é a primeira semente orgânica brasileira a receber o selo do IBD – Instituto de Biodinâmica, instituição responsável pela certificação de produtores orgânicos. A Al Avaré foi lançada em 2009, e desde o ano passado começou a ser multiplicada no sistema orgânico, tendo em vista suas ótimas qualidades de produção, resistência natural às pragas e doenças e fácil adaptação às diversas condições climáticas.


Guarda-chuva cooperativo

As cooperativas agrícolas paranaenses respondem por 56% do PIB agrícola do Estado. Nos últimos três anos, as instituições faturaram R$ 100 bilhões, segundo levantamento do jornal Gazeta do Povo. No período, enquanto o crescimento como um todo do PIB paranaense foi de 10%/ano, a expansão média do segmento cooperativo atingiu 18%. Bons preços das commodities no âmbito internacional e os investimentos das cooperativas para agregar renda justificam o ótimo desempenho. Um milhão de paranaenses são cooperados. E como para cada associado devam existir dois dependentes, o sistema cooperativista congrega então mais de ¼ da população do Estado.